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O ex-presidente Jair Bolsonaro chegando à sua residência para cumprir prisão domiciliar, em Brasília, no dia 27 de março de 2026 | Foto: Reuters/Adriano Machado
Edição 331

Carta ao Leitor — Edição 331

O aumento considerável de brasileiros dependendo de programas sociais e a sanha arrecadatória do governo estão entre os destaques desta edição

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O artigo critica o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, por suas ações, como a proibição de Flávio Bolsonaro de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a manutenção de um inquérito por mais de sete anos. A decisão de Moraes é vista como uma interferência nas eleições e gerou desconforto entre outros ministros da Corte. O texto também aborda a diferença de tratamento entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, além de discutir o uso de programas sociais pelo governo petista para continuar no poder.

Um ministro do Supremo Tribunal Federal pode muita coisa. Mas não pode tudo. Não pode, por exemplo, fazer de conta que não existiu o contrato de R$ 129 milhões assinado por sua mulher, a advogada Viviane Barci, e o banqueiro bandido Daniel Vorcaro. Tampouco manter um inquérito aberto por mais de sete anos, incluindo nele quem bem entender — e em sigilo. Também não lhe é permitido fingir que não foi promulgada pelo Congresso uma lei que beneficiará centenas de brasileiros condenados a penas desproporcionais. Muito menos agir como cabo eleitoral de um candidato ou trabalhar para prejudicar o outro lado. 

No Brasil destes tempos estranhos, contudo, Alexandre de Moraes continua achando que quaisquer limites só podem ser impostos por Alexandre de Moraes. Amparado nesse critério, o ministro resolveu proibir Flávio Bolsonaro de visitar o pai — de quem também é advogado — por 90 dias. Justificativa: a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente, na qual nomeia Flávio como seu porta-voz. É uma tentativa de repetir as lastimáveis proezas ocorridas na campanha eleitoral de 2022. É também uma interferência absurda na eleição deste ano. 

Num dos dois textos que compõem a reportagem de capa desta edição, Cristyan Costa mostra que a decisão causou desconforto até entre integrantes da 1ª Turma da Corte, formada por Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin (além do próprio Moraes). Eugênio Esber enfatiza a diferença de tratamento dispensado na prisão a Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Durante os 580 dias em que permaneceu em dependências da Polícia Federal em Curitiba, o chefão do PT recebeu mais de 570 visitas, divulgou inúmeras cartas e concedeu 22 entrevistas a jornalistas brasileiros e estrangeiros. Nada disso é permitido a Bolsonaro. 

“O STF está sob suspeição desde que se associou ao governo num consórcio que inventou a democracia à brasileira”, observou Augusto Nunes no programa Oeste Sem Filtro. “Enquanto não disser o que acha do contrato assinado por sua mulher e o dono do falido Banco Master, Moraes deveria ser proibido de julgar qualquer coisa por falta de autoridade moral.” Nesta edição, Nunes comenta o empenho da oposição ao governo federal em perder a eleição para o Senado em São Paulo. O lance mais insensato, até agora, foi lançar três candidatos na disputa de duas vagas. A divisão dos votos entre a trinca poderá garantir a vitória de Marina Silva e Simone Tebet, a dupla de adversárias escalada por Lula. 

No plano federal, além da colaboração do STF, o presidente conta com outra vantagem: uma população cada vez mais dependente de programas sociais. A reportagem de Rachel Díaz confirma que os governos petistas sempre usaram o assistencialismo como principal arma política. Em 2016, pouco menos de 14 milhões de brasileiros recebiam o Bolsa Família. No ano passado, esse número ultrapassou 20 milhões. Hoje, 97 milhões de brasileiros — quase metade da população — recebem pelo menos um benefício social. 

“O populismo de programas sociais ineficientes que aumentam a pobreza é método”, observa Adalberto Piotto. “O gasto irresponsável do dinheiro do pagador de impostos, um mero meio para se manter no poder.” Se há um governante responsável pela situação política, econômica e social lamentável na qual o país se encontra, esse alguém é Lula. Como lembra Alexandre Garcia, se contarmos que Dilma era Lula, este é seu sexto mandato: “Ganha de Putin, que está repetindo mandatos desde o início do ano 2000”.

Enquanto isso, quem trabalha continua financiando uma máquina pública cada vez mais cara e perdulária. Fábio Matos explica como e por que os brasileiros costumam pagar tão mais caro por quase tudo — de carros a roupas, passando por comidas e combustíveis — quando comparados com moradores de outros países. “O Brasil é um dos campeões mundiais de tributação, e os impostos, de modo geral, não se traduzem em serviços de boa qualidade”, explica Matos. 

A verdade escancarada é que o governo gasta demais, tributa demais e ainda apela para o discurso da soberania, invocando um patriotismo com o qual nunca se importou. “‘Brasil: ame-o ou deixe-o’, quem diria, virou slogan lulista”, ironiza Guilherme Fiuza. Ao mesmo tempo, diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o presidente parece mais interessado em explorar politicamente o episódio do que em buscar uma solução capaz de preservar negócios e empregos por aqui. Afinal, como confessou Dilma Rousseff em 2013, Lula e seus comparsas já provaram mais de uma vez que estão dispostos a fazer o diabo para ganhar eleições.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

Alexandre de Moraes em sessão plenária do STF, no dia 17/06/2026 | Foto: Rosinei Coutinho/STF

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