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Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 331

Às portas das convenções

O adversário comum dos candidatos de diversos graus de direita é Lula. Essa verdade óbvia, até agora, não ensejou uma estratégia comum para alcançar o objetivo

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Na próxima semana, começam as convenções partidárias que confirmarão os candidatos à presidência e a outros cargos nas eleições, com destaque para a candidatura de Lula, já definida pelo PT. A primeira convenção será do PL, em 25 de agosto, seguida por outras que homologarão candidatos de diversos partidos. A eleição gira em torno de Lula, que lidera as pesquisas, e os demais candidatos buscam estratégias para derrotá-lo, mas ainda não conseguiram unir forças.

Semana que vem abrem-se as portas das convenções partidárias que vão confirmar os candidatos dos partidos para a presidência da República, os governos estaduais, as assembleias, a Câmara e o Senado. As convenções também chancelam as coligações entre partidos para fins eleitorais. Em geral, tudo é decidido antes; as convenções apenas cumprem a Lei Eleitoral carimbando a escolha, que brota da cúpula partidária e não dos filiados do partido. No PT, por exemplo, já está escolhida pelo próprio Lula a sua própria candidatura, inclusive porque o partido não tem outro com os votos que tem Lula — e assim tem sido desde a primeira candidatura de Lula, há 37 anos. Lula quer o quarto mandato — e o sexto dele, porque Dilma era ele. Ganha de Putin, que está repetindo mandatos desde o início do ano 2000.

A primeira convenção será a do PL, marcada para sábado, dia 25, supostamente para aprovar chapa com Flávio para presidente e ainda procurando vice. No dia seguinte, domingo, o PSD confirma Ronaldo Caiado tendo como vice o presidente do partido, Gilberto Kassab. Na segunda-feira, o Novo homologa Romeu Zema e, em 1º de agosto, o Missão confirma Renan Santos e o Coronel Bombeiro Aroldo Medina. A convenção do PT será no dia 2 de agosto, acatando Lula e Alckmin para reeleição. 

Flávio Bolsonaro candidatura Presidência PL
A primeira convenção será a do PL, supostamente para aprovar chapa com Flávio para presidente e ainda procurando vice | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Como a chapa de Lula já está fixada, o objetivo de todos os demais candidatos é encontrar alguém com votos para derrotá-lo e assumir o seu lugar. Havendo segundo turno, os da esquerda devem se unir para garantir a reeleição de Lula. Do outro lado, teoricamente, pode acontecer com os candidatos de direita ou centro-direita, unindo-se para tirar Lula. Significa que esta eleição presidencial gira em torno do eixo Lula: anti-Lula x Lula. As últimas pesquisas têm mostrado que Lula vence no primeiro turno e também no segundo, ainda que a soma de Flávio, Caiado, Zema, Renan, Daciolo, por exemplo, em algumas pesquisas não supere Lula no segundo turno. Está faltando algum catalisador no grupo anti-Lula, ou existe nesse jogo alguma peça que impede que a mistura do primeiro turno vire solução homogênea no segundo? Para isso, a maioria dos demais candidatos e as cúpulas partidárias estariam com pouco tempo para encontrar a fórmula de tirar Lula e o PT do poder.

O adversário comum dos candidatos de diversos graus de direita é Lula. Essa verdade óbvia, até agora, não ensejou uma estratégia comum para alcançar o objetivo. Flávio está divorciado de Caiado, Zema e Renan, enquanto esses três devolvem com observações sobre os constantes erros táticos de Flávio. Por sua vez, alguns dos chamados “influenciadores” gastam suas energias brigando entre si, aliviando Lula. E boa parte dos eleitores, movidos por fanatismo, não pensam, não veem, não escutam, não percebem, mas apenas gritam o nome de seu candidato, recusando aceitar os riscos para seu próprio campo ideológico se estiver apostando em quem não querem conhecer, além do nome. Quem seria o candidato que Lula prefere enfrentar na campanha, nos debates? Quem tem mais fragilidades? Se um candidato de direita vencedor não tiver competência para administrar o caótico legado de Lula, estarão fechadas as portas do poder para o conservadorismo liberal no mandato seguinte e talvez no outro. Não basta tirar Lula; vai ser preciso livrar o país de uma gigantesca herança maldita.

Lula
Como a chapa de Lula já está fixada, o objetivo de todos os demais candidatos é encontrar alguém com votos para derrotar Lula e assumir o seu lugar | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Pouco tempo para partidos demonstrarem que têm doutrina e não apenas fisiologismo, oportunismo. Talvez seja utópico pensar que os partidos que vão tomar decisões nos próximos dias tenham altruísmo e humildade para ceder posições e vaidades e encontrar uma fórmula que leve para o segundo turno o mais experiente, mais capaz de mudar o caos fiscal em 18 meses, de conter o endividamento público, empresarial e familiar em dois anos e de frear o declínio ético em quatro anos; de recuperar o nome do país, limpar a ficha suja da corrupção e, através do Senado, levar o Supremo de volta à Constituição; sobretudo trazer de volta a ordem e a paz, com segurança pública e jurídica, para o Brasil poder usar seu potencial de riqueza natural e humana com o objetivo do bem-estar do povo, que possa ser maior que o Estado e não submetido a ele; uns enganados por benesses, outros a pagar impostos para sustentar o Estado gastador e as benesses com que eleitores são mantidos servos da ignorância.

