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Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP30 Brasil, Amazônia | Foto: Reprodução/COP30
Edição 296

Carta ao Leitor — Edição 296

A substância descoberta por uma pesquisadora brasileira que está fazendo tetraplégicos voltarem a andar e o cenário macroeconômico do país estão entre os destaques desta edição

“De onde menos se espera é que não vem nada mesmo.” Atribuída ao jornalista Apparício Torelly, o Barão de Itararé, a frase se aplica sem retoques ao que está acontecendo na COP30, em Belém. Os brasileiros minimamente lúcidos e informados sabiam que seria um desastre. Foi mesmo — e ainda não acabou. 

A reportagem de capa desta edição, assinada por Carlo Cauti e Sarah Peres, dá a dimensão da catástrofe que segue seu curso. “Um evento que conseguiu unir caos, calor e preços exorbitantes”, avisa o texto já em seu começo. A lista abrange torneiras sem água, quedas de energia, internet instável, sistemas de ar condicionado quase sempre em colapso e manifestações de hospício. Numa delas, seres fantasiados de índios carregavam uma enorme bandeira da Palestina. Numa cidade em que menos de 20% da população tem acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, dois salgadinhos e um refrigerante passaram a valer R$ 99.

“O estranho desfile de gente imitando bicho promovido pela COP30”, diz Augusto Nunes, mostra que Lula e Janja foram traídos pelo calendário. Se a COP de 2009, quando Lula exercia seu segundo mandato, tivesse sido realizada no Brasil — e não na Dinamarca — “Belém do Pará seria presenteada pelo cortejo dos chefes de governo que conviviam no Clube dos Cafajestes Cucarachas”. O timaço incluía Cristina Kirchner, a Viúva de Tango, Hugo Chávez, o Bolívar de Hospício, Evo Morales, o Lhama de Franja, Manuel Zelaya, o Chapéu sem Cabeça, e Fernando Lugo, o Reprodutor de Batina.

Enquanto o governo tenta disfarçar o fiasco de Belém, outro desperdício do dinheiro dos pagadores de impostos, o Brasil aguarda entorpecido a eleição do ano que vem. Independentemente do que venha a acontecer na disputa pela Presidência da República em 2026, causa apreensão o cenário macroeconômico que revela um país inviável na reta final do governo Lula 3, avalia Adalberto Piotto. O temor se justifica, principalmente, por “números oficiais da explosão fiscal e evidências à luz do dia de desconexão com a realidade”.

Há pelo menos seis anos, nada acontece sem a intromissão do Supremo Tribunal Federal. “E não se trata do aval constitucional, da legalidade, mas sim do que os ministros acham que pode ou não pode ser feito no país: são os patrões da nova República”, informa  Silvio Navarro. “No próximo ano, o brasileiro terá a chance de renovar quase todos os quadros nas urnas e devolver a política para quem deve fazer política — quem tem voto.”

Às incertezas na economia, na política e no campo jurídico soma-se a que mais tira o sono das pessoas decentes: a insegurança pública. A recente operação policial contra o narcotráfico no Rio de Janeiro reacendeu o debate em torno do tema. Um dos tantos ingredientes desse assunto explosivo é o convívio das ONGs com a bandidagem — às vezes por afinidade, em outras por medo —, como retrata a matéria de Loriane Comeli. “Organizações não governamentais das áreas de direitos humanos e segurança pública, principalmente, estão ligadas a partidos de esquerda e sustentam o discurso de que o criminoso é vítima da sociedade”, afirma.

Felizmente, existe vida muito além de governo, do STF e do Congresso. Quando os poderosos não atrapalham, os brasileiros são capazes de produzir prodígios. A reportagem especial de Mateus Conte aborda casos como o de Bruno Drummond de Freitas, que, depois de um acidente de automóvel, foi diagnosticado como tetraplégico. “Será que eu vou ficar deitado para o resto da vida, que eu nunca mais vou conseguir andar, fazer nada?”, pensou ao receber a notícia. Bruno voltou a andar, dirigir e ter uma vida normal com muito esforço e superação, mas principalmente graças a uma substância chamada polilaminina, desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ.

É uma descoberta brasileira com potencial para transformar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Boa leitura.

Branca Nunes

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 296 | Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA

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4 comentários
  1. Sérgio Luiz Gonella Silva
    Sérgio Luiz Gonella Silva

    Parabéns à pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, que seu trabalho seja reconhecido mundialmente e que não acabe “escondido” pelos interesses da BigPharma.

  2. Wagner Destro
    Wagner Destro

    Dona Branca, dar destaque ao cenário macroeconômico, à COP30 etc, tá tudo certo, são temas atuais e relevantes. Mas contar em detalhes as “bimbadas” de um cafajeste paraguaio? Qual a relevância disso nos dias atuais? Passou-se mais uma semana e vocês insistem em fingir que o nome – e a pessoa – Bolsonaro não existe. Vocês já repararam que, desde que o J.R. Guzzo faleceu, vocês não falaram mais em Bolsonaro? Por acaso, isso seria um padrão NOVO que a revista está adotando?

  3. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Um Brasil feito de rachaduras, trincos e grandes lacunas. Oeste mostra tudo.

  4. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    O Brasil de hoje é o quadro do holandês Edmund Murf, “O GRITO”

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, com a primeira dama, Janja durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP 30 | Foto Ueslei Marcelino/COP30 Anterior:
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