A vida em 2021

"No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento”

É desnecessário dizer que 2020 foi um ano difícil para o mundo. A pandemia não veio aterrorizar apenas em seu aspecto viral propriamente dito, pondo em risco a saúde de bilhões de pessoas. Também jogou na UTI economias sólidas e entubou, já com risco de morte, economias fracas e suscetíveis a ações de tiranos. Ela nos trouxe o perigo dos anos nefastos das páginas de História em que o autoritarismo cerceava liberdades, prendia quem pensava diferente e usava tragédias para projetos de poder.

E 2020 chegou ao fim. Aos trancos e barrancos. Muito aprendemos sobre ciência, vírus, hipocrisia, falsos liberais, instituições e agentes políticos emaranhados com o Partido Comunista Chinês, democratas de mãos dadas com ditadores e uma eleição presidencial no mínimo bizarra e cheia de perguntas sem resposta na República mais sólida do planeta. O que esperar então para o próximo ano?

Em uma sociedade na qual sempre estamos olhando para fora, para os acontecimentos que se sucedem numa velocidade hipnotizante, numa era de total adoração ao imediatismo, onde encontrar alguma faísca de maturidade e renovação de que algo possa melhorar em 2021? Onde pousar o pensamento para refrigerar a alma e seguir sem desanimar?

Pessoas diferentes encontram estratégias diferentes de reclusão, análise e imersão. O que serve para mim pode não servir para você. Ao longo do ano de 2020, após o nascimento da Revista Oeste, construímos uma relação de afeto a cada semana. Por isso, sinto-me à vontade para dividir onde encontrarei o alento para seguir firme no ano que se aproxima. E, como o Natal nos mostra, a força está na própria vida, nas tradições que não se desbotam com o tempo, na família, nas palavras sábias de pessoas mais velhas que a atualidade parece não ter mais tempo de ouvir.

O ano era 2000. O mundo se preparava para a virada do milênio e eu me preparava para minha terceira Olimpíada. Ela seria disputada do outro lado do mundo, em Sydney, na Austrália, e seria minha primeira Olimpíada pelo vôlei de praia depois de disputar dois Jogos Olímpicos pelo vôlei de quadra.

Depois de uma sólida e dedicada carreira no vôlei de quadra, o sucesso de minha ida para o vôlei de praia era incerto, mas lá estava eu, começando mais um desafio em mais um ciclo olímpico. Foi quando apareceu um aliado importantíssimo, vital para prosseguir com um plano sério de duros treinamentos, estratégia e dedicação: o patrocinador dos sonhos.

Um patrocinador dos sonhos no esporte não é aquele que simplesmente estaciona na porta de sua casa com um caminhão de dinheiro e lhe deseja boa sorte. Um patrocinador dos sonhos é um aliado que tem um plano amplo, com várias vertentes e campos de ação para atletas de alta performance. Um patrocinador dos sonhos é um aliado que não lhe pagará apenas um bom salário, mas traçará planos de voo com uma equipe técnica composta de experts em estatísticas, análises, preparação física, medicina esportiva, marketing. Um patrocinador dos sonhos é aquele que lhe dá toda a segurança e estrutura para que você possa se dedicar ao máximo — e apenas isso — aos intensos e quase infinitos treinamentos, a única chance possível de chegar ao Olimpo. E lá estava eu, aos 28 anos, depois de sonhar — e trabalhar — por muitos anos com o patrocinador dos sonhos. Tudo o que eu precisava fazer era o que eu vinha fazendo desde os 16 anos. Treinar. Treinar feliz, treinar com dores, treinar no sol, treinar na chuva, treinar, treinar e competir.

Foi quando a vida, sem me preparar, sem me avisar, sem sequer me dar a mínima pista, disse: “Tenho outros planos pra você”. Atletas são pagos e patrocinados enquanto estão em atividade, treinando e competindo — afinal, as marcas que investem precisam aparecer e estar em evidência. Lesões cancelam contratos. Gravidez cancela contratos. E eis que em um hotel em Gstaad, na Suíça, no meio de uma importante competição para a classificação olímpica do ano de 2000, o mundo “desabou” em duas linhas verdes numa caneta branca comprada na farmácia: positivo. Eu estava grávida.

