Fotojornalista da revista Life, J. R. Eyerman capturou o clima cultural e de inovação tecnológica do cinema no início da década de 1950. A foto mostra uma uniforme plateia com traje de gala, óculos de papelão e graficamente voltada para a tela durante o primeiro longa-metragem colorido com tecnologia 3D da história, no Paramount Theater, em Hollywood.
A noite de estreia de Bwana Devil aconteceu no dia 26 de novembro de 1952. O filme foi inspirado em uma história verídica em que trabalhadores ferroviários se tornaram alvo fácil de um par de leões durante a construção da ferrovia no Quênia e em Uganda. Arch Oboler, diretor e roteirista, se interessou pela tecnologia chamada “Visão Natural” e fez disso a principal campanha publicitária para esta sua nova produção. Naquela época, o cinema estava cada vez mais perdendo espaço para a televisão. Hollywood, então, buscava uma experiência cinematográfica nova e imersiva.
“O primeiro longa-metragem do mundo em 3D Natural Vision” ou “Um leão no seu colo! Um amante nos seus braços!”, era o slogan estampado no cartaz do filme. Apesar de ter sido um sucesso de bilheteria, a qualidade do filme era duvidosa. Não entreteve o público e muitos acharam decepcionante.


Na época, a revista Life dedicou uma página inteira para falar sobre o filme e sobre a experiência do público no Paramount. Eis um trecho: “Essas criaturas megalópicas são o primeiro público pagante a assistir à mais recente novidade cinematográfica, a Visão Natural. O processo cria um efeito tridimensional utilizando dois projetores com filtros Polaroid e distribuindo óculos Polaroid para os espectadores. O filme exibido na estreia, chamado Bwana Devil, de fato apresentou algumas sequências tridimensionais impressionantes. No entanto, membros da plateia relataram que os óculos eram desconfortáveis, o filme em si — que trata de dois leões com ar intelectual que devoraram muitos humanos na África — era tedioso, e houve um consenso geral de que a própria plateia parecia mais surpreendente do que qualquer coisa na tela.”
O 3D já existia muito antes do filme Bwana Devil, mas ninguém havia levado o conceito tão longe quanto Arch Oboler. Ele foi pioneiro ao produzir e distribuir um longa-metragem em 3D, em cores, para um público amplo. The Power of Love lançado em 1922, foi o primeiro filme 3D. Utilizava o método anaglífico, que exigia óculos com lentes coloridas para criar a ilusão de profundidade.
J. R. Eyerman transcendeu o mero registro de uma nova experiência cinematográfica e encapsulou o fascínio da época por inovações tecnológicas. A imagem passou a ser um símbolo instantâneo da cultura pop da década de 1950.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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