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José Dirceu, ex-ministro e figura central no escândalo do Mensalão, lançou sua pré-candidatura a deputado federal por São Paulo, após ter suas condenações anuladas. Outros ex-petistas, como João Paulo Cunha e Delúbio Soares, também buscam retornar ao Congresso, com apoio de Lula. A mudança na Lei da Ficha Limpa, que pode facilitar a elegibilidade de políticos condenados, está sendo discutida no STF.
“Depois de quebrar o Brasil, Lula quer voltar à cena do crime”, disse Geraldo Alckmin em dezembro de 2017, ao assumir a presidência do PSDB. O ex-tucano não imaginava que, cinco anos depois, Lula voltaria à cena do crime tendo Alckmin ao lado como vice-presidente da República. Neste ano, outros antigos comparsas condenados pretendem trilhar o mesmo caminho. À frente da turma, José Dirceu.
Petista histórico, Dirceu não é um nome qualquer. No primeiro governo Lula, foi ministro da Casa Civil e era tratado como o homem mais poderoso do Planalto. Considerado o herdeiro político do presidente, sua trajetória ruiu em 2005, quando estourou o escândalo do Mensalão, o esquema de compra de apoio no Congresso mediante pagamentos mensais aos parlamentares. Foi o primeiro escândalo de grande magnitude na história recente do país, só perdendo em escala, anos depois, para o Petrolão. O PT estava envolvido nos dois.
Em 2012, Dirceu sentou no banco dos réus do maior processo criminal já levado ao plenário do Supremo, transmitido ao vivo e acompanhado pelo país inteiro. Apontado como chefe do esquema, Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha. Era a primeira vez que o tribunal mandava para a cadeia um ministro daquela envergadura. Anos mais tarde, Dirceu foi condenado outras duas vezes na Operação Lava Jato, em 2016 e 2017, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, em penas que somadas ultrapassavam 30 anos.

Hoje, aos 80 anos e com as condenações anuladas pela Justiça, Dirceu lançou a pré-candidatura a deputado federal por São Paulo no último sábado, 20, em uma plenária virtual com 700 participantes. Durante o evento, afirmou que a escolha de concorrer a uma vaga na Câmara responde a um apelo de Lula para reforçar o apoio ao governo no Congresso e ampliar a bancada do PT por São Paulo.
Também pré-candidato a deputado federal por São Paulo, João Paulo Cunha comandava a Câmara dos Deputados quando recebeu R$ 50 mil do operador do Mensalão, Marcos Valério. O dinheiro foi sacado por sua mulher em uma agência bancária. Como presidente da Casa, ainda ajudou a direcionar um contrato de publicidade do Banco do Brasil para a empresa que abastecia o esquema. O STF o condenou a 9 anos e 2 meses de prisão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro — pena depois reduzida a 6 anos e 4 meses, quando a Corte o absolveu da lavagem. Preso em 2013, passou cerca de dois anos entre a penitenciária da Papuda e o regime aberto, até receber um indulto do próprio Supremo em 2016.

A lista não termina em Cunha. Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e o homem que operava o caixa do Mensalão, entra na disputa por uma vaga na Câmara por Goiás. Um dos fundadores do partido, foi o único condenado do Mensalão a ser expulso do PT, do qual ficou afastado por seis anos, entre 2005 e 2011. Em entrevista recente ao jornal Folha de S.Paulo, Delúbio não escondeu o motivo da candidatura: “Quero estar no Congresso para ajudar Lula a governar”. Em seguida, negou qualquer arrependimento sobre o Mensalão: “Não me arrependo de nada porque não fizemos nada de errado”. Delúbio foi condenado a 6 anos e 8 meses por corrupção ativa, pena depois extinta pelo indulto de 2016. Em 2017, o ex-juiz Sergio Moro o condenou a mais cinco anos na Lava Jato por um empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões no Banco Schahin, usado para financiar campanhas do PT e do PDT — condenação que também acabaria derrubada.

André Vargas fecha o grupo petista. Vice-presidente da Câmara pelo PT entre 2013 e 2014, entrou para a história como o primeiro político condenado na Operação Lava Jato. O que o derrubou foi a intimidade com o doleiro Alberto Youssef, operador financeiro do Petrolão. À época, Vargas foi fotografado ao lado dele, viajou em seu jatinho e acabou flagrado intermediando os interesses do doleiro dentro do Ministério da Saúde. Sob pressão, largou a vice-presidência e o PT em 2014. Foram três condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, que somadas chegavam a quase 25 anos. Antes de ter as condenações anuladas, Vargas cumpriu três anos e meio de prisão em Curitiba e um período em liberdade condicional. Hoje secretário-geral do PT no Paraná, articula a volta à Câmara nas eleições de outubro.
“O PT entende que o ambiente jurídico lhe é favorável”, observa o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), ao afirmar que boa parte dos ministros do STF e da Justiça Eleitoral que vão decidir sobre essas candidaturas tende a dar decisões brandas. Gomes aponta ainda o “esquecimento político” de parte do eleitorado brasileiro, que não lembra dos escândalos. E soma-se a isso a máquina pública a serviço de um discurso de vítima, em que o condenado pede voto como candidato de Lula.

