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Alexandre de Moraes ao lado do presidente Lula, em registro que simboliza a sintonia entre STF e Planalto | Foto: Reprodução/X
Alexandre de Moraes ao lado do presidente Lula, em registro que simboliza a sintonia entre STF e Planalto | Foto: Reprodução/X
Edição 296

Os patrões da República

No próximo ano, o brasileiro terá a chance de renovar quase todos os quadros nas urnas e devolver a política para quem deve fazer política — quem tem voto

Há pelo menos seis anos, o Brasil convive com a sensação incômoda, e inédita desde a redemocratização, de que não há qualquer lei, decisão ou ação política possível sem a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). E não se trata do aval constitucional, da legalidade, mas sim do que os ministros acham que pode ou não pode ser feito no País: são os patrões da nova República.

Aos fatos: todos os dias, o País acorda com manchetes na imprensa sobre o que os ministros pensam de determinado tema, se autorizam um prefeito a administrar sua cidade como ele gostaria, se um deputado federal pode usar uma peruca na tribuna ou chamar o seu adversário político de “ladrão, corrupto e amigo de ditadores”. Mais: eles também fiscalizam o que o cidadão publica em suas redes sociais — e se a plataforma deve ser punida também.

Dois exemplos ocorridos nos últimos dias sobre o tema da vez, a segurança pública, são patentes: o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, conduziu uma megaoperação para retirar líderes do Comando Vermelho das favelas da Penha e do Alemão, na zona norte da capital. Mais de 120 traficantes morreram. O que aconteceu no dia seguinte? O ministro Alexandre de Moraes, que se acostumou com o papel de “xerife” do Brasil — embora nenhum eleitor tenha feito essa escolha — pegou um avião e foi para o local. Moraes foi nomeado às pressas relator da ADPF das Favelas, redigida para limitar o trabalho da polícia nos morros. Cobrou informações do governador e não hesitou em abrir um inquérito, a cargo da Polícia Federal, para gerenciar a segurança no Estado. Detalhe: Moraes não conhece as particularidades do Rio nem os grupos criminosos que atuam no Estado, porque é paulista, e a PF se recusou a ajudar na operação quando foi solicitada.

Alexandre de Moraes virou peça central das disputas sobre segurança pública, confrontando a atuação do governo do Rio após megaoperação contra o Comando Vermelho | Foto: Gustavo Moreno/STF

Outro exemplo na mesma área: a Câmara dos Deputados vive um acalorado debate sobre o endurecimento da legislação penal contra facções criminosas. É um tema visceral, que recolocou a direita no jogo político de 2026, com apoio avassalador da sociedade — nem os institutos de pesquisas a serviço do PT conseguiram disfarçar os dados porque o brasileiro está cansado da bandidagem. O projeto de lei, contudo, não andou porque o presidente da Casa, Hugo Motta, foi pedir o aval dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes para colocá-lo em votação. Também pediu autorização para escalar o deputado Guilherme Derrite, secretário licenciado de Segurança de São Paulo, como relator. A frase anterior pode parecer absurda numa democracia constitucional, mas está correta: o presidente da Câmara, apelidada de “Casa do Povo”, foi prestar contas ao STF antes de uma votação.

O resultado é um texto completamente desfigurado e que perdeu o foco: classificar organizações como PCC, CV e outras siglas como terroristas. Se houver esse avanço, o Brasil terá a chance real de cooperação internacional para vencer o narcotráfico. Nessa hora, o eleitor pode perguntar: mas a Constituição não é clara sobre a independência dos Poderes? O Congresso não tem autonomia, chancelada pelo voto popular? Esse mesmo eleitor já se acostumou com a resposta: não importa o que diz a Carta Magna, mas sim o que os ministros do STF querem.

As interferências, que muitas vezes travam o avanço do País, não pararam por aí. Os casos envolvem ferrovias, áreas indígenas, quilombolas e até o cotidiano do pagador de impostos.

É por isso que centenas de pais, mães, avós etc. estão presos a uma tornozeleira eletrônica ou ainda atrás das grades pela acusação de um golpe de Estado impossível. A Câmara estava pronta para aprovar o projeto da Anistia, nos moldes da Lei 6.683, de 1979. A oposição conseguiu reunir maioria para aprovar a urgência da votação. Mas Hugo Motta recuou para evitar encrenca com os ministros do STF.

