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O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na sede do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD), em Nova York, EUA, em 6 de janeiro de 2026 | Foto: REUTERS/Angelina Katsanis
Edição 304

Os radicais da equipe de transição de Mamdani

Entre os assessores do novo prefeito de Nova York está gente que já elogiou antissemitas e defendeu cortar verbas da polícia

“Pessoas são política”, como dizia o slogan da era Reagan — e, nesse sentido, a equipe de transição com 400 nomes de Zohran Mamdani diz muito sobre como ele pretende administrar uma cidade que já tem um orçamento inchado de US$ 115 bilhões e 300 mil servidores municipais. Ele está “limpando a casa” e exigindo que 179 funcionários do prefeito Eric Adams peçam demissão antes de ele assumir o controle da Prefeitura de Nova York — muito mais, e muito mais rápido, do que o normal.

Os 17 comitês de transição incluem alguns nomes conhecidos e experientes, como a ex-comissária do Corpo de Bombeiros, Laura Kavanagh, o chanceler da City University of New York, Félix Matos Rodriguez, e a dirigente empresarial em fim de mandato da Partnership for New York, Kathryn Wylde — sobre quem um nova-iorquino bem informado dispara: “Que vendida, sem vergonha!” Em outras palavras, um homem que nunca comandou nada além de uma carreira fracassada no rap está colocando alguns “símbolos” do establishment no time. Mas, quando se olha o conjunto de 400 nomes, emerge um retrato bem diferente.

Ex-comissária do Corpo de Bombeiros, Laura Kavanagh | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mamdani tentou se vender como o candidato mais filossemita da disputa, declarando no primeiro debate que “será o prefeito que não apenas protege os nova-iorquinos judeus, mas também os celebra e os valoriza”. Mas aí aparece Jenna Hamed, “curadora e editora” no Comitê de Artes & Cultura, que escreveu, poucos dias depois do massacre de 7 de outubro de 2023, que apoiava “todas as medidas tomadas” pela causa palestina: “Não cabe a vocês (estou falando com vocês, meus amigos não palestinos nos EUA e em outros lugares) determinar como esse processo deve ser”. Tamika Mallory, do Comitê de Segurança Comunitária, já disse que judeus “sustentam a supremacia branca” e elogiou o notório antissemita Louis Farrakhan como “o GOAT” (“o maior de todos”). Já Lumumba Bandele, do Comitê de Organização Comunitária, expressou solidariedade enquanto as mortes do 7 de outubro ainda estavam acontecendo.

Tamika Mallory, do Comitê de Segurança Comunitária, já disse que judeus “sustentam a supremacia branca” | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Espere — Comitê de Organização Comunitária? Sim: além dos painéis usuais sobre educação, saúde, moradia e afins, dois comitês são novidade para Nova York: esse e o Comitê de Justiça do Trabalhador. Poucos americanos sabem que muitos desses “grupos de organização comunitária”, frequentemente de orçamento multimilionário, recebem dinheiro do contribuinte para encontrar (ou fabricar) o maior número possível de pessoas afligidas. Sem o oprimido, as organizações comunitárias não seriam um negócio tão lucrativo.

Não acha uma carreira confortável? Uma integrante do comitê é Katie Unger, “consultora independente de pesquisa estratégica e treinadora para organizações trabalhistas e de justiça social, e ativista trabalhista nova-iorquina de quarta geração”, segundo sua biografia. Bem no topo da página da ex-aluna de Yale na internet, tem um botão: “Agende uma consultoria”. A equipe de transição está cheia de organizadores comunitários, mas este comitê abriga alguns dos personagens mais radicais. Julie Xu, da CAAAV: Organizing Asian Communities — chinesa de nascimento, criada em Michigan e “forjada” no ativismo de Chicago — disse estar “empolgada em se juntar à CAAAV para travar as engrenagens da propriedade privada e lutar por uma verdadeira justiça habitacional”. (A CAAAV tem mais dois funcionários na equipe.) O entusiasta do 7 de outubro, Bandele, encontrou-se diversas vezes, em Havana, com a líder foragida do Black Liberation Army, Assata Shakur, e a chamou de “nossa Harriet Tubman dos tempos modernos”.

A equipe de Mamdani também está cheia de aspirantes a defensores do desfinanciamento da polícia. Elana Leopold, diretora executiva da transição — na casa dos 30 — foi uma das mais de 230 pessoas que trabalharam para o ex-prefeito Bill de Blasio e assinaram, em 2020, uma carta aberta “exigindo” que o prefeito promovesse uma “mudança radical” no Departamento de Polícia de Nova York (NYPD), começando por um corte imediato de US$ 1 bilhão (de um orçamento operacional de quase US$ 6 bilhões) e pela “realocação desse dinheiro para serviços sociais essenciais”. Até os acadêmicos, aqui, são militantes. O sociólogo do Brooklyn College, Alex Vitale, é mais conhecido por seu livro de 2017, The End of Policing (“O fim do policiamento”). O diretor executivo do Policing Project da Universidade de Nova York, Max Markham, quer retirar policiais do combate ao furto em propriedade — um problema que explodiu durante a pandemia e frequentemente vem acompanhado de violência.

