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Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Edição 312

Tiete de aiatolá

O papel de uma ditadura do bem é combater a democracia do mal

— Viva a democracia!

— Viva!

— Fora Trump!

— Fora!

— Viva o aiatolá!

— Espera aí… “Viva o aiatolá”?

— Isso.

— Acho que agora você exagerou.

— Não existe exagero quando se trata de defender a democracia. Isso vale pro mundo inteiro: quanto mais democrático, melhor.

— Mas é que “aiatolá” e “democracia” não convivem bem numa mesma palavra de ordem.

— Os incomodados que se mudem.

— Se mudem pra onde? Pro Irã?

— Pra onde quiserem. De preferência pros EUA, pra sentirem na pele o que são as bordoadas do ICE. Fora Trump!

— Acho que as bordoadas do aiatolá eram mais brutas. E não precisava ser invasor pra ser alvo.

— Esse negócio de “invasor” é muito relativo. Ninguém é ilegal em terra roubada.

— Já ouvi isso em algum lugar. Acho que foi num tapete vermelho de Los Angeles. O tapete foi roubado também?

— Não entendo de tapeçaria. Entendo de democracia.

— É o que importa.

— Fora Trump!

— Fora!

— E digo mais: os estadunidenses estão brincando com fogo. Eles não conhecem o poderio atômico do Irã.

— O Irã tem bomba atômica?

— Me disseram que tem.

— Mas os EUA não tinham destruído as instalações nucleares iranianas?

Fake news.

— Como é difícil saber a verdade hoje em dia, né?

— Muito. As redes sociais espalham muita desinformação. Tem que regular.

— E essas imagens de multidões de iranianos comemorando a morte do aiatolá? Fake news também?

— Inteligência artificial.

— Caramba. Me enganou direitinho. Aquela matança de populares pelo regime iraniano também era inteligência artificial?

— Com certeza. O aiatolá não faria uma coisa dessas. Tanto que nem foi condenado por países democráticos como o Brasil.

— Então a ditadura do Irã era mesmo a resistência democrática contra o Trump?

— Sim. O papel de uma ditadura do bem é combater a democracia do mal. Por isso que muita gente boa passou a apoiar o terror do Hamas, financiado pelo Irã. O Ocidente estava precisando de uma sacudida.

— Bota sacudida nisso.

— Sacudir é bom. Tira o mofo e melhora a circulação sanguínea.

— De sangue eles entendem.

— Cada um com a sua especialidade. Humanismo é conjunto.

— Falar em humanismo, você viu aquela iraniana maquiada como uma ocidental? Ela tocou fogo numa foto do aiatolá e acendeu um cigarro nas labaredas.

— Vi sim. E concordo que foi uma agressão ao humanismo.

— Agressão? Você quis dizer libertação…

— Não. Agressão, mesmo. Um ataque à figura humana do aiatolá por uma mulher que não sabe o seu lugar.

— Fora Trump!

— Fora!

Foto: Shutterstock/AI

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4 comentários
  1. Edison Aparecido Mome
    Edison Aparecido Mome

    Se temos que enfrentar essa realidade morbida e estupida dos totalitários, pelo menos que seja com bom humor, coisa que a esquerda não tem, pois prendem humoristas e soltam marginais, Parabéns Fiuza.

  2. Marcos Marcioni
    Marcos Marcioni

    Esse tipo de diálogo , infelizmente , é comum entre estudantes universitários .

  3. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    A boa ironia é o castigo aos falsos salvadores da democracia. Fiuza o faz com maestria. Aliás, a democracia dos aiatolás de lá gira em torno da missão de Guardar o Islã. É o que dizem. Mas não são muito atenciosos ao Corão. Aqui temos a figura do aitolá Supremo, que também cobre os ombros com uma vestimenta preta. Aquele que manda e desmanda. Que governa o Brasil sem precisar de leis, pois sua vontade determina o que é justo e injusto. O cerco, no entanto, está muito próximo. Há sicários no pedaço. Há celulares de Vorcar e seus jagunços. Há indícios de um arquivo vivo queimado. Há 129 milhões em pauta não explicados. O aiatolá de lá já capitulou com uma bomba na cabeça. Mas o daqui, ainda esperneia. Tenta mostrar um poder que não tem mais. Está desacreditado, sem moral como todo o sistema, que tenta se proteger com narrativas frágeis. Pelo que se percebe, há no radar previsão de mau tempo para o regime. De tempestade com a possibilidade de tufão e ciclone juntos. E, para completar a desgraça, o solo treme, prenúncio de terremoto. Os sólidos palácios da cidade das fantasias dos corruptos e da arrogância dos totalitários correm o risco de ruir. O crime no Brasil até aqui compensou na Babilônia da Brazulândia. Temos a chance de uma exceção. A chance da justiça retornar e acabar com a suruba . Algo muito raro por aqui, mas desta vez a cada pode cair. Uma queda que será bem recebida.

    1. Emilio Sani
      Emilio Sani

      Quando Trump suspendeu a Magnitsky no Moraes quase ninguém entendeu nada…e eu também, mas uma pulga atrás da orelha me dizia que ele achou mais fácil apenas dar mais corda para essa gente se enforcar sozinhos (com perdão a provável queima de arquivo do sicário, primeira vítima fatal da Turma)…se não estivéssemos vivendo no brazuela de lula onde quem ‘tomou o poder’ parece não ter limites esta semana seria a em que todos iriam para prisão…mas um bom sinal é que ‘a rede pravda oficial, Globolixo’ parece que resolveu ‘soltar a mão’…já se prepara para não estar do lado errado

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