Durante os últimos dias da Operação Tempestade no Deserto, na noite de 26 a 27 de fevereiro de 1991, dois trechos principais da rodovia que liga o Kuwait à cidade iraquiana de Basra foram cenários de um dos episódios mais dramáticos da história militar contemporânea. Não por acaso, ela é conhecida como a “Autoestrada da Morte” (Highway of Death). Hoje, é uma via comum no mapa do Golfo.
Em agosto de 1990, durante a Guerra do Golfo, o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Kuwait. Em resposta, uma coalizão internacional de 31 países, liderada pelos Estados Unidos, iniciou a operação militar para expulsar as forças iraquianas. A Operação Tempestade no Deserto deflagrou um intenso bombardeio aéreo, além de uma ofensiva terrestre relâmpago. Depois de 100 horas de combate ativo, a infraestrutura militar iraquiana foi destruída. Na noite do dia 26 de fevereiro, tropas iraquianas começaram a se retirar do Kuwait de forma desordenada — pela Rodovia 80, que liga a Cidade do Kuwait à cidade de Basra, no Iraque, e pela Rodovia 8, que vai de Wafra, no Kuwait, em direção a Basra —, utilizando veículos militares, tanques e até carros civis roubados.
Foi nesse momento que a Rodovia 80 e a Rodovia 8 entraram para a história.

A força aérea da coalizão bloqueou o início e o fim da rodovia com bombardeios, e milhares de veículos que estavam em retirada ficaram presos em um enorme congestionamento. Sem escapatória, o comboio foi bombardeado ininterruptamente por horas. Fotos e imagens de satélite registraram quilômetros de tanques, caminhões militares, carros civis e ônibus carbonizados. A estrada ficou repleta de destroços. Jornais na época descreveram a cena como apocalíptica — metal retorcido espalhado pelo deserto, fumaça escura no horizonte e corpos entre os escombros. As imagens figuram entre as mais marcantes do final da Guerra do Golfo.

O número exato de mortos nunca foi confirmado. Estimativas variam de algumas centenas a milhares. Parte da controvérsia histórica gira em torno de quem estava no comboio: apenas militares em fuga ou civis forçados a acompanhar as tropas? O episódio levantou debates internacionais sobre proporcionalidade e ética na guerra. Para críticos, o ataque ocorreu quando o exército iraquiano já estava derrotado e recuando, o que caracterizaria uso excessivo de força. Para defensores da ação, os iraquianos ainda estavam armados e não haviam formalmente se rendido.

Pouco depois, em 28 de fevereiro de 1991, foi declarado o cessar-fogo. As rodovias 80 e 8 voltaram a cumprir sua função original: conectar economias e fronteiras. No entanto, o nome “Autoestrada da Morte” permaneceu como símbolo das consequências devastadoras da guerra moderna.
Hoje, quem percorre o trecho entre Kuwait e Basra pode não encontrar sinais visíveis daquele fevereiro de 1991. Mas sob o asfalto renovado ainda permanece a memória de uma noite em que uma estrada comum se tornou palco de um dos episódios mais marcantes da Guerra do Golfo.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Os EUA sempre defendendo os povos das nações. Se os EUA fosse como esses países terroristas a humanidade já tinha sido dizimada pela metade
Quanta tristeza! Verdadeira tragedia. O ser humano é mesmo bestial! Independente das razões que levaram a essa ação, o resultado é de dar nó no estômago.
Ética na guerra soa irônico, parece deboche. Mas não é, como sabemos. O ato mais nefasto cometido pelo ser humano, desde os primórdios da nossa espécie até nós – os contemporâneos – é a guerra. A autoestrada da morte é só mais um “cartão postal” do que somos capazes; um lembrete de que evoluímos nada. Quanto mais fotos assim, melhor. Temos que nos lembrar. Temos que dar certo. Esta é uma bela natureza-morta para pendurarmos nas paredes da sala de visitas de nossas casas. Para contemplarmos a nossa natureza estúpida e bestial. Neste exato momento quantas éticas estão sendo burladas? Se procurar bem, até o fim do ano haverá muitas outras fotos semelhantes para você ilustrar a coluna. Desgraçadamente.