Há alguns meses, quando foi escalado para viajar para a Bahia para mostrar in loco como vivem os moradores do Estado mais violento do Nordeste — e o segundo mais perigoso do País (atrás do Amapá) — os olhos de Uiliam Grizafis brilharam. Aos 36 anos, ele é o chamado repórter puro-sangue: prefere ir a campo a ficar sentado em frente ao computador, entrevistando por telefone meia dúzia de especialistas e uma porção de autoridades.
Em 13 de outubro, Grizafis embarcou para uma temporada de 11 dias, durante os quais passou por quatro cidades: Salvador (por ser a capital), Feira de Santana e Camaçari (por terem registrado aumento significativo da criminalidade nos últimos anos), e Jequié, o segundo município mais perigoso do Brasil — perde apenas para a cearense Maranguape. Em cada parada, Grizafis compartilhava sua localização com o editor-executivo Eliziário Goulart Rocha — e adiantava algumas histórias. O compilado de todas elas você confere nesta edição.
Cinco dias depois do retorno de Grizafis, o governo do Rio de Janeiro realizou uma megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, favelas comandadas pelo Comando Vermelho — a mesma facção que está levando o terror ao Nordeste. Como mostra Cristyan Costa na reportagem de capa, o CV e o PCC, as duas maiores do país, são apenas a ponta de um gigantesco iceberg. O Brasil tem quase 90 organizações criminosas com presença confirmada em pelo menos uma das 27 unidades da federação.
O levantamento identifica grupos de alcance nacional, regional e local que disputam rotas de tráfico, controle de presídios e até influência política. O documento também evidencia a absoluta incapacidade dos governos, que deixaram a situação chegar a esse estágio. “Legisladores ‘bonzinhos’ fizeram leis com audiência de custódia, saidinhas, para pessoas que assaltam e matam”, observa Alexandre Garcia. “Continuarão assaltando e matando. O primeiro dever do estado é proteger a vida e a propriedade das pessoas. Então o estado deve separar os criminosos, fazer o apartheid que Bukele fez e deu certo.”
Se realmente quisesse resolver o problema da segurança pública, Lula nem precisaria ir até El Salvador. Poderia olhar para bons exemplos que estão sendo implantados em países vizinhos. A reportagem de Rachel Díaz conta como Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia e Peru começam a colher os frutos do cerco montado contra o crime organizado. “Enquanto isso, o Brasil se aproxima da postura de países como Colômbia e Venezuela — cujos mandatários são investigados por supostas ligações com o tráfico”, enfatiza.
Silvio Navarro lista outros retrocessos do governo Lula no combate ao crime. Entre eles está a não aprovação de um projeto de lei que classificaria como terroristas facções como o CV e o PCC. O presidente também considerou a megaoperação no Rio “desastrosa” e afirmou que a cidade foi palco de uma “matança”. Numa entrevista a Paula Leal, o juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, que se dedica a enfrentar o avanço do crime organizado, resume numa frase uma das principais causas dessa farra da bandidagem: “O Brasil é o maior paraíso jurídico do mundo.”
Desde o extermínio da Operação Lava Jato, esse paraíso voltou a abrigar também os bandidos de colarinho branco. Desta vez, o ministro Dias Toffoli anulou as provas e livrou da cadeia o companheiro Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que agora está liberado para buscar no exterior a fortuna roubada dos pagadores de impostos pelos quadrilheiros do Petrolão. “Faz de conta que não aconteceu o que Duque contou espontaneamente ao juiz Sérgio Moro em 2017”, observa Augusto Nunes em sua coluna.
Diante da escalada da violência, a segurança pública tende a dominar o debate das eleições presidenciais de 2026. Outro tema principal será a economia. Adalberto Piotto explica que a atual gestão não só registra déficits fiscais desde o primeiro dia de mandato como aplica com vigor uma política de gastos sem qualquer preocupação com o amanhã. É difícil saber em qual das duas áreas o governo Lula consegue ser pior.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação





Se o Desgoverno é tão complacente com os criminosos, assim como outras fatias do poder é porque, de alguma ou várias formas, lucram muito com a omissão!
A “ultima hora”, jornal sangrento do passado está perdendo de goleada aos nossos atuais veículos de mídia. Falta dar um pouco de esperança aos leitores com pelo menos umazinha noticia positiva. Esqueceram da injustiça com nosso presidente Bolsonaro que foi o único nos últimos 50 anos ou mais, tentou combater a criminalidade e os impostos escorchantes a que estamos submetidos dia após dia. Deus salve o Brasil.
Prezada dona Branca, dar destaque ao avanço da criminalidade, ao combate à violência, etc, etc, tá tudo certo, tá tudo muito bem. Mas cadê o destaque à prisão ilegal e imoral do Jair Bolsonaro? Cadê o destaque aos ataques baixos e deploráveis que Carlos Bolsonaro vem sofrendo? Cadê o destaque ao trabalho fenomenal que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo vem fazendo nos EUA em prol do Brasil?
O Brasil perdeu a graça. Nem as praias mais lindas do mundo são suficientes para mascarar o que está pouco a pouco dando as caras: somos um enorme país da América do Sul à deriva num oceano de corrupção e narcoterrorismo. Perdemos a fé, a esperança e a alegria. Em cada bar, em cada vagão do metrô, em cada esquina do país você pode estar ao lado de um criminoso-terrorista. Ninguém está a salvo. E no carnaval, como será? Atrás de um mascarado, há quem? Um pierrô ou um bandido? Uma colombina ou uma dama do tráfico? Você vai sair no bloco do medo, da amargura ou da indignação?
Não tem que alisar bandido nem passar pano. Os três poderes estão abarrotados de ladrões, comunistas, assassinos, comunistas, narcotraficantes e terroristas. O correto é fuzilar todos
Bom dia, Branca Nunes. Parabéns pela apresentação da Carta aos Leitores.