Quantas vezes o brasileiro acompanhou a seguinte cena nos últimos anos: o Congresso aprova uma lei, às vezes até uma emenda constitucional, que requer quórum altíssimo e enorme costura política, e um ministro do STF, individualmente, anula tudo? Basta o líder do PT do turno encaminhar um ofício. Na maioria das vezes, o caso sequer passa pelo Ministério Público, que deveria ser o agente acusatório no ordenamento jurídico do País.

Desde março de 2019, o STF mantém aberto o inquérito 4.781, que em Brasília ganhou uma série de apelidos, foi renomeado pelo próprio STF e ninguém mais sabe quem é investigado. Esse inquérito é o marco da ilegalidade e da deformação institucional do País. Foi aberto de ofício pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, sem a manifestação prévia do Ministério Público — ou seja, foi quando o STF decidiu que o Ministério Público não era mais necessário. Alexandre de Moraes foi nomeado relator sem o habitual sorteio. Deu no que deu.

Ministro Dias Toffoli, durante sessão no STF para discutir a responsabilidade das plataformas digitais pelos conteúdos considerados criminosos postados pelos usuários (4/12/2024) | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Dias Toffoli abriu de ofício o inquérito 4.781, que inaugurou a era das investigações sem controle externo | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O então decano do tribunal naquela época, Marco Aurélio Mello, narrou como foi informado dessa decisão em entrevista ao repórter Cristyan Costa, de Oeste. Mello disse ter ouvido de Toffoli: “Determinei, mediante portaria, a instauração de um inquérito e designei o relator. Sei que Vossa Excelência não vai concordar”. Os togados estavam na casa de Luís Roberto Barroso. Mello continuou: “A situação é tão delicada que a procuradora-geral da República da época, Raquel Dodge, pediu o arquivamento. O Ministério Público Federal, que deveria ter feito o pedido de abertura da investigação, solicitou o fim do procedimento, porém não foi atendido. Isso, evidentemente, não se coaduna com a organicidade do Direito.”

As interferências, que muitas vezes travam o avanço do País, não pararam por aí. Os casos envolvem ferrovias, áreas indígenas, quilombolas e até o cotidiano do pagador de impostos. Segundo o banco de dados do STF, o primeiro semestre terminou com uma fila de quase 19 mil processos em tramitação. Mas será que todos eles precisam passar pela Corte? Do que tratam? Por exemplo: em 2023, Alexandre de Moraes resolveu “prefeitar”. Basta digitar em qualquer buscador na internet: “Alexandre de Moraes moradores de rua”. O resultado no Google diz: “O ministro proibiu em liminar que os Estados, o Distrito Federal e os municípios façam a remoção e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua às zeladorias urbanas e aos abrigos”. É papel de um ministro da última Corte recursal deliberar sobre o que 5.571 prefeitos podem fazer, num território que tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados? Ele conhece a realidade de cada cidade?

O fato é que quem saiu do trilho constitucional foi o STF e só há um caminho para organizar a bagunça na Praça dos Três Poderes: as eleições do ano que vem.

O gabinete de Moraes conduz mais de 20 inquéritos, segundo ele mesmo informou no começo do ano. Ele dá ordens frequentes para a Polícia Federal, o que deveria ser competência do Ministério da Justiça. Por meio da chamada Vaza Toga, descobriu-se que havia um gabinete clandestino no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para perseguir quem não aderiu ao projeto de poder da Corte — políticos, influenciadores, jornalistas etc. Muitos foram punidos e quem denunciou as arbitrariedades, o perito Eduardo Tagliaferro, ex-funcionário de Moraes, pode ir para a cadeia se for extraditado em dezembro da Itália. Um detalhe: todo esse projeto de poder passou pela reabilitação política de Lula da Silva, que estava preso, feita pelo STF.

Lula ganhou as eleições de 2022 e promove encontros nos palácios de Brasília com o grupo que dá as cartas no Supremo. E tudo acontece às claras, com ar de normalidade e transmissão pela imprensa amiga. Cada um tem um papel: Toffoli continuou o serviço de Lewandowski para enterrar o que restava da Lava Jato; foi montada uma Turma que atua em bloco para condenar Jair Bolsonaro e seus aliados — Luiz Fux, juiz de carreira, percebeu e não topou. Formam essa Turma: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino (ex-ministro de Lula) e Cristiano Zanin (ex-advogado de Lula). O petista ainda vai indicar mais um nome para completar o grupo depois da aposentadoria de Barroso.

O presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes: Brasil vive situação que nunca experimentou em sua história |
Lula fortaleceu alianças no STF, enquanto Toffoli assumiu o papel central de desmontar o legado da Lava Jato | Foto: Shutterstock

Moraes e Dino determinaram que Jair Bolsonaro permaneça preso em casa e incomunicável, há mais de cem dias, sem condenação. É Moraes quem autoriza, nome a nome, quem pode visitar o ex-presidente — inclusive familiares.

