A pequena e tranquila cidade basca de Guernica seguia sua rotina na tarde de 26 de abril de 1937 e nada indicava que, em poucas horas, o lugar se tornaria cenário de uma brutalidade histórica. Por volta das 16h30, o sino da igreja de Santa Maria soou o alarme de ataque aéreo. Logo em seguida, aviões da Legião Condor — força aérea enviada pela Alemanha nazista de Adolf Hitler para apoiar as tropas nacionalistas de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola — romperam o silêncio da pacata cidade. Sob o comando do coronel Wolfram von Richthofen (primo do Barão Vermelho, Manfred von Richthofen), iniciou-se um ataque que duraria cerca de três horas.



As primeiras bombas caíram no centro da cidade. Em seguida, vieram outras, em ondas sucessivas. Foram utilizadas bombas de magnésio e alumínio que, ao atingirem os telhados de madeira das casas, criaram incêndios incontroláveis. Edifícios desabaram, ruas foram tomadas por destroços e, rapidamente, o fogo se espalhou. Quando os moradores tentavam fugir, aviões em voo baixo metralharam áreas abertas e estradas.
Guernica não era um grande alvo estratégico relevante. Sua importância era sobretudo simbólica: um centro cultural e espiritual do povo basco. O ataque, portanto, teve também um caráter psicológico — uma demonstração brutal do poder destrutivo da aviação moderna contra populações civis.
Ao final do bombardeio, grande parte da cidade estava em ruínas. Estimativas sobre o número de mortos variam, mas centenas de pessoas perderam a vida, e muitas outras ficaram feridas ou desabrigadas. A notícia se espalhou pelo mundo, gerando indignação internacional.

Entre aqueles profundamente marcados pelo evento estava Pablo Picasso. Pouco depois, ele transformaria o horror do ataque em uma das obras mais emblemáticas da arte moderna: Guernica. Na tela, figuras fragmentadas, dor e caos eternizam o sofrimento de uma cidade reduzida a escombros.
O bombardeio de Guernica tornou-se um dos primeiros exemplos de ataque aéreo sistemático contra civis — um prenúncio sombrio do que se veria em escala ainda maior durante a Segunda Guerra Mundial.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Em uma viagem à Espanha, fiz questão de conhecer Guernica, para onde se vai a partir de Bilbao. É próximo. O horror foi devidamente sinalizado aos visitantes naquela localidade bela e pacata, uma espécie de coração espiritual do País Basco. É uma visita fantástica.
A icônica obra do incrível Pablo Picasso mostra a selvageria de regimes que, hoje em dia, estão retornando com força total: nazismo e fascismo.
Horror em larga escala contra civis, provocado pela união dos malfadados Adolf Hitker e Mussolini, numa diabólica junção.
Estão voltando agora como o ódio aos judeus e o estado plenipotenciário, respectivamente.
Adeptos do atual surgimento dessa nefasta força comum têm a desfaçatez de acusar o adversário do que eles praticam. Como nos livraremos disso?
Parabéns pela reportagem.