O homem entra no tribunal escoltado por policiais. Ele é um velho conhecido; já foi preso várias vezes por furto. Agora foi preso em flagrante arrombando uma loja. Começa o interrogatório. O juiz lê a denúncia.
“Verdade. Eu estava mesmo ali”, diz o homem. “Mas não roubei nada. Apenas desaparafusei a porta da loja. Aí a polícia chegou”
“E para que o senhor desaparafusou a porta?”, pergunta o juiz.
“Para roubar, né?”
“Mas por que o senhor ia roubar a loja? O senhor é usuário de drogas?”, pergunta o juiz.
“Sou. Viciado em crack desde 1999. É o vício, né doutor? Precisava de dinheiro pra comprar droga. Preciso de tratamento. O senhor não tem como arrumar um tratamento para mim?”

O juiz passa a palavra ao promotor.
“O senhor é viciado em crack desde 1999?”, pergunta o promotor.
“Sim.”
“E nunca procurou tratamento?”
“Não. Quer dizer. Estive internado uma vez.”
“Quando o senhor esteve internado?”
“Eu era de menor na época.”
“Então foram seus pais que te internaram?”
“Não. Foi ordem judicial.”
“Então essa internação foi contra a sua vontade?”
“Sim.”
“Alguma vez o senhor mesmo, por vontade própria, buscou algum tipo de internação ou tratamento?”
“Não.”
“Então por que, justamente agora, o senhor quer se tratar?”
“Uma hora cai a ficha, né, doutor? A gente fica preso tanto tempo.”
Ele aponta uma jarra de água, colocada na mesa, em frente ao juiz. “Aqui fora”, diz ele,
“se eu roubar isso aqui, não dá muita coisa.”
O réu começa a usar o plural para falar de si mesmo — ele diz “a gente” ao invés de “eu”. É uma estratégia para dividir a responsabilidade pelo crime com toda a classe dos criminosos. É o que os promotores chamam de legítima falsa modéstia.
O promotor continua:
“Desde 1999 o senhor é viciado. Entra e sai da prisão há anos. Por que não buscou tratamento quando esteve solto? Por que não buscou auxílio médico em vez de continuar roubando para sustentar o vício?”
“É que solto a gente não pensa direito, doutor.”
O homem continua a argumentação, insistindo que o crack tinha sido o verdadeiro autor do crime. Ele fora um mero instrumento — uma vítima da droga e da sociedade.
O promotor pergunta: “O senhor está preso há quatro meses. Enquanto esteve na prisão, o senhor usou drogas?”
“Não, doutor. Lá dentro não usei.”
“Mas não há drogas na prisão?”
“E como há! Há sim. Muita droga.”
“E por que o senhor não usou, se o senhor é viciado?”
“Porque não tenho dinheiro para comprar.”

“Mas, se o senhor não tem dinheiro para comprar drogas dentro da prisão, por que não rouba de algum de seus colegas de cela?”
“Se eu roubar, eles me matam na hora.”
“Então, dentro da prisão o senhor consegue ficar sem drogas.”
“Consigo.”
“Por receio da pena que seus colegas podem lhe aplicar?”
“Isso.”
“E aqui fora, por que o senhor não consegue ficar limpo também?”
“Aqui fora é diferente, né, doutor?”, diz o réu. Ele aponta uma jarra de água, colocada na mesa, em frente ao juiz. “Aqui fora”, diz ele, “se eu roubar isso aqui, não dá muita coisa.”
Ele faz uma pausa e completa: “Lá dentro, se eu roubar, dá morte”.
É uma história real. Aconteceu há pouco tempo, em uma vara criminal brasileira.
E a moral da história é: não há mais moral alguma — e faz tempo.
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e viva o bostil … 😓
Por causa de um Sistema jurídico falho e cheio de brechas, a Sociedade é vítima do crime, por ” Impunidade “.
Depois que o descondenado afirmou que o usuário é vítima do traficante, fecha o país e joga a chave fora.
É o manicômio institucionalizado, zero receio da dita “justiça”…
A cara do Brasil e dos seus “governantes”.