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Edição 293

A boa ciência é que alimenta o mundo

Há mais de 20 anos, o Brasil autorizou o uso de transgênicos e não temos nenhum estudo que informe prejuízo à saúde

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países que mais utilizam organismos geneticamente modificados (OGM) nas suas lavouras. Os produtos dessa biotecnologia são amplamente adotados no mundo há quatro décadas, desde que a insulina passou a ser produzida por microrganismos geneticamente modificados, no lugar de sua extração do pâncreas de bovinos e suínos.

Muitas enzimas utilizadas em indústrias de alimentos, papel e celulose, têxtil e farmacêutica também são produzidas por microrganismos geneticamente modificados, proporcionando rendimentos mais elevados e agregando valor a diferentes setores. O que pouca gente sabe é que os OGMs reduzem o uso de defensivos agrícolas, aumentam a produtividade e conservam mais a biodiversidade.

Hoje, para citar um exemplo, a maior parte do algodão em suas roupas vem do cultivo de plantas transgênicas. No Brasil, 99% do algodão é transgênico, ao passo que nos EUA é 97%, na China é 95% e na Índia gira ao redor de 90%.

No Brasil, 99% do algodão é transgênico | Foto: Shutterstock

Reforçando, se você pegar as principais culturas no Agro que usam OGMs, para que mantivéssemos o nível de produção observado nas áreas que adotam variedades transgênicas, deveríamos ter plantado 21,4 milhões de hectares adicionais no país entre 1998 e 2022. Para efeitos de comparação, essa área equivale ao dobro do total da área de soja plantada no estado de Mato Grosso em 2020.

No entanto, apesar de inegáveis benefícios, o governo trata essa biotecnologia como algo duvidoso. A Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/2005) impõe uma obrigatoriedade de rotulagem para ingredientes com presença acima de 1% de OGMs, embora haja discussões e projetos de lei para alterar essa exigência.

Ainda assim, em um claro abuso do poder público, uma portaria do Ministério da Justiça
(Nº 2.658/2003) promove abertamente uma indução negativa sobre a presença dos transgênicos. Foi o que encontrei quando comprei um sorvete no interior do Brasil. A embalagem exibia um gigantesco “T”, quase como algo radioativo. Isso não é rotulagem avisando sobre a presença de OGM, mas é uma triste tentativa de associar essa tecnologia com algo extremamente negativo, e até mesmo assustador.

Já nos EUA, de acordo com a legislação atual, os restaurantes estão isentos de divulgar ingredientes geneticamente modificados ou produzidos por bioengenharia, o que significa que redes como McDonald’s e Chick-fil-A podem servir alimentos modificados sem nenhuma indicação no cardápio ou na embalagem.

Redes como McDonald’s e Chick-fil-A podem servir alimentos modificados sem nenhuma indicação no cardápio ou na embalagem | Foto: Shutterstock

O motivo: quase todos os ingredientes básicos do fast food — óleo de milho, proteína de soja, óleo de canola, açúcar de beterraba e até aditivos para queijo — são originários de culturas geneticamente modificadas.

Mesmo os produtos “à base de plantas” não estão isentos. O hambúrguer vegetariano do Impossible Whopper, do Burger King, contém uma levedura modificada em laboratório que cria o sabor “carnudo”.

Mesmo os produtos “à base de plantas” não estão isentos | Foto: Shutterstock

Ora, os produtos transgênicos são testados em padrões rigorosos. Há mais de 20 anos, o Brasil autorizou o uso e não temos nenhum estudo que informe prejuízo à saúde. O que temos são benefícios, como os descritos acima.

É preciso mudar isso. O rótulo continuará com sua função de informar, mas precisamos de uma nova redação, que determine que as embalagens indiquem textualmente o nome da substância transgênica, a exemplo do que ocorre com os componentes de todos os produtos alimentares. Entretanto, nada como esse exagero, como mostra a foto abaixo.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Antonio Cabrera é veterinário com pós-graduação em produção animal e presidente do Grupo Cabrera, que atua no agronegócio. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo Fernando Collor e ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de SP durante a gestão Mário Covas. Atualmente, é titular da Sociedade Nacional de Agricultura e membro de várias entidades nacionais e internacionais, além de cônsul honorário da Espanha. Ele está no LinkedIin: Antonio Cabrera

Leia também “A utopia brasileira e o pragmatismo chinês”

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2 comentários
  1. gilson roberto cardoso de oliveira
    gilson roberto cardoso de oliveira

    Os mesmos “ambientalistas” que gritavam histéricos contras os transgênicos queriam obrigar seres humanos a ser inoculados com vacinas de RNA. Faz sentido quando vc compreende que o único critério dessas pessoas é o quanto de sofrimento eles podem infligir a outros seres humanos.

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