O movimento, no entanto, não é exclusivamente petista. Em fevereiro de 2010, José Roberto Arruda se tornou o primeiro governador preso no exercício do mandato. Caiu na Operação Caixa de Pandora, apelidada de “mensalão do DEM”, que revelou um esquema de desvio de recursos públicos no governo do Distrito Federal, exposto em vídeos que mostravam a distribuição de propina. Arruda passou dois meses preso e teve o mandato cassado. Foi condenado a 7 anos e 6 meses de prisão por falsidade ideológica, coação de testemunhas e em ações de improbidade, pelas quais foi obrigado a devolver centenas de milhões de reais aos cofres públicos. Hoje, é pré-candidato ao governo do DF pelo PSD, e sua volta às urnas depende de uma alteração na Lei da Ficha Limpa.
Em 2025, o Congresso aprovou a Lei Complementar 219 e mudou a contagem do prazo de inelegibilidade. Os oito anos passaram a correr da condenação, e não do fim da pena, como era anteriormente, encurtando o tempo que mantém um político fora das urnas. Levada ao STF pela Rede Sustentabilidade, a decisão começou a ser julgada pelo plenário virtual em maio, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vistas. Cármen Lúcia, relatora, e Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade. Para Márlon Reis, ex-juiz e um dos autores da Ficha Limpa, a indecisão é o pior dos mundos. “Essa indefinição é muito ruim para a integridade eleitoral”, acredita. “A democracia exige regras claras antes do jogo eleitoral, especialmente quando se trata de definir quem pode ou não pode disputar uma eleição.”
No Rio de Janeiro, dois ex-governadores resumem uma era de escândalos. Anthony Garotinho foi condenado pela Justiça Eleitoral a 13 anos de prisão por comprar votos nas eleições de 2016 em Campos dos Goytacazes, ao usar o programa social Cheque Cidadão como moeda de troca. Em março de 2026, o ministro Cristiano Zanin anulou a condenação, ao considerar ilegais as provas, e a 2ª Turma do STF manteve a decisão e devolveu-lhe os direitos políticos. Agora, ele quer voltar a governar o RJ pelo Republicanos.
Mas o caso mais surreal do grupo talvez seja o de Sérgio Cabral, que comandou o Rio de Janeiro por quase oito anos. O ex-governador acumulou condenações que, somadas, ultrapassam 400 anos de prisão por desviar dinheiro de obras públicas. Em depoimento, declarou-se “viciado em roubar”. Preso em 2016, passou anos atrás das grades. Hoje, uma espécie de influencer digital, tem o nome cotado para concorrer a uma cadeira de deputado federal. Seu retorno também depende da nova regra da Ficha Limpa.
A porta dos fundos
O caminho de volta foi aberto dentro dos tribunais. Para os petistas, pesaram duas coisas: o prazo de inelegibilidade ligado às penas do Mensalão expirou e as condenações da Lava Jato foram anuladas depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o STF concluíram que a 13ª Vara Federal de Curitiba, de Sergio Moro, não tinha competência para julgar o caso. Assim como Lula, nenhum dos hoje candidatos chegou a ser absolvido.
Feita contra eles

A lei da Ficha Limpa surgiu em 2010, da reação popular ao Mensalão: projeto de iniciativa popular, com mais de um milhão de assinaturas, sancionado por Lula no segundo mandato. “A Ficha Limpa não pertence a partido algum”, observa Reis. “Ela pertence à sociedade brasileira. Mexer nela para diminuir sua eficácia é contrariar uma das maiores conquistas democráticas do país desde a Constituição de 1988. Antes dela, praticamente ninguém ficava inelegível por condenações dessa natureza.” Desde a criação da Ficha Limpa, cerca de 6 mil candidatos foram proibidos de disputar eleições.
José Dirceu e companhia já têm partido, palanque e o aval do presidente da República. Se a Lei da Ficha Limpa for modificada, só o povo conseguirá impedir que voltem ao local do crime.
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Pois é, essa tática usada de que cada um tem seu preço, domina no desgoverno. Até a velha imprensa foi comprada. Por isso, a hombridade de Jair foi colocada de escanteio. O sistema está viciado nesse jogo de levar vantagem em tudo, usando a ignorância intelectual dos dependentes das bolsas misérias. Como fazer essas pessoas que são mantidas com um mínimo necessário para sobreviver e procriar, continuar dependendo dessas esmolas para sobreviver mal e porcamente? Eles dificilmente entenderão que são manipulados por corruptos que mamam abundantemente nas telas da vaca às custas deles. Já quanto a imprensa vendida vermelha… muito me espanta que aceitem a situação e entreguem o Pais a esse naufrágio anunciado e em andamento. Serão atingidos tb.