Esses são os desafios dos partidos. Abertas as portas das convenções, abram as janelas para o Brasil e depois olhem para dentro de si com coragem para oferecer ao eleitor a melhor opção não apenas para tirar Lula e o PT de seu projeto de poder, que está na contramão do mundo, mas para não frustrar nos próximos quatro anos e ser um fracasso que pode se derramar pelas décadas seguintes. Não se pode subir degraus e depois cair da escada. Pode ser utópico pedir luzes e sabedoria estratégica nesta véspera de convenções. Haverá estadistas com a solução? Acendam as luzes!

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4 comentários
  1. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Garcia, aos 80 anos não tenho conseguido entender seus últimos pronunciamentos sobre Flavio Bolsonaro, até diante de seus colegas da Revista Oeste como Augusto Nunes, que clamam pela união da direita neste importante pleito, para voltarmos a ter democracia, liberdade e respeito a Lei e a Ordem. Curiosamente, parece estar em sintonia com os ataques desatinados de Michelle que tão simpaticamente você entrevistou recentemente.
    Afinal, quem tem o direito de receber os votos de Jair Bolsonaro senão aquele que ele indica? Nem isso pode fazer porque não vivemos em uma democracia. Por acaso você conhece se Bolsonaro prefere Michelle, Caiado, Zema ou Kassab para a presidência da República?.
    Quando você fala com razão da importante do voto auditável que parece não acontecera, seria razoável que buscasse até nos seus colegas da velha imprensa, seus amigos juristas, empresários e militares a importância de centrarmos naquele candidato que merece a herança dos votos de Jair Bolsonaro, senão amigo vamos ter que engolir essa destruição de nosso pais.

  2. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Acho impossível o Brasil sair, ainda neste século, desse atoleiro vermelho em que se meteu

  3. Elias José de Souza
    Elias José de Souza

    O Garcia está jogando na lata do lixo todo o seu legado jornalistico. desde o primeiro dia em que foi divulgado o
    nome do Flávio como sucessor de seu pai, o ex presidente Bolsonaro que você, Garcia, de forma direta e sem nenhuma explicação plausivel, no Oeste Sem Filtro, se manifestou contra essa indicação. Disse algo como: o Bolsonaro agiu como se fosse um reinado que passa de pais para filho o seu bastão. Isso está gravado aqui mesmo em Oeste Sem Filtro, Acho que em 05/12/2025.
    Na sequencia ficou claro que você, Garcia, preferia o Tarcisio e a Michele como vice para sucederem o Bolsonaro, porém nesse momento, isso não será mais posivel, eu achei que você já tivesse entendido isso. Não condeno sua opinião, vivemos em uma democracia, apenas acho estranho e decepcionante por que você mudou de opinião distoando de tudo aquilo que você pregou até agora.
    A disputa é entre a verdadeira direita e o Lula. O Lula não tem substituto, assim como a direita também não, é o Flávio Bolsonaro. O sistema corrupto que aprofundou a esse nível que estamos vivendo hoje,, com perseguições, prisões sem fundamentos, narco Estado, destruição das relações exteriores… nenhum outro candidato da tal direita conseguirá inverter esse cuurso a não ser o Bolsonbnaro, nesse momento representado pelo seu Filho Flávio.
    Garcia, a sua opinião é muito importante, se queres mesmo tirar o Lula da presidencia, pense em apoiar o Flávio pra valer pelo menos nesse período eleitoral. É um pedido que te faço. Sou seu fã e gostaria de continuar sendo.
    Peço desculpas pela minhas escritas e palavras, não sou bom nisso, minha área é exatas, de números conheço muito bem.

  4. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Representação exata desses seus temores, caro Alexandre Garcia, é o comportamento autofágico de ícones da direita como Michelle e Damares. Pessoas dignas de confiança, excelentes, mas que não conseguem entender o que está para acontecer no país em outubro. Falta juízo a quem escolheu a vida pública para se realizar e age dessa forma amadorística, pensando em seus egos e esquecendo o bem do país. Lamentável, esse exemplo se estende a outros candidatos de direita que ainda não entenderam o momento político. Caso típico, abordado pelo Augusto Nunes, é o caso da direita colocar três candidatos a senador por São Paulo, enquanto a esquerda coloca só dois, e pode ganhar as vagas paulistas duas mulheres que nunca fizeram suas carreiras em São Paulo.

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