“A vida está batendo na porta de minha casa, e eu vou abrir, e eu vou celebrar”

Um silêncio inesquecível tomou conta de minha mente, de meu quarto de hotel, do mundo. Era como se eu estivesse em algum tipo de transe. “Não pode ser!”, pensei. Estava num relacionamento de muitas idas e vindas — hoje somos grandes amigos!. Em três segundos, um filme se formou em minha frente… “relacionamento… família… patrocínio…  Olimpíada… imprensa…”. Não havia uma ordem nos pensamentos, e eu não conseguia organizar as ideias.

Depois de jogar mais duas etapas do Circuito Mundial (e de mais quatro testes positivos), decidi voltar ao Brasil e contar primeiro a meus pais toda a situação. Embora sinta um amor profundo por minha mãe, desde pequena sempre tive uma ligação muito forte com meu pai. Via nele um mestre e um amigo. Por isso, estava extremamente nervosa com a reação daquele a quem eu nunca quis desapontar na vida.

Viajei até a casa de meus pais e, eu e eles sentados à mesa da cozinha, disparei sem rodeios uma única frase: “Estou grávida”. Pelo semblante de minha mãe, aquele filme que passou em minha cabeça no quarto de hotel na Suíça agora acontecia com ela. Eu já não era nenhuma adolescente, mas, mesmo com 28 anos, a preocupação de mãe tomou conta da conversa. Ela começou a chorar e a repetir: “Mas e seu relacionamento? Vocês estão juntos? E o patrocínio? Você trabalhou décadas para isso… e a Olimpíada? O que a imprensa vai falar? Como será a vida?”.

Minha mãe sempre foi muito emocional e protetora e, confesso, já esperava que sua reação inicial seria assim. Meu pai, no entanto, estava em absoluto silêncio e aquilo me incomodava e deixava apreensiva. Foi quando, entre um suspiro de preocupação e outro, minha mãe, em lágrimas, ficou em silêncio e meu pai resolveu falar. Eu gelei. Para minha surpresa, ele olhou para minha mãe, e não para mim, e disse: “Você sabe quantas pessoas no mundo estão chorando neste exato momento, como você, porque alguém que elas amam está morrendo e as deixando? E você chora porque a vida está batendo na porta de minha casa?”. Imóvel e sem sequer piscar, parecia que eu havia entrado em outro estado de transe. E ele continuou: “Não me interessa a condição. A vida está batendo na porta de minha casa, e eu vou abrir, e eu vou celebrar”.

Um amor tão grande e tão divino tomou conta de mim. Comecei a tremer. Meu pai, segurando uma cerveja que acabara de abrir, repetiu: “A vida está batendo na porta de minha casa, e eu vou abrir, e eu vou celebrar”.

O ano de 2000 voou. A delegação brasileira na Olimpíada de Sydney não trouxe nenhuma medalha de ouro, mas eu, no Brasil, ganhei a minha. Gabriel, nome escolhido por meu pai por se tratar de “um mensageiro de boas notícias”, como ele mesmo ressaltou, decidiu nascer um mês antes do previsto e chegou pouco antes do Natal, no dia 19 daquele ano. O melhor presente de minha vida.

Os anos se passaram, eu me mudei para Los Angeles e, logo que cheguei à progressista Califórnia, participei de um grupo de treinamento para fazer parte de uma ONG chamada Pregnancy Help Center. Criada em 1976, essa ONG ajuda e acolhe mulheres grávidas que, por alguma razão, consideram o aborto, estão confusas e precisam de ajuda. A equipe é composta de vários voluntários, desde conselheiras (meu posto, a primeira pessoa com quem as mulheres conversam quando chegam lá) até médicos, enfermeiras, assistentes sociais, psicólogos, policiais etc.

