publicidade
Foto: Divulgação/GPA
Edição 310

Pão de Açúcar, um ícone em crise

E mais: pequenos negócios em queda, Embraer na Índia e Nestlé sem sorvete

O mercado não está nada otimista com o Pão de Açúcar. Desde o começo do ano, as ações do grupo varejista perderam quase um quarto de seu valor. E em apenas um dia de negociação caíram cerca de 8%. Os temores sobre os resultados do quarto trimestre de 2025, que poderão ser mais fracos do que o esperado, e o excessivo endividamento estão levando muitos analistas a sentirem gosto de recuperação judicial. No balanço, o Pão de Açúcar tem R$ 4 bilhões em dívidas. Mas somente de dívidas tributárias acumulou um passivo de cerca de R$ 16 bilhões. Por causa dos juros elevados, a geração de caixa tem se mostrado insuficiente para pagar os gastos correntes.

***

Franceses querem sair, mas não conseguem

Nessa situação, o gigante francês Casino está tentando vender há meses sua posição de 22,5% no grupo brasileiro, mas não conseguiu encontrar interessados. Um dos sócios minoritários teria zerado sua posição nesta quinta-feira, 19, levando a ação a uma queda expressiva por causa da ausência de liquidez do papel. O Pão de Açúcar tenta superar a crise e contratou a Alvarez & Marsal para levar adiante uma reestruturação. Mas o mercado tem poucas dúvidas: uma injeção de capital novo será necessária para reequilibrar as contas. A questão é saber quem colocará recursos em um grupo que não consegue voltar a ser rentável.

O gigante francês Casino está tentando vender há meses sua posição de 22,5% no grupo Pão de Acúcar, mas não conseguiu encontrar interessados | Foto: Divulgação/Casino

***

Sem plano, sem nota

A agência de classificação de risco Fitch Ratings deixou claro que uma melhora na nota de crédito do Brasil depende de um plano fiscal crível no médio prazo, que não vê no horizonte. Atualmente, o país tem um rating “BB”, com perspectiva estável, dois níveis abaixo do grau de investimento. Em relatório, a agência escreveu que “a principal vulnerabilidade do Brasil é sua posição fiscal fraca”. Para a Fitch, um plano de consolidação fiscal deverá ser substancial e suficiente para fortalecer a confiança na estabilização da dívida a médio prazo. Esse esforço necessitará de uma consolidação fiscal mais rápida e mais ampla depois das eleições de 2026 e virá em qualquer governo, independentemente de ser de esquerda ou de direita.

***

Pequenos negócios em queda livre

As vendas dos micro e pequenos negócios no Brasil começaram 2026 de forma desastrosa. Segundo os dados da fintech SumUp, em janeiro foi registrada uma contração de 20,7% das vendas na comparação com o mês anterior entre as empresas que utilizam sua solução de pagamento. Em relação ao mesmo mês de 2025, a queda foi de 8,4%. O resultado de janeiro foi provocado principalmente pelos números registrados no Estado de São Paulo, enquanto as vendas intermediadas pela SumUp tiveram alta em Minas Gerais, Bahia e Ceará, entre os principais Estados analisados.

***

Energisa vai investir

A Energisa anunciou um investimento de R$ 7,09 bilhões em 2026 nos negócios de energia elétrica e gás. A maioria dos recursos, cerca de R$ 6,5 bilhões, será utilizada para investimentos no setor de distribuição. A Energisa possui nove distribuidoras no Brasil, e parte desses aportes está relacionada ao processo de renovação de concessões com vencimento entre 2025 e 2031. O setor de transmissão deve ficar com R$ 180 milhões, e o segmento de gás terá R$ 176,3 milhões, enquanto as obrigações especiais somarão R$ 807,8 milhões.

Energisa anunciou um investimento de R$ 7,09 bilhões em 2026 nos negócios de energia elétrica e gás | Foto: Shutterstock

***

Vale canadense

A Vale está aumentando sua atuação no setor de exploração de níquel no Canadá. A gigante da mineração brasileira assinou um acordo com as canadenses Exiro, Orion e CGF para criar um novo consórcio para o Cinturão do Níquel de Thompson, uma cidade do Canadá. A Vale aportará cerca de US$ 200 milhões e será minoritária no negócio, com 18,9% do capital. O objetivo é fortalecer a competitividade do portfólio global de mineração e posicionar as operações para criação de valor no longo prazo.

***

Embraer na Índia

A Embraer e o grupo indiano Mahindra Group construirão na Índia uma base de manutenção, reparo e revisão para o C-390 Millennium. O projeto depende da seleção do cargueiro brasileiro no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana (IAF). Em 2025, as duas empresas assinaram um acordo para produzir a aeronave na Índia. O objetivo principal da planta será apoiar a frota da Força Aérea Indiana, mas a Embraer também está avaliando o potencial para que o país atue como um hub regional de manutenção, reparo e operação (MRO), fornecendo serviços de sustentação para outros operadores do C-390 Millennium no futuro.

***

Dasvidaniya, Avon

A Natura vendeu as operações da sua controlada Avon na Rússia por 26,9 milhões de euros para o Grupo Arnest. A Natura está se desfazendo da Avon após ter adquirido a empresa em 2020, em um plano ambicioso de expansão global. No entanto, a pandemia de covid-19 reduziu drasticamente o consumo de cosméticos, e a operação ficou inviável também por causa do elevado endividamento.

***

Adeus, sorvete

A suíça Nestlé vai vender o que sobrou de suas atividades no setor de sorvetes para Froneri, fabricante do Häagen-Dazs. As vendas fazem parte do plano da Nestlé de enxugar seu portfólio em quatro divisões: café, alimentos para pets, nutrição e snacks. A empresa está sendo pressionada para rever marcas e categorias de crescimento mais lento. Uma situação comum a outras concorrentes, como Unilever e Reckitt.

Nestlé vai vender o que sobrou de suas atividades no setor de sorvetes para Froneri, fabricante do Häagen-Dazs | Foto: Shutterstock

Leia também “Ibovespa sobe pois o Brasil está barato”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Anterior:
O Fazendeiro de Deus
Próximo:
Imagem da Semana: o Irã antes de 1979
publicidade