Um evento marcante reverberou na Baviera em 20 de dezembro de 1924: Adolf Hitler foi libertado da prisão de Landsberg, onde ele deveria cumprir uma pena de cinco anos por sua participação no Putsch de Munique (Beer Hall Putsch, ou “Golpe da Cervejaria”) em novembro de 1923 — uma tentativa fracassada de golpe que buscava derrubar o governo da República de Weimar (Alemanha, entre os anos de 1919-1933). Mas sua detenção durou apenas nove meses.
Durante seu curto tempo na prisão, Hitler escreveu Mein Kampf (Minha Luta), uma obra que, mais tarde, se tornaria a base ideológica do nacional-socialismo. Nesse livro, ele delineou suas visões para a Alemanha e expressou seu ressentimento em relação ao Tratado de Versalhes, que ele acreditava ter humilhado o país. Além disso, Hitler expôs suas ideias sobre nacionalismo, racismo e a necessidade de um Estado totalitário.

A libertação de Hitler coincidiu com um período turbulento na Alemanha, marcado por instabilidade política e econômica. Ele estava pronto para capitalizar esse clima de insatisfação. O marketing para sua campanha política começou logo na saída da prisão, quando o fotógrafo Heinrich Hoffmann registrou este exato momento. Os guardas de Landsberg não autorizaram fotos na fachada do presídio, então Hitler posou na entrada da cidade por conta do cenário semelhante ao de uma fortaleza. E essa foi mais uma das mentiras de Hitler ao longo da sua história. Ele rapidamente retomou uma posição na liderança do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), que começaria a ganhar força nas eleições locais e nacionais.

A habilidade de oratória e apelo nacionalista de Hitler mobilizou o apoio de diversos grupos, incluindo veteranos da Primeira Guerra Mundial e aqueles afetados pelas crises econômicas. Ele conseguiu promover uma imagem de líder forte, capaz de devolver à Alemanha a sua glória perdida.
Sua saída da prisão na Baviera não foi apenas um ponto de partida pessoal, mas também um catalisador para a ascensão de um regime que levaria à Segunda Guerra Mundial e ao Holocausto, tragédias que deixariam uma marca indelével na humanidade. Foi o início de um dos capítulos mais sombrios da história do século 20, moldando o destino de milhões e mudando para sempre a geopolítica na Europa.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Sempre te agradeço, Daniela, por nos proporcionar verdadeiras aulas de história.
Por sinal, bastante prazeirosas, mesmo quando mostram tragedias ,
Esta foto da bluyfahne amulatou todo mundo. Mal revelada?
Blutfhane, correto.
Parabéns, Daniela. Mais um lembrete da tragédia que foi o nazismo e que nunca deverá ser esquecido.
Infelizmente, uma parte que não usa o cérebro e nem o coração, quer ressuscitar essa anomalia diabólica.
Obrigado pelo seu trabalho.
Obrigada Daniela Giorno por mais um capítulo histórico de Hitler. Aproveitou a ocasião e deu o golpe final aparelhandndo com nazistas todo o parlamento.Foi o grande sofrimento humano do século XX.