“Muitas pessoas pensam na poliomielite
como uma doença do passado e não
percebem que ainda existem pessoas
aqui, hoje, sofrendo os efeitos da doença”
Brian Tiburzi,
diretor-executivo da Post-Polio
Health International (PHI)
Temida, altamente contagiosa e frequentemente silenciosa, a poliomielite atingiu proporções epidêmicas no início do século 20. As décadas de 1940 e 1950 foram as mais críticas. Crianças de até 5 anos estavam entre os grupos de maior risco. Havia um número elevado de mortes. Os quadros mais graves iam desde insuficiência respiratória até paralisia irreversível, afetando um ou mais membros.
Nos casos em que o paciente tinha dificuldade para respirar por conta própria, um “pulmão de ferro” (Iron Lung), que mais parecia um equipamento de tortura medieval — também conhecido como ventilador de pressão negativa externa — era utilizado para auxiliar na respiração do paciente quando os músculos responsáveis por encher e esvaziar os pulmões enfraqueciam.


O equipamento foi desenvolvido na Universidade de Harvard em 1928, sob o comando do engenheiro Philip Drinker e do fisiologista Louis Agassiz Shaw Jr. O paciente ficava deitado dentro de uma câmara de metal hermética, de forma que apenas a cabeça ficava para fora. A máquina alterava a pressão do ar na câmara para forçar a entrada e saída de ar dos pulmões, mimetizando o processo natural da respiração. Era uma espécie de ventilador gigante.


Alguns pacientes usaram o aparelho por algumas semanas, mas outros, dependendo do grau de paralisia da musculatura respiratória, não conseguiam ficar fora do respirador artificial, exceto por breves momentos. A dificuldade para respirar era tamanha que alguns dependeram do “pulmão de ferro” pelo resto da vida. Em 2013, a organização Post-Polio Health International (PHI) estimava que ainda existiam entre 6 e 8 usuários do “pulmão de ferro” nos Estados Unidos.
Foi assim com Paul Alexander, por exemplo, que usou a máquina gigantesca por sete décadas, apesar de já existirem modelos mais modernos. Hoje, os pulmões de ferro tornaram-se obsoletos e foram substituídos por eficientes ventiladores de pressão positiva. Em uma entrevista para o The Guardian, Paul, conhecido nas redes sociais como “Polio Paul”, afirmou que já estava adaptado ao pulmão de ferro e não queria passar por procedimentos cirúrgicos invasivos. Então, escolheu permanecer encapsulado até a sua morte em 2024, aos 78 anos. Nos seus últimos cinco anos de vida, ele não conseguia ficar fora do aparelho por mais de cinco minutos. Ainda existe a americana Martha Lillard, que se mantém viva com o aparelho e provavelmente é a última pessoa a depender do pulmão de ferro nos Estados Unidos.



No dia 6 de outubro de 1960, a vacina oral criada por Albert Sabin ficou pronta para ser testada em crianças e logo se tornou uma importante defesa contra a poliomielite, fundamental até os dias de hoje em todo o mundo. Por proporcionar uma imunização mais duradoura, acabou substituindo a vacina desenvolvida anteriormente por Jonas Salk. A poliomielite foi erradicada na maior parte do mundo.

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