Os ministros do STF ainda protagonizam um paradoxo: a maioria gosta de convescotes com políticos e empresários. Gilmar Mendes, aliás, promove o maior lobby judiciário do mundo, apelidado de “Gilmarpalooza” pela mídia, sempre no exterior. As entrevistas e participações em eventos são semanais. Mas nenhum deles é visto em aeroportos ou num shopping center de Brasília, como era comum há menos de uma década. Os deslocamentos aéreos são feitos somente por meio de aeronaves oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB), onde dividem assentos com ministros de Lula.

O fato é que quem saiu do trilho constitucional foi o STF e só há um caminho para organizar a bagunça na Praça dos Três Poderes: as eleições do ano que vem. O Brasil está doente, mas existe remédio: um Congresso Nacional renovado e corajoso para recolocar cada Poder no seu devido lugar. E política deve ser feita por quem tem voto — e não caneta.

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19 comentários
  1. Vanessa Días da Silva
    Vanessa Días da Silva

    Esse país não tem mais jeito. Acho que deveria logo ser fragmentado já que parte dele agricola e de terras a raras já foi vendida para a China outra parte já pertence a Noruega na Amazônia. Melhor seria oficializar e cada estado por si

  2. Susana De Morais Spencer Bruno
    Susana De Morais Spencer Bruno

    Eleição? O órgão que avilta a constituição não passa pelo voto. Independentemente do resultado, o cenário será esse.
    Na última eleição se falava da maioria eleita era conservadora e? Nada resolveu.

  3. GILBERTO DOS SANTOS JUNIOR
    GILBERTO DOS SANTOS JUNIOR

    É triste ver o Brasil desse jeito, é triste também ter que apostar todas as fichas na próxima eleição, porque sempre teremos o “e se não der certo….” Conseguiremos sobreviver a mais 04 anos de roubalheira? De arbitrariedades?
    No entanto, é o que resta, ter esperança e acreditar numa força divina, porque as promessas são inúmeras, vide o atual presidente da Câmara que jurou colocar em votação a lei da anistia para as pessoas da suposta trama golpista, o golpe da Bíblia, golpe do algodão doce, e nada, tudo parado até hoje.
    Pessoas estão com suas vidas paradas aguardando sabe-se lá o que e enquanto isso veremos inúmeros Clezãos perecendo na cadeia.

  4. Joaquim Días do Nascimento Júnior
    Joaquim Días do Nascimento Júnior

    Não há qualquer surpresa na bagunça institucional que o Brasil vive atualmente, Um grande Fazendão acostumado a colonos pagadores de impostos e um grande leque de ignorância política institucionalizada na pobreza, na falta de qualidade do esino, na falta de entusiasmo pela leitura, na esperteza e no jeitinho, com desrespeito flagrante a Lei Maior, já temos oito constituições pisadas e repisadas pelo poder e pelas oligarquias envolvidas em todo tipo de traquinagens legais e políticas, o povo é mero detalhe como demonstrou a organização da COP 30 e o flagrante desrespeito pelo dinheiro público encabeçado pelo CASAL PRESIDENCIAL, portadores da incompetência administrativa e da ausência de seriedade econômica e financeira, junto a famílias acostumadas ao poder e ao desmando, todos amparados por um tribunal que se tornou o recanto do ridículo, da incompetência e do assombro da inconstitucionalidade e ilegalidades lideradas por “juizes” que demonstram sua total ignorância e desimportância pela lei, mas atende a seus interesses e os de seus alidados. É de todo evidente que não há como uma repúbliqueta bananeira dar certo, pois há muito constatado: o Brasil não é um país sério.

  5. Juliana saad de carvalho
    Juliana saad de carvalho

    Silvio, desconfio. Pelo exposto , com maestria.
    O sistema é dominado pela falange. Não importa o que façamos, o sistema fica. Eleição é uma forma que o sistema criou para se auto perpetuar.
    Como podemos pensar em ir às urnas “democraticamente” com presos políticos , e o maior opositor, preso?

