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Modelos de smartwatches | Foto: Shutterstock/Feito por IA
Edição 304

O tempo do smartwatch

Após mais de um século, o relógio de pulso convencional pode estar com as horas contadas

Se você estiver num lugar público e olhar ao redor, provavelmente vai ver que uma boa parte das pessoas já não está usando relógios de pulso convencionais. O que essas pessoas usam parece um relógio, mas é outra coisa. É um smartwatch. Quase um computador de bolso.

Existem várias razões para essa mudança acontecer. E esse movimento aparentemente não tem volta. As vantagens do smartwatch são muitas. Chegamos a um novo estágio na história da medição do tempo. Você pode resistir. Mas provavelmente a pessoa ao seu lado já aderiu.

O Cartier de Santos-Dumont

Os humanos já mediram as horas olhando para a posição do sol no céu. E ficavam literalmente no escuro quando o sol se punha. Esse processo evoluiu em 1500 a.C., no Egito, para o relógio de sol. Um pino projetava a sombra em um mostrador com divisões muito precárias de horas. 

Antes mesmo do relógio de sol, já existiam medidores de tempo à base de água. Funcionava como uma espécie de ampulheta, e conforme a água passava de um recipiente para o outro, marcas indicavam quanto tempo havia passado. Mas também sofria com possíveis fatores externos. Durante o inverno, por exemplo, a água congelava. E não havia mais como medir as horas.

Os primeiros relógios independentes de fontes externas são obra da Igreja Católica, por volta do século 13. Eles eram mecânicos, instalados especialmente nas torres das igrejas. Alguns sobrevivem até hoje. Todos os relógios até aí eram “coletivos”. Avisavam a aldeia, por exemplo, que estava na hora da missa.

A ideia de um relógio pessoal se consolidou só a partir do século 17, entre as elites econômicas. Homens usavam relógios de bolso, presos a correntes. Em 1904, o brasileiro Alberto Santos-Dumont encomendou a Louis Cartier um relógio portátil para facilitar a consulta durante voos, sem a necessidade de tirar as mãos dos controles. 

Relógio Santos-Dumont da Cartier, que pode ser encontrado atualmente em lojas da marca | Foto: Reprodução/Cartier

Até então, relógios de pulso eram joias para poucas mulheres. Dez anos depois, os soldados na Primeira Guerra aderiram em massa à novidade. Logo virou um equipamento quase obrigatório para homens e mulheres. O controle do tempo se tornou individualizado e se popularizou. 

E esse é o padrão adotado até agora: praticamente todo mundo com relógios de pulso. Eles passaram do mecânico (de corda, depois automático) ao elétrico, com baterias substituíveis. Alguns são de ponteiro, outros digitais. Novas funções foram acrescidas, como calendário, despertador, medidor de ondas para surfe, além de mais alguns recursos que pouca gente usa. Você conhece alguém que utiliza o taquímetro do relógio para medir velocidade?

O monstro de US$ 55 milhões

O mercado de relógios de pulso se tornou extremamente variado. Algumas empresas, como a Seiko e a Orient, optaram pelos modelos simples. Outros, pelos esportivos no estilo Casio. E o mercado de relógios de luxo chegou a um ponto que desafia a racionalidade. 

Qual o sentido de pagar mais de R$ 1,2 milhão por um Rolex Cosmograph Daytona para saber as horas? Ou — acredite se quiser — US$ 55 milhões por um Graff Diamonds Hallucination, o mais caro de todos os tempos, de beleza, no mínimo, duvidosa e, pelo seu formato, praticamente impossível de informar o básico — que horas são?

O Graff Diamonds Hallucination, o relógio mais caro do mundo, com um preço de US$ 55 milhões | Foto: Reprodução/Instagram

OK, é uma joia. E joias, mesmo as feias, não precisam informar nada. Quem tiver dinheiro sobrando pode colecionar relógios-joias de grifes como Patek Philippe, Richard Mille, Audemars, Omega, Rolex. Quem quiser apenas saber as horas pode comprar um Seiko, um Orient, um Timex, um Citizen ou mesmo iniciar uma coleção de Casio G-Shock. Vai ter menos risco de ser assaltado. 

O monitor da sua saúde

É aqui que chegamos, depois dessa longa viagem que começou no relógio de sol, ao smartwatch. Onde saber as horas virou um detalhe. Assim como o celular deixou de ser um aparelho para se conversar à distância e se tornou o centro de nossas vidas.

Um dos aspectos mais marcantes dos smartwatches é sua capacidade de monitorar a saúde do usuário, 24 horas por dia, enquanto estiver no pulso. Quantos passos você deu, quantos metros andou, quanto tempo ficou de pé, qual foi sua frequência cardíaca (mínima, máxima e média), qual foi a pressão arterial, qual o nível de oxigenação no sangue, qual o nível de estresse, quantas calorias foram gastas.

Quanto custa? Modelos mais básicos podem ser comprados por aproximadamente R$ 150.

Quando o médico perguntar ao usuário “Como você tem passado?”, a resposta não precisa mais ser um “mais ou menos”. Suas funções vitais estão registradas, dia a dia, em detalhes. Se surgir alguma crise, o alerta virá de forma imediata, como um check-up permanente.

O smartwatch mede a performance do seu sono também. Quantas horas dormiu, quanto demorou para pegar no sono, quantas vezes acordou (e por quanto tempo), porcentagem de sono REM, leve e profundo, frequência cardíaca, respiração. É impressionante como possa ter todos esses dados só de você dormir com ele no pulso. Mas tem, e cheios de detalhes.

Mas e o relógio do smartwatch propriamente dito? Passou a ser um elemento digital, assumindo a forma que você escolher. O usuário tem dezenas de opções e pode mudar de formato no momento em que o dono quiser, preferindo uma cara mais tradicional…

Foto: Reprodução/Xiaomi

… ou formatações inusitadas, dependendo do seu gosto ou do uso que você precise fazer dele:

Foto: Reprodução/Apple

Para quem pratica esportes, um smartwatch é capaz de medir sua performance em corridas e na piscina. Registra sua rota, marca o ritmo, se conecta ao GPS em trilhas. Mede sua velocidade e suas condições vitais quando você está numa bicicleta ou nadando. Mede seu desempenho em exercícios tão variados quanto esqui, golfe, snowboard, caminhada, remo, yoga, dança, pilates, tai chi e kickboxing. 

Quer mais? smartwatch se conecta ao seu celular (por Bluetooth) e pode atender chamadas (com fones), receber mensagens e tocar música. Um modelo avançado como o Apple Watch Ultra 3 pode fazer ligação de emergência em caso de acidente, ligar uma sirene, detectar uma queda ou enviar um SOS ao serviço de atendimento. Quanto custa? Modelos mais básicos podem ser comprados por aproximadamente R$ 150. 

Enfim, quem quiser continuar com o relógio de pulso vai continuar. Quem preferir ver as horas no celular vai ver. Mas os smartwatches estão se espalhando. Olhe ao seu redor. 


dagomirmarquezi.com
@dagomirmarquezi

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1 comentário
  1. Paulo Ferreira
    Paulo Ferreira

    Pra mim, uma chatice. Um bebê que precisa ser carregado quase diariamente. Prefiro meu Oura.

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