No dia 23 de maio de 1934, Bonnie Parker e Clyde Barrow — lendas do crime durante a Grande Depressão nos Estados Unidos — foram mortos a tiros numa emboscada perto de Gibsland, na paróquia de Bienville, Louisiana, encerrando de forma brutal uma das maiores e mais intensas caçadas humanas já vistas no país até então.
Bonnie e Clyde se conheceram em 1930, no Texas, e se apaixonaram rapidamente. Ele — um texano nascido em 1909, com histórico de furtos desde a adolescência. Ela — nascida em 1910, poetisa, casada anteriormente com Roy Thornton. Juntos, entre 1932 e 1934, lideraram a chamada gangue Barrow-Parker: assaltaram bancos, postos de gasolina, pequenas lojas e carros; sequestraram e trocaram tiros com policiais em uma onda de crimes que cruzou vários Estados do Sul e do Centro-Oeste dos EUA.


O modus operandi era rápido: fuga em carros roubados (o Ford V8 tornou‑se famoso), esconderijos em casas rurais usados temporariamente, e uma rede de cúmplices e familiares que, por vezes, ajudavam ou eram vítimas das circunstâncias.
A imprensa sensacionalista da época alimentou a mitologia. Fotos posadas de Bonnie com armas e versos seus circularam, transformando o casal ora em criminosos implacáveis, ora em anti‑heróis românticos para um público fragilizado pela crise econômica. Mas, por trás do folclore, havia vítimas reais — policiais e civis foram mortos em confrontos — e um esforço policial crescente para encerrar a onda de crimes.

O fim veio quando uma força liderada pelo ex‑Texas Ranger Frank Hamer, com policiais e posseiros do Texas e da Louisiana, emboscou o Ford V8 em que Bonnie e Clyde viajavam, perto de Gibsland. O carro foi cercado e recebeu uma rajada de tiros — estimativas falam em mais de cem disparos — e ambos foram abatidos no local, com os corpos atingidos por dezenas de balas. O episódio satisfez o desejo de punição para muitos e, paradoxalmente, alimentou ainda mais a lenda.
Depois da emboscada perto de Gibsland, Louisiana, o Ford V‑8 crivado de balas e os corpos de Bonnie e Clyde foram levados a Arcadia e exibidos publicamente. A exposição atraiu milhares de curiosos. Espectadores arrancaram pedaços do estofado, fragmentos de vidro e retalhos das roupas como souvenirs. As autoridades destacaram um contingente de policiais e agentes para controlar a multidão e proteger o local.
A caçada à famosa dupla inspirou livros, canções e o filme de 1967 que consolidou a imagem romântico‑trágica do casal fora da lei. O balanço real é mais duro: além de inúmeros roubos e furtos, estima-se que Bonnie e Clyde cometeram pelo menos 13 assassinatos.


Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante da semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Coluna indispensável! A cada semana, uma aula diferente. Excelente!
Triste, mas necessário fim para um casal que, não fosse essa emboscada e morte, continuariam com sua vida de crimes aterrorizando a população.
Outro par que teve um fim triste, mas também necessário foi do casal Ceaucescu, da Romênia, também fuzilados, em 25 de dezembro de1989, depois de um período de grandes dificuldades e tragédias impostas por eles ao povo.
Num outro grande país do Sul global, estão fuzilando o par Justiça e Liberdade (estes, inocentes) com metafóricos tiros de quem deveria protegê-los. Esperamos que esses assassinos sejam punidos em breve e paguem com a merecida punição de prisão.