  6. Joaz Santana Praxedes
    Joaz Santana Praxedes

    O governo aplicou desinfetante em Belém para evitar a fedentina dos esgotos a céu aberto na COP, mas não pôde evitar a pandemia da falta de moralidade dentro e fora daquela famigerada cidade. Por enquanto, sem vacinas…

  7. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Alexandre é de São Paulo não conhece o Rio mas conhece muito bem o crime, ele e Lula e cia limitada. Tem muita gente do PCC dentro da justiça e Lula é o chefe do crime internacional no Brasil narcotráfico e terrorismo na América do Sul

  8. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Silvio, sinto muito que você não tenha comandado o programa ARENA OESTE quando da entrevista da ex ministra do STF ELIANA CALMON. Todos sabemos que Piotto é um excelente jornalista e entrevistador, todavia não deveria ter tido o privilégio desta entrevista talvez a mais importante para teu excelente trabalho e para explorarmos as entrelinhas da “descondenação” de Lula que ela tão bem nos informou. Creio que o programa tem o teu perfil de conhecimento político, e creio que você melhor exploraria qual a participação de Manoela Dávila e Jose Eduardo Martins Cardoso ex ministro da Justiça do governo DILMA, com o haker DELGATTI de ARARAQUARA na ilícita invasão dos celulares de procuradores e juiz SERGIO MORO da operação LAVA JATO.
    Curiosamente por ter tido contato com esse criminoso, Carla Zambelli esta condenada a 10 anos de prisão. Explore esse assunto e tente entrevistar protagonistas das operações deste hacker aparentemente “amigo” da esquerda.

  9. Lincoln Gutemberg De Miranda
    Lincoln Gutemberg De Miranda

    Denúncias e mais denúncias veem a público há anos ao ponto do enfadamento. Solução, nenhuma! Apostar tudo nas eleições de 2026? Se, por um acaso divino, o Congresso Nacional for renovado, acham mesmo que não serão, em pouco tempo, “convencido$” como já acontecido outras vezes? Ponho dúvidas nessa “solução”.

  10. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Excelente artigo Silvio Navarro. Atual realidade brasileira:Constituição não existe mais,foi profanada pelos que mandam, STF e Lula.Senado reconduziu ao cargo por mais dois anos Paulo Gonet,COP 30 um fracasso total mais de um trilhão de reais de dinheiro público jogado no lixo e por aí vai a saga brasileira. A única saída, se tivermos eleições limpas, nosso voto em 2026.

  11. Antonio Araújo Da Silva Lopes
    Antonio Araújo Da Silva Lopes

    Você acredita mesmo nessa tal renovação? Lembra das eleições de 2018 e 2022 o que aconteceu? Em 2022 alardeou-se um congresso mais conservador da história recente, e o que estamos vendo! 2018 eleitos toneladas de traíras que conseguiram suas vitórias devido a estampa do rosto de Bolsonaro nas camisas; 2022 alardeou-se a eleição de um congresso MAIS conservador dos últimos tempos, deu nisso: traíras, isentões, pedintes de like pra impulsionar suas redes e ganhar placas e dinheiro das plataformas; Infelizmente Bolsonaro será “esfaqueado” outra vez!

    1. Julio José Pinto Eira Velha
      Julio José Pinto Eira Velha

      Nao só será esfaqueado outra vez, mas já foi esfaqueado pelas costas por diversos traíras.

  12. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Moraes e Lula, um precisando do outro, embora Moraes se aproveita das limitações do “tirado da cadeia”, hoje, ambos representam a metástase de um câncer que contaminou as instituições. Não passa um dia sem que eles estejam no noticiário, um pela tirania, o outro pela total incapacidade de governar. Eles não estão sozinhos. No entanto, a bagunça já se espalhou pelo país inteiro, o por mais que sejam bajulados pela velha imprensa, há no ar o cheiro contaminado de desejos putrefatos de um sistema por ruir. Foi assim que a Alemanha comunista ruiu junto com o muro de concreto. Ela estava podre por dentro. O Brasil do STF/lulopetismo está com as vísceras em decomposição exalando fedor para todos os lados. O ar saudável só retornará quando a podridão for removida.

  13. Renato Perim
    Renato Perim

    Muito boa sua matéria, Silvio, mas da mesma forma muito ingênuo achando que via eleições mudaremos alguma coisa. Agora é só na base da pólvora (ou da ameaça dela), ou então pelo jeito mais inteligente mas que parece que ninguém sabe: pela desobediência civil. Parece que o brasileiro é o ser humano mais medroso da face da terra.

  14. Cristian Herold
    Cristian Herold

    Se fala tanto nas eleições de 26 ,más ninm mm
    mais guém mais comenta sobre as ( URNAS ELETRONICAS ) que é o

    1. Mary Rodrigues De Oliveira Rios
      Mary Rodrigues De Oliveira Rios

      Enquanto as urnas votarem por nós, de nada adianta eleições…

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