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O presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Edição 319

Lula cava falta com Trump

O esforço para resgatar da cartola seu discurso surrado de “soberania nacional”

Talvez pela preocupação com seu desempenho nas pesquisas eleitorais, o presidente Lula decidiu intensificar as críticas ao presidente Trump, já que sua última melhora de avaliação foi justamente quando usou a cartada da soberania nacional contra o “imperialismo estadunidense”. Durante sua recente viagem pela Europa, Lula aproveitou para dar várias alfinetadas no presidente americano. 

“Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito a isso, a Constituição americana não garante isso e muito menos a carta da ONU”, disse Lula numa entrevista ao El País da Espanha. Lula criticou o estilo de Trump como “um jogo muito perigoso e mal orientado”, baseado na ideia de que o poder militar, econômico e tecnológico dos EUA dita as regras. Lula disse preferir ser um líder respeitado, não temido, e que ninguém tem o direito de incutir medo.

Curioso isso vindo de um líder que não é respeitado por ninguém do mundo livre, e que defende justamente as tiranias que incutem medo na população o tempo todo para sobreviver, como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Irã, Rússia e China. Mas, diante do avanço desse eixo do mal, tudo que Lula tem a dizer é que a reação americana é absurda, que Trump fomenta as guerras. Em Lisboa, ele disse:

“O que a gente vê todo santo dia são declarações, que eu não sei se são brincadeira ou não, do presidente Trump dizendo que já acabou com oito guerras e que ainda não ganhou o prêmio Nobel da Paz. […] É importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel ao Trump, para não ter mais guerra.”

Ele fez isso em tom irônico, ao lado do primeiro-ministro português Luís Montenegro, enquanto defendia o multilateralismo e criticava o alto número de conflitos globais. É como se a Rússia não tivesse invadido a Ucrânia e o Ocidente tivesse apenas defendido o país. Ou como se o Irã não fosse dominado por um regime que espalha o terror pelo Oriente Médio e os Estados Unidos não estivessem justamente tentando impedir os xiitas fanáticos de ter uma arma nuclear. 

Em outras ocasiões recentes, Lula já tinha atacado Trump diversas vezes, como quando defendeu a necessidade de fortalecer a defesa brasileira: “Temos um cidadão (Trump) no mundo que acha que é imperador […] O Brasil não pode ficar vulnerável”. 

Lula também acusou a ONU de ceder ao “fatalismo dos senhores das guerras” (referindo-se a Trump e outros líderes) e criticou o Conselho de Segurança por agir como “senhores da guerra” em vez de promover paz. Questionou por que Trump fala o dia todo sobre ter o maior exército em vez de produção e distribuição de alimentos. Ora, se os Estados Unidos não tivessem o poder bélico que possuem, a Rússia e a China já teriam atacado a nação faz tempo, provavelmente sob os aplausos do hipócrita presidente brasileiro.

Está evidente que Lula vem tentando cavar uma falta com Trump, provocando o presidente americano para que ele tome alguma medida contra o Brasil e Lula possa resgatar da cartola seu discurso surrado de “soberania nacional”, justamente de quem vem rifando os ativos do país para a China. No caso do combate ao PCC e ao CV, Lula adota a mesma narrativa para não reconhecer que se trata de grupos terroristas, o que daria mais margem de manobra para os americanos atuarem em solo brasileiro. 

Trump e Lula se reúnem à margem da 47ª cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lumpur, Malásia - 26/10/2025 | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters
A tentativa deliberada de Lula de provocar Donald Trump escancara a manobra de usar uma eventual reação americana para ressuscitar o velho discurso de soberania nacional | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Os Estados Unidos sempre ajudaram a Colômbia no confronto com o crime organizado e o país nunca perdeu sua soberania por isso. Vários países europeus possuem bases militares americanas e nem por isso são “colonizados”. Fica claro que é apenas um discurso cafajeste para enganar trouxas.

E é preciso ser muito trouxa mesmo para cair na ladainha lulista. O caso recente da expulsão do delegado da Polícia Federal (PF), Marcelo Ivo, dos Estados Unidos mostra bem isso. Marcelo Ivo era o agente de ligação entre a PF e a imigração americana e foi quem dedurou o “visto vencido” de Alexandre Ramagem para o ICE, o departamento de imigração americano. Ocorre que Ramagem tinha um pedido pendente de asilo e está no país legalmente. Em vez de deportar o ex-chefe da Abin do governo Bolsonaro, quem acabou expulso foi Marcelo Ivo.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apontado por Lula, tinha afirmado que foi uma cooperação entre a PF e o ICE que levou à “prisão” de Ramagem. Lula chegou a se manifestar que o ex-deputado exilado deveria retornar ao Brasil para cumprir sua pena. Ou seja, o governo petista queria contornar os trâmites legais de um pedido de extradição com uma deportação forjada, mas o governo americano percebeu o truque e denunciou abertamente a trama.

Ramagem
A proteção do processo de asilo de Alexandre Ramagem pelas autoridades americanas desmascara o plano de perseguição internacional e resulta na expulsão do agente brasileiro | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado/Flickr

Em vez de admitir o esquema, Lula dobrou a aposta e ameaçou “retaliar” os Estados Unidos no caso de “abuso” contra seu delegado. Andrei Rodrigues, subserviente ao chefe, disse à GloboNews que retirou credenciais de um delegado americano do sistema da PF. Ou seja, Andrei mentiu para o povo brasileiro e, não satisfeito, insistiu na narrativa furada do presidente Lula. Quem atentou contra a soberania de outro país foi justamente a PF brasileira, principalmente no caso Filipe Martins, cuja entrada no país foi falsificada no sistema imigratório americano, talvez pelo mesmo Marcelo Ivo.

Donald Trump anunciou que vai enviar uma delegação com 86 oficiais do seu governo para monitorar as eleições colombianas. Talvez esse seja o maior medo de Lula: que o presidente americano faça o mesmo nas eleições brasileiras, quem sabe por meio da Organização dos Estados Americanos (OEA). Toda essa verborragia de Lula contra Trump visa a provocar uma reação e fortalecer seu discurso de defesa da soberania nacional, mas talvez o efeito prático seja apenas tornar o mundo mais atento ao pleito de outubro. Tomara que sim…

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5 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Esse bandido ladrão traficante terrorista mentiroso analfabeto era pra tá preso e o partido dele cassado. Numa época da quinta revolução industrial e tecnológica, faz vergonha viver num país tão atrasado e analfabeto sob o comando de um sujeito podre em todos os aspectos

  2. COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA
    COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA

    EXCELENTE ANALISE !!!
    COMO PODE UM CORRUPTO EX-PRESIDIARIO DE SUA CORRUPÇÃO DIZER ALGO ????

  3. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Consta, mesmo fora do assunto do teu artigo, sinto que você não gostaria que o tal MESSIAS fosse aprovado na “SABATINA” do Senado Federal, portanto pergunto se você poderia nos informar se 41 senadores não comparecerem nessa sessão para realmente demonstrarem o NÃO a essa indicação, o indicado MESSIAS seria automaticamente reprovado pois somente obteria 40 votos, ou essa sessão seria remarcada?
    Creio que só assim os eleitores poderão ter certeza do VOTO SECRETO desses senadores e passarão a apoiá-los.

  4. JOSE ROBERTO CARRARA
    JOSE ROBERTO CARRARA

    “prefere ser um lider respeitado do que um lider temido” na verdade não é nem respeitado e nem lider

  5. Marcio Cruz
    Marcio Cruz

    O Lula nunca criticou a Russia por invadir a Crimeia e a Ucrania. Hipocrita

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