O escritor Luis Fernando Veríssimo costumava dizer que, no Brasil, o fundo do poço é apenas uma etapa. Mais do que real, a frase agora soa até otimista. Depois de enterrada a operação Lava Jato, o país que parecia ter dado alguns passos para frente foi arremessado de volta a uma trajetória marcada pela corrupção endêmica, pela injustiça e pela falta de investimentos básicos em infraestrutura. Fora o resto.
É esse o Brasil que mantém em prisão domiciliar, atada a uma tornozeleira eletrônica, uma mulher condenada a 14 anos de cadeia por escrever, com batom, na estátua em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal: “perdeu, mané”. Meses antes, o então ministro do STF Luís Roberto Barroso havia dito a frase a um brasileiro que o interpelou nas ruas de Nova York sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Editor de Brasília, Cristyan Costa recebeu autorização do Supremo para conversar com Débora Rodrigues em Paulínia, no interior de São Paulo, onde ela cumpre prisão domiciliar. Na entrevista exclusiva, a cabeleireira de 40 anos falou pela primeira vez sobre a vida na cadeia, a separação dos filhos e o esforço para se adaptar à nova realidade. Desde janeiro de 2023, Cristyan acompanha de perto o calvário dos presos pelos atos de vandalismo em Brasília. Se depender da Oeste, essas histórias jamais cairão no esquecimento.
Maior algoz de Débora e da multidão de brasileiros inocentes condenados em rebanho por um golpe de Estado imaginário, Alexandre de Moraes acaba de ser transferido do Olimpo para o purgatório na velocidade da luz. Como mostra Augusto Nunes em sua coluna, a divulgação da declaração de rendimentos do Master comprovou pagamentos de R$ 80 milhões à mulher do ministro. “Repetindo o que tem feito desde o início do desfile de maracutaias, o ministro acusou o documento”, ironiza Nunes.
Para Alexandre Garcia, “o país acorda de uma anestesia que durou os mesmos sete anos do Inquérito do Fim do Mundo” e descobre quantos crimes cometeram em nome da democracia que dizem defender. “Parece que o destino mandou Vorcaro como anjo exterminador, para fazê-los revelar o próprio caráter, a formação, a falta da moralidade exigida no art. 37 da Constituição”. Já são quatro ministros do STF na lista de passageiros da “Master Air”.
O mesmo país que prende inocentes e mantém culpados em liberdade registrou há poucos dias uma cena explícita de antissemitismo. No Rio de Janeiro, um bar da Lapa colocou na porta um aviso infame: “US e Israel citizens are not welcome” (Cidadãos dos Estados Unidos e de Israel não são bem-vindos). A cena assusta não apenas pelo absurdo em si, mas também pela total ignorância histórica. Episódios semelhantes antecederam a perseguição aos judeus na Alemanha nazista e o Holocausto — o maior crime contra a humanidade já registrado. Eliziário Goulart Rocha aponta em sua reportagem outro dado aterrador: depois que as imagens do local foram divulgadas, o número de seguidores da página do estabelecimento nas redes sociais não para de se multiplicar.
Esse também é o Brasil que faz o possível para boicotar o setor que sustenta a economia. Apesar de ser o maior produtor mundial de diversos alimentos, a burocracia e o descaso do Estado dificultam o processo. Para contar a saga da soja da lavoura ao porto, Artur Piva acompanhou o caminho do grão desde a colheita — uma odisseia que, se tudo der certo, leva cerca de dez dias.
Esse não é só mais um exemplo da competência do agronegócio brasileiro. É a prova de que o país consegue sobreviver, apesar dos governos que insistem em atrapalhá-lo.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação

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Grande Branca Nunes,excelente editorial,Guzzo iria dar muitos emogis a você. Agora é preciso pedir permissão ao ministro do STF para fazer uma entrevista?Inacreditável, é como uma criança pedir a autorização do pai para brincar. A entrevista mostrou a verdadeira realidade e o sofrimento atroz de uma cidadã brasileira, presa por escrever uma frase na estátua da justiça, apagada com água e sabão. Lembro que quando o Cristyan Costa foi fazer uma entrevista com um dos ministros do STF perguntou ao Guzzo se ele tinha alguma sugestão, ele falou pergunte se acha que o batom contêm alguma substância atômica .Bjos.
Um dia o Brasil terá o nosso Donald Trump. Quiçá eu esteja vivo para abrir um VINHO!
Toda edição acho que é a melhor desde o 1º número de Oeste. Mas esta, tenho certeza, supera realmente todas as outras.
Bota essa corja de ladrão toda na cadeia, bandoleiros ladrões