Era uma vez um soberano muito ético e justo. Ele se preocupava com a retidão nas práticas do reino. Por isso, certo dia, reuniu seus ministros que estavam deixando os cargos para concorrer ao parlamento. O soberano foi taxativo.
Logo nas primeiras palavras, os ministros perceberam, pelo tom do pronunciamento, que o assunto era ética. A ética era uma obsessão do grande líder. Nessas horas, seus olhos penetravam os olhos dos interlocutores, quase que capturando suas mentes: quem estiver com alguma intenção torta, é melhor desistir agora.
Mas dessa vez a mensagem era mais contundente. Pairando sobre os mortais reunidos na grande mesa oval, o soberano lançou sua flechada moral: não admitiria nenhum tipo de promiscuidade dos seus ministros no universo parlamentar.
A palavra era forte e nunca fora usada anteriormente por Sua Majestade: promiscuidade. Alguns dos presentes até se remexeram nas cadeiras, em visível desconforto diante daquela cogitação hedionda. Mas ninguém ousou questionar. Fora alguns murmúrios abafados, impôs-se no salão a voz espartana do soberano.

Ele não queria indiretas, nem subterfúgios. Foi no nervo dos subordinados. Disse que era preciso acabar de uma vez por todas com as relações promíscuas no reino, especialmente envolvendo barganhas no poder. E foi logo dando exemplo, para ninguém se fazer de desentendido: nada de encontros fora da agenda com barões gulosos.
Enquanto os auxiliares baixavam a cabeça, o líder prosseguia: empreiteiras amigas jamais poderiam ser beneficiadas em negócios escusos, muito menos mediante pagamento de propina. Quem quisesse ter casa de praia, sítio ou outros bens, que os conquistasse com seu próprio suor. E mais importante: nada de usar o poder público para conseguir vantagens para filhos. A família é uma coisa, o Estado é outra — bradou o soberano.
Teve também recomendação para a lisura partidária: que jamais houvesse promiscuidade entre tesoureiros e a coisa pública. A política não é um meio de vida — sentenciou o líder. Da mesma forma, sindicatos jamais poderiam ser usados para locupletar seu grupo político. Segundo ele, não havia nada pior que lesar o próximo fingindo defender os oprimidos.

A imprensa do reino cobriu com grande entusiasmo aquela exortação moralizante. Ela reconhecia no soberano autoridade para repudiar a promiscuidade no poder. Ou pelo menos fingia que reconhecia — o que dá no mesmo, porque, como todo mundo sabe, o importante são as aparências.
E quando o grande líder falou sobre a necessidade do surgimento de novos políticos, que fossem honestos em suas pretensões públicas, não houve surpresa alguma. A naturalidade geral foi tal, que era como se o mandatário fosse o fundador da honestidade.
De repente, alguém gritou: o rei está nu! E o rei respondeu: chamem um oculista!
E assim a promiscuidade e a miopia foram definitivamente erradicadas do reino.

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Que bom que é somente uma fábula 🙄
Que bom que é somente uma fábula. 🙄
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Fiuza pintou o Lula de verde amarelo azul e branco, ôpa! Não pode falar nessa última palavra se não Lindinho corre pra cima
Kkkkkkkkkk
Genial! Qualquer semelhança com a “ilha da fantasia”, aquela contígua ao reino descrito acima, ultrapassa as barreiras do infinito. Congratulações!