Durante os anos que passei na organização, presenciei histórias muito impactantes de mulheres que, diante da proteção da legislação que favorece o aborto no Estado e da facilidade com que isso acontece, resolveram prosseguir no procedimento nas clínicas abortivas. Foram algumas noites sem conseguir dormir pensando naquelas moças de vinte e poucos anos que, em uma ficha, escreviam que já estavam no segundo, terceiro aborto. Obviamente, para a organização, toda mulher que decidia seguir a gestação, assistida e cuidada durante e após a gravidez gratuitamente por uma grande equipe, era motivo de muita celebração.

Nas muitas conversas que eu tinha com essas mulheres, em um gesto de conexão afetiva e empatia, eu relatava minha história. Contava sobre meu pai e as palavras que ele tinha dito na cozinha de sua casa, sobre os medos, as dúvidas, as lágrimas. E é exatamente dessas ocasiões, do encontro com mulheres fortes que desafiaram qualquer situação, que tenho guardadas hoje as medalhas mais preciosas de minha vida. Ao longo do trabalho na instituição, recebi algumas dezenas de fotos de bebês enviadas pelas mães. Elas relataram que as palavras de meu pai foram um bálsamo, uma luz para a única e possível decisão para aquela ocasião. Meu pai, já falecido naquela época, havia se tornado, sem saber, vida após sua morte.

E a vida não está apenas na gestação no ventre de uma mulher. A vida está nos detalhes que o imediatismo, a tecnologia em excesso, o egoísmo, a carreira na frente de tudo, a superficialidade das redes sociais escravizantes não nos deixam mais apreciar. Casais se separam não por falta de amor, mas por falta de paciência. Jovens estão em depressão não por problemas, mas pela proteção excessiva a que são submetidos.

Hoje, tudo tem de ser aceito. Tudo tem de estar “tudo bem” o tempo todo. E, quando vem um ano como 2020, não sabemos conversar, desaprendemos de pensar e discutir como sairemos de enrascadas pequenas, grandes, particulares e públicas, porque as ferramentas não estão no “tudo tem de estar bem o tempo todo”. Nossos filhos não podem ser envoltos em plástico-bolha e protegidos dos males do mundo, do sofrimento, dos desafios. Assim famílias são fortalecidas e homens e mulheres fortes são forjados.

Apesar do conturbado ano, foi um prazer estar aqui com vocês toda semana. Desejo a todos nós, parceiros na caminhada da defesa inviolável da coragem e da liberdade, que Johann Goethe (1749-1832), filósofo, cientista e escritor alemão, autor de Fausto, poema trágico e obra-prima da literatura alemã, nos inspire em 2021 com seu célebre pensamento: “No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge a nosso favor. Como resultado da atitude, seguem todas as formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda que nenhum ser humano jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma o poder, o gênio e a magia”.

A coragem contém em si mesma o poder, o gênio e a magia. Um abençoado 2021.

Telegram
-Publicidade-
* O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais à equipe da publicação, a outro usuário ou a qualquer grupo ou indivíduo identificado. Caso isso ocorra, nos reservamos o direito de apagar o comentário para manter um ambiente respeitoso para a discussão.

63 comentários

    1. Feliz Natal Aninha.
      Penso que você e família são dos nossos: conservadores e cristãos, essencialmente.
      Todos daí SÃO Gabriel. Então vamos “celebrar, querida “mensageira de sonhos.

      1. Ana,enquanto pedalava, ouvi esta sua história no episódio de natal do Brasil Paralelo.Quando ouvi as palavras que seu pai lhe disse fui tomado por um sentimento maravilhoso de amor e gratidão e chorei sem me conter,as lágrimas me trazendo felicidade.Apressei o passo para poder dizer à minha mulher que também ouvisse seu depoimento.Depois aproveitei muitas oportunidades para dizer o mesmo às minhas 4 filhas e a amigos.Ouso dizer que uma iluminação visitou e inspirou você.Muito obrigado e um 2021 feliz e produtivo para você e sua família.

      2. Em um ano tão deprimente, foi muito bom ler seu texto no último dia de 2020, para ajudar a começar 2021 com bons pensamentos. Sou seu fã, Ana.