“De que forma podemos garantir um mapeamento completo de todas as leis e autoridades que o prefeito pode acionar unilateralmente?”

Mais “pé no chão”, Joo-Hyun Kang, das Communities United for Police Reform, e Anthonine Pierre, diretora executiva do Brooklyn Movement Center, são exemplos típicos do grupo. Em um artigo de opinião de 2022 no New York Daily News, a segunda admitiu que “há pessoas em nossas comunidades pedindo mais policiamento como solução para a violência”, ao mesmo tempo que atacou “investimentos excessivos em policiamento” e defendeu “uma resposta imediata à violência armada por meio de investimentos necessários em programas comunitários de prevenção e intervenção contra a violência confiáveis”.

Mamdani conseguiu arrumar espaço para dois membros da United Federation of Teachers no Comitê de Educação, mas não incluiu um único professor ou aluno do sistema. Não há nenhum defensor do direito de escolher a escola, embora mais de 1 em cada 6 alunos da rede pública de Nova York estude em uma das 285 escolas charter (“conveniadas”, isto é, públicas com gestão privada) da cidade. As listas de espera são intermináveis e as crianças nova-iorquinas — especialmente as mais vulneráveis — precisam de uma expansão das escolas charter. É pouco provável que isso aconteça sob Mamdani, independentemente de quem ele escolha como chanceler.

Mamdani conseguiu arrumar espaço para dois membros da United Federation of Teachers no Comitê de Educação, mas não incluiu um único professor ou aluno do sistema | Foto: Shutterstock

Seis integrantes dos Democratic Socialists of America (DSA) estão na transição de Mamdani; há até dois no comitê de tecnologia. (Aqui, Mamdani está sendo um tanto convencional: recompensando quem o ajudou a se eleger.) Apesar das críticas ao policiamento, Mamdani elogiou De Blasio repetidas vezes durante a campanha, e há muitos “veteranos” do De Blasio na lista — o novato precisa de algumas pessoas que saibam operar a máquina do governo. Já a dona de boutique Susan Herman, que está no Comitê de Segurança Comunitária, não deve ajudar muito nesse quesito: ela liderou o ThriveNYC, projeto fútil da esposa de De Blasio, Chirlane McCray, que desperdiçou US$ 1 bilhão.

Quão fácil será para os radicais governarem? Mamdani precisa de parlamentares de Albany para viabilizar parte de sua agenda. Mas os progressistas controlam o Legislativo, e a governadora Kathy Hochul já provou repetidas vezes ser uma covarde e sem qualquer princípio pessoal. No fim de 2022, os legisladores conseguiram que ela aprovasse aumentos de salário para si próprios, sem receber nenhuma contrapartida de sua lista de prioridades.

O City Council também é um viveiro de progressismo, mas o ex-líder da minoria, Joe Borelli, enxerga um fio de esperança. “O Conselho, basicamente, escolheu um membro mais moderado como provável porta-voz para assumir em janeiro. Esse é o primeiro sinal de que talvez exista algum freio — qualquer freio — à agenda [de Mamdani]”, diz ele. “Pense no que significa o fato de 37 dos 51 vereadores terem preferido [Julie Menin] a uma progressista.”

O City Council também é um viveiro de progressismo, mas o ex-líder da minoria, Joe Borelli, enxerga um fio de esperança | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ainda assim, outra ideóloga inexperiente na equipe — a copresidente Lina Khan, chefe da Federal Trade Commission no governo do presidente Joe Biden — está buscando caminhos para contornar esses obstáculos. Ela disse estar “especialmente focada em coisas como: ‘De que forma podemos garantir um mapeamento completo de todas as leis e autoridades que o prefeito pode acionar unilateralmente?’”

E, se isso ainda não for assustador o bastante, vale lembrar o que o futuro prefeito mais importante dos EUA disse em seu discurso de vitória: “Não existe problema grande demais para o governo resolver, nem preocupação pequena demais para ele se importar.” E os nova-iorquinos achavam que o paternalista Michael Bloomberg era ruim.


Kelly Torrance é editora do New York Post e também escreve artigos para a Reason.

Leia também “Vitória de Mamdani é uma perigosa tentação para os democratas”

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2 comentários
  1. Vanessa Días da Silva
    Vanessa Días da Silva

    Ele termina o discurso plagiando uma expressão de um desenho ( patrulha canina)… patético

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