— “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas…”
— Ouviram de quem?
— Do Ipiranga.
— Qual Ipiranga? O posto?
— Não, o rio. E não é “de quem”. É “de onde”.
— Como assim?
— Ouviram um brado que veio do Ipiranga. Entendeu agora?
— Acho que sim.
— Ótimo. Então vamos continuar a cantar, que o povo tá esperando.
— Não me apressa. Não gosto de fazer nada correndo.
— Não é questão de correr. A música tem o seu próprio andamento.
— Não é música. É hino.
— Isso, o hino. Vamos continuar?
— Esse hino é com letra maiúscula ou minúscula?
— Tanto faz! A gente não tá escrevendo, tá cantando. E nem tem a palavra “hino” na música.
— No hino.
— Isso. Nem tem a palavra “hino” no hino. Agora vamos cantar, que a arquibancada quer ver o jogo.

— Fala pra eles que a gente tem o nosso próprio tempo.
— Acho que não vão entender.
— Tá chamando o povo de burro?
— Não! Estou dizendo que eles querem ouvir o hino e ver o jogo. O nosso tempo não pode ser diferente do tempo de todo mundo.
— Que horas são no seu relógio?
— Sei lá! Não tô de relógio. Que maluquice é essa?
— Não é maluquice. Só queria acertar o meu relógio com o seu.
— Agora?!
— Pra ter certeza de que pelo menos nós dois vamos estar no mesmo tempo.
— Vamos cantando e a gente se acerta.
— Tá.
— “De um povo heroico o brado retumbante…”
— “Pátria amada, Brasil.”

— Não! Não é essa parte agora!
— Quem é você pra dizer o que eu tenho que cantar?
— Não sou eu! É a música!
— O hino.
— Isso! O hino.
— Mas eu interpreto o hino como eu quiser. Me chamaram porque eu faço a diferença.
— Engano seu. Se você fizer essa diferença toda, a gente não vai conseguir cantar junto.
— Cada um canta como quiser. Basta de autoritarismo.
— Se não cantarmos juntos, o público não vai entender a letra.
— Todo mundo já conhece essa letra.
— Nem todo mundo. Tenho ouvido umas versões bem estranhas.
— Depois a gente discute isso. Vamos cantar.
— Tá bom: “Deitado eternamente em berço esplêndido…”
— “Tirando uma soneca após o almoço…”

— Que isso! Que história é essa de soneca! Não tem isso no hino!
— Calma. Pra que tanta intolerância? Você falou de berço esplêndido, me deu vontade de tirar uma soneca. Só isso.
— Depois você tira. Agora a gente tem que terminar de cantar o Hino Nacional. Daqui a pouco esse povo começa a vaiar.
— Acho que a vaia é uma expressão legítima da democracia.
— Também acho. Mas vamos tentar passar sem essa expressão legítima? Canta aí que eu te acompanho.
— OK: “Brasil de um sonho intenso seja símbolo…”
— Acho que não é isso, não.
— Como é, então?
— Acho que tem alguma coisa de “amor eterno” nessa parte.
— Nenhum amor é eterno.
— Depois a gente discute isso. Vamos ver a letra certa do hino. Dá um Google aí.
— Meu telefone tá sem sinal.
— É, Maracanã o sinal é difícil.

— O que a gente faz?
— Vamos continuar cantando: “O lábaro que ostentas estrelado…”
— O que que é “lábaro”?
— Continua cantando. Depois a gente vê no dicionário.
— Tá: “E diga o verde-louro dessa pírula…”
— Flâmula.
— OK: “E diga o verde-louro dessa flâmula…”
— “Dos filhos deste sol és mãe gentil…”
— Acho que é filhos deste “solo”.
— Sol, solo… dá no mesmo.
— Não dá, não. Um é em cima, outro é embaixo.
— Depois a gente corrige. Vamos terminar: “Pátria amada, Brasil”.
— Já cantei essa parte. Será que o público vai se incomodar com a repetição?
— Acho que não. Eles estão gostando.
— Maravilha. O Brasil do amor é generoso.
— Bota generoso nisso.
— Vai, Brasa!
Leia também “A ‘pírula’ do dia seguinte”
Ôôôô seu Fiuza, mas rapaz você gozando com dois cantores renomados só porque eles erraram o HINO NACIONAL, kkkkkkkkkk e eles são analfabetizados. Ora pois.
A tragédia do hino no Maracanã é a expressão mais fiel e honesta do baixo nível intelectual e cívico do que o governo esquerdista produz. Ignorantes e arrogantes, os “artistas” do socialismo moreno não se importam em “pagar um mico”, desde que sejam remunerados para isso.
Parabéns, Fiuza, pelo texto genial, que nos faz rir dessa tragédia.
Tô em dessitonia com Fiuza acho que parei no tempo
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
Tragédia travestida de piada, sensacional!
Sua sátiras são imortais.
Muito bom hahahaha
Muito bom 😃
😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