publicidade
Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 322

A disputa pela Raízen

Enquanto Morgan Stanley acredita no Brasil e B3 está positiva, Toky pede recuperação judicial, Americanas estão mais magras e Braskem espera por anos de vacas magras

Em meio a uma tentativa de reduzir o endividamento da gigante dos biocombustíveis, uma disputa entre credores e executivos acende o alerta vermelho entre os investidores. A Shell e a Cosan, acionistas da empresa, resistem a ampliar seus aportes na Raízen sem a retirada de Rubens Ometto da presidência do Conselho de Administração em contrapartida. A Raízen tem uma dívida de R$ 65 bilhões e, em março deste ano, pediu recuperação judicial. O aporte por parte das duas acionistas seria de R$ 4 bilhões. Ometto colocaria apenas R$ 500 milhões. O objetivo da Shell e da Cosan é transformar as dívidas em ações da empresa, obtendo cerca de 80% do controle da Raízen.

***

Morgan Stanley acredita no Brasil

O banco americano Morgan Stanley segue otimista com o Brasil. Em relatório, os analistas reiteraram a classificação positiva em relação ao mercado financeiro brasileiro, projetando o Ibovespa a 240 mil pontos no cenário-base para meados de 2027, o que corresponderia a um retorno de cerca de 31% em reais e 22% em dólares. Para o banco, o Brasil se destaca pelo seu potencial de fluxo de capital local, que poderia adicionar demanda significativa por ações do país. O setor de petróleo e energia continua sendo um ponto forte, especialmente em meio aos conflitos no Oriente Médio.

O banco americano Morgan Stanley segue otimista com o Brasil | Foto: Shutterstock

***

B3 também está positiva

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) aguarda um novo ciclo de retomada das ações, após anos de atividade praticamente congelada, marcado pela volta das ofertas iniciais de ações (IPOs) nos próximos meses. A expectativa de queda da taxa de juros no país, combinada com o retorno gradual do investidor estrangeiro e o crescimento contínuo da participação do varejo na bolsa, pode destravar novas operações ao longo dos próximos trimestres. Para a B3, mais de 50 empresas já estariam em estágio avançado de preparação para acessar o mercado.

***

Mais um gigante em recuperação judicial

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para reorganizar dívidas estimadas em cerca de R$ 1,1 bilhão. A medida foi justificada pela companhia com uma deterioração do cenário econômico no setor de móveis e decoração, marcado por juros elevados, restrição de crédito e maior endividamento das famílias, fatores que reduziram as vendas e pressionaram o caixa. As negociações com credores para reestruturar a dívida da Tok&Stok não tiveram êxito, e a empresa acabou optando pela recuperação judicial.

***

Americanas mais magras

A Americanas vendeu dez lojas da rede de hortifruti Natural da Terra para a Oba Hortifrutti, por R$ 69,3 milhões. As lojas, localizadas no Estado de São Paulo, eram deficitárias. A venda faz parte da estratégia de reorganização de ativos da Americanas durante o processo de recuperação judicial. O objetivo é eliminar a queima de caixa da operação no Estado e envolve 10 das 13 lojas da rede em São Paulo.

Americanas vendeu dez lojas da rede de hortifruti Natural da Terra para a Oba Hortifrutti | Foto: Divulgação

***

Braskem prevê menos demanda

A Braskem está se preparando para anos de vacas magras. A alta de preços provocada pela guerra no Irã deverá atingir o setor petroquímico ao longo do ano, causando uma queda na demanda global. É possível que essa contração siga a redução estimada da demanda por petróleo, que gira entre 2% e 4%, por causa da alta nas cotações. O elevado custo das matérias-primas, seja nafta ou etano, deverá permanecer durante alguns anos até que as unidades produtoras impactadas pela guerra se recuperem e voltem a produzir normalmente.

***

Fertilizantes na Bahia

A Petrobras retomará a produção de fertilizantes nitrogenados na fábrica na Bahia (Fafen), após um investimento de R$ 100 milhões. A planta terá uma capacidade de produzir 1,3 mil toneladas por dia de ureia e insumos, o que corresponde a 5% da demanda nacional. As operações da Fafen tinham sido bloqueadas em 2019, durante o processo de desinvestimentos da Petrobras no setor de fertilizantes. Em 2020, foram arrendadas para a Unigel. A empresa interrompeu as atividades em 2023 sob alegação de inviabilidade econômica relacionada ao custo do gás natural.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio sobre a retomada da produção de fertilizantes na Fafen-BA | Foto: SEAUD/PR

Leia também “O Brasil inadimplente”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Anterior:
“Excesso de protecionismo desequilibra as relações de trabalho”, diz Ives Gandra Martins Filho
Próximo:
Cazarré no campo de reeducação da GloboNews
publicidade