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Rio de Janeiro durante a Operação Contenção contra o tráfico de drogas na favela do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 28 outubro de 2025 | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Rio de Janeiro durante a Operação Contenção contra o tráfico de drogas na favela do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 28 outubro de 2025 | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Edição 294

Carta ao Leitor — Edição 294

A megaoperação policial no Rio e as eleições legislativas na Argentina estão entre os destaques desta edição

No começo dos anos 1980, o então governador Leonel Brizola praticamente proibiu operações policiais nas favelas cariocas — rebatizadas por ele de “comunidades”. O resultado: explosão populacional em áreas de alto risco e fortalecimento das organizações criminosas.

Quarenta anos depois, o ministro Edson Fachin, agora presidente do STF, decidiu limitar operações policiais nesses locais a casos “absolutamente excepcionais” e proibiu sobrevoos de helicópteros no espaço aéreo dessas comunidades. As ações, caso ocorram, devem ser justificadas e comunicadas previamente ao Ministério Público. Resultado: os morros do Rio foram transformados em zonas de exclusão. Ainda aparecem nos mapas como parte do Brasil, mas estão fora do controle do Estado.

Nesta semana, a megaoperação desencadeada pelo governo estadual tenta recuperar o domínio sobre esses territórios. Os policiais incumbidos de cumprir mandados de prisão foram recebidos pelos bandidos com barricadas, disparos de fuzis, drones munidos de granadas e bombas. Ainda assim, os militantes de esquerda se aliaram aos criminosos, dos quais mais de 120 acabaram mortos durante o confronto. Eles também exigem a prisão do governador Cláudio Castro. 

“A polícia é demonizada por parte da elite, enquanto a bandidagem acaba sendo enaltecida”, constata Rodrigo Constantino. O discurso segue a cartilha lulista, repetida por seus devotos, afirma a reportagem de Silvio Navarro. Há poucos dias, durante uma viagem à Indonésia, o presidente resumiu sua nova tese sobre segurança pública: “Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. Pegou mal. Muito mal. No dia seguinte, a equipe de propaganda de Lula até tentou dizer que a frase havia sido “mal colocada”, mas era tarde demais.

Acima do tráfico de drogas, a maior fonte de renda dos criminosos vem dos domínios territoriais onde atuam. Como mostram Isabela Jordão e Uiliam Grizafis, nesses locais os criminosos controlam o gás, a luz, a internet, a telefonia e o transporte — e outros serviços que deveriam ser garantidos pelo Estado. Também são esses grupos fora da lei que comercializam cervejas, carvão e cigarros. Os moradores se tornaram reféns. A omissão do poder público fez com que o Comando Vermelho, organização majoritária no Rio de Janeiro, se espalhasse por 24 dos 26 Estados brasileiros. 

Essa mesma omissão do poder público contribuiu para institucionalizar a corrupção. Mais provas que documentam esse absurdo vêm sendo reunidas pela CPMI que investiga a ladroagem que afeta aposentados e pensionistas. Os avanços da comissão já conseguiram delinear o modus operandi da quadrilha e identificar alguns dos principais integrantes. Cristyan Costa e Sarah Peres traçam o perfil de um deles: Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”.

Vêm da Argentina as notícias animadoras. As eleições legislativas realizadas no meio do mandato presidencial marcaram o fim de um extenso ciclo dominado pelo peronismo populista, aliado à esquerda. A disputa eleitoral confirmou o apoio da população ao projeto de governo de Javier Milei. Pode-se prever a intensificação de privatizações, a redução do Estado, o aumento da segurança jurídica e o combate ao narcotráfico e à corrupção, fora o resto.

O Brasil de Lula corre em velocidade crescente no sentido oposto.

Boa leitura.

Branca Nunes

Diretora de redação

Capa da Revista Oeste,.edição 294. Operação policial contra o tráfico de drogas na favela do Alemão e da Penha no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de outubro de 2025 | Foto: Reprodução/Redes Sociais

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4 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Bota esses cabras-safados pra fora impchment em todos governo federal STF TSE STJ CNJ OAB PT psol PC do b, essa corja toda de de ladrão comunista assassino terrorista narcotraficante. Bota tudo pra cadeia

  2. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Parabéns. Teremos leitura no final de semana. Apenas fiquei numa dúvida: o Brizola ficou 45 anos no governo e não teve outros prefeitos e governadores que ignoraram o problema nas favelas e tudo é culpa dele? A globo fazia com Brizola o mesmo que fez com Bolsonaro. Esta questão é conhecida por mim muito profundamente. Mas, como antigo comunicador não quero discutir algo que tem pontos divertgentes do ponto de vista ético, moral e de justiça. A medida tomada naquela época tinha outros objetivos que com o tempo foram abafados.

  3. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Oeste sempre lúcida, combativa, corajosa e responsável.

    1. Teresa Guzzo
      Teresa Guzzo

      Branca Nunes parabéns pela nova edição da Revista Oeste. Leitura boa para o fim de semana. Excelente artigo de Isabela e Uiliam.

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