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Veículos destruídos alinham-se ao longo da Rodovia 80, também conhecida como a "Rodovia da Morte", a rota utilizada pelas forças iraquianas em fuga do Kuwait durante a Operação Tempestade no Deserto. O tanque visível no centro da imagem é um Type 59 ou um Type 69 | Foto: Wikimedia Commons
Edição 311

Imagem da Semana: a Autoestrada da Morte

Milhares de veículos que estavam em retirada ficaram presos sob bombardeio por horas

Durante os últimos dias da Operação Tempestade no Deserto, na noite de 26 a 27 de fevereiro de 1991, dois trechos principais da rodovia que liga o Kuwait à cidade iraquiana de Basra foram cenários de um dos episódios mais dramáticos da história militar contemporânea. Não por acaso, ela é conhecida como a “Autoestrada da Morte” (Highway of Death). Hoje, é uma via comum no mapa do Golfo.

Em agosto de 1990, durante a Guerra do Golfo, o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Kuwait. Em resposta, uma coalizão internacional de 31 países, liderada pelos Estados Unidos, iniciou a operação militar para expulsar as forças iraquianas. A Operação Tempestade no Deserto deflagrou um intenso bombardeio aéreo, além de uma ofensiva terrestre relâmpago. Depois de 100 horas de combate ativo, a infraestrutura militar iraquiana foi destruída. Na noite do dia 26 de fevereiro, tropas iraquianas começaram a se retirar do Kuwait de forma desordenada — pela Rodovia 80, que liga a Cidade do Kuwait à cidade de Basra, no Iraque, e pela Rodovia 8, que vai de Wafra, no Kuwait, em direção a Basra —, utilizando veículos militares, tanques e até carros civis roubados.

Foi nesse momento que a Rodovia 80 e a Rodovia 8 entraram para a história.

Dois tanques iraquianos abandonados próximos à Cidade do Kuwait, em 26 de fevereiro de 1991 | Foto: Wikimedia Commons

A força aérea da coalizão bloqueou o início e o fim da rodovia com bombardeios, e milhares de veículos que estavam em retirada ficaram presos em um enorme congestionamento. Sem escapatória, o comboio foi bombardeado ininterruptamente por horas. Fotos e imagens de satélite registraram quilômetros de tanques, caminhões militares, carros civis e ônibus carbonizados. A estrada ficou repleta de destroços. Jornais na época descreveram a cena como apocalíptica — metal retorcido espalhado pelo deserto, fumaça escura no horizonte e corpos entre os escombros. As imagens figuram entre as mais marcantes do final da Guerra do Golfo.

Vista da rodovia na saída da Cidade do Kuwait, em 28 de fevereiro de 1991 | Foto: Wikimedia Commons

O número exato de mortos nunca foi confirmado. Estimativas variam de algumas centenas a milhares. Parte da controvérsia histórica gira em torno de quem estava no comboio: apenas militares em fuga ou civis forçados a acompanhar as tropas? O episódio levantou debates internacionais sobre proporcionalidade e ética na guerra. Para críticos, o ataque ocorreu quando o exército iraquiano já estava derrotado e recuando, o que caracterizaria uso excessivo de força. Para defensores da ação, os iraquianos ainda estavam armados e não haviam formalmente se rendido.

Vista aérea dos destroços de tanques e caminhões blindados iraquianos na Rodovia 8, em 8 de março de 1991 | Foto: Wikimedia Commons

Pouco depois, em 28 de fevereiro de 1991, foi declarado o cessar-fogo. As rodovias 80 e 8 voltaram a cumprir sua função original: conectar economias e fronteiras. No entanto, o nome “Autoestrada da Morte” permaneceu como símbolo das consequências devastadoras da guerra moderna.

Hoje, quem percorre o trecho entre Kuwait e Basra pode não encontrar sinais visíveis daquele fevereiro de 1991. Mas sob o asfalto renovado ainda permanece a memória de uma noite em que uma estrada comum se tornou palco de um dos episódios mais marcantes da Guerra do Golfo.

Imagem aérea da Autoestrada da Morte, em 1991 | Foto: Wikimedia Commons

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

Leia também “Imagem da Semana: o Irã antes de 1979”

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3 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Os EUA sempre defendendo os povos das nações. Se os EUA fosse como esses países terroristas a humanidade já tinha sido dizimada pela metade

  2. Valesca Frois Nassif
    Valesca Frois Nassif

    Quanta tristeza! Verdadeira tragedia. O ser humano é mesmo bestial! Independente das razões que levaram a essa ação, o resultado é de dar nó no estômago.

  3. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Ética na guerra soa irônico, parece deboche. Mas não é, como sabemos. O ato mais nefasto cometido pelo ser humano, desde os primórdios da nossa espécie até nós – os contemporâneos – é a guerra. A autoestrada da morte é só mais um “cartão postal” do que somos capazes; um lembrete de que evoluímos nada. Quanto mais fotos assim, melhor. Temos que nos lembrar. Temos que dar certo. Esta é uma bela natureza-morta para pendurarmos nas paredes da sala de visitas de nossas casas. Para contemplarmos a nossa natureza estúpida e bestial. Neste exato momento quantas éticas estão sendo burladas? Se procurar bem, até o fim do ano haverá muitas outras fotos semelhantes para você ilustrar a coluna. Desgraçadamente.

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