      3. Suas palavras e textos me inspiram…te admiro muito! Coerência que ilumina e organiza os pensamentos de quem lê. Obrigada por compartilhar essas habilidades. Feliz Ano Novo!

    2. Obrigado a Revista Oeste e a todos seus colaboradores ,por nos proporcionar a possibilidade de tomar conhecimento dessa bela experiência de Vida da Nossa Ana Paula,de quem sempre fui admirador e agora ela se torna minha Ídola

    3. Querida Ana Paula, você é um farol na escuridão. Junto com o time do Pingos Nos Is, são um alento no meio de tantas mentiras. Só posso agradecer. Muito!
      Bora abrir mais olhos, cabeças e mentes em 2021.

    1. Que lindo compartilhamento de vida, esperança, sabedoria e coragem. Você e todas as mulheres que apostam na vida, aquela vida que bate na porta de suas casas, merecem toda a admiração, carinho e louvor. Graças a vocês, corajosas mulheres, o dom da vida, atributo de Deus, continua florescendo no mundo. Vocês são o verdadeiro empoderamento da mulher.

  1. Boa sacada! Gostei de ler no dia de Natal. Mas sei que a minha esposa vai gostar mais ainda do teu exemplo. Gostaria de relatar algumas cocitas pessoais da família. Um dia quem sabe, no facebook “in box” ou num contato de vídeo a gente te conta. Aqui na Serra Gaúcha tem gente direita que gosta de ti e dos teus textos. Feliz Natal, o de Jesus, não o do Papai Noel (que apenas é um complemento).

    1. Admiro muito vc, Ana Paula, agora mais ainda. Vc é uma pessoa brilhante. Espero ler suas crônicas por muito tempo ainda. Que vc e sua família tenham um Natal maravilhoso e um 2021 estupendo. FELIZ NATAL!

    2. Lindo depoimento! Corajoso acima de tudo em um mundo que as futilidades e o imeadistismo dominam! Feliz ano 2021! E obrigada por nos ajudar a construir um país melhor!

  2. Lindo demais! Abençoada seja você e a revista Oeste. São histórias como essas que nos fazem perceber que a única riqueza dessa vida é o afeto.

  3. Ana, você não faz ideia de como as palavras de teu Pai chacoalharam meu espírito. Tenho um filho que me enche de orgulho mas apenas ele, e sei que poderia ter tido mais experiências maravilhosas como essa. Uma pena pra mim, e pra quem compartilhou comigo da fraqueza da escolha errada. Hoje dia de Natal, choro e reflito sobre isso, e peço perdão.

  4. Eu realmente gostaria de acreditar que os “jovens estão em depressão não por problemas, mas pela proteção excessiva a que são submetidos”. Infelizmente Ana, não é tão simples assim. O Brasil já contabiliza 11 Milhões de jovens dos chamados Nem-Nem : nem trabalham , nem estudam. Estão nas periferias e nos mais de 5 milhões de domicílio localizados nas milhares de favelas do Brasil. Muitos deles- dizem as estatísticas do próprio Governo- simplesmente desaparecem , somem de suas casas para não serem mais achados por ninguém; outros se entregam ao banditismo; à prostituição ou simplesmente à dependência total dos salários dos seus avós aposentados dedicando-se diariamente a vadiagem sem fim e à vida abjeta sem esperança e sem nexo algum. Desses muitos milhares estão deprimidos, mas não sabem que estão. Não possuem um psiquiatra ou psicólogo na UPA , que mal tem um clínico para lhes receitar Cibalena para todas as suas dores. Portanto, acredito que sua frase foi apenas um recorte da realidade, mas que tem sim algum sentido prático, em que pese não ser especialista na área. No nosso caso Ana, longe da democracia americana e do show de oferta de oportunidades , é quase impossível querer sonhar, alcançar objetivos e lutar por eles sem Escolas decentes, sem creches, sem planejamento mínimo e programas de educação, sem salários dignos, sem apoio nenhum nos esportes e por aí vai. No esporte – sua área- você deve saber de centenas de histórias de atletas do atletismo – só para dar um exemplo- que não têm nem o calçado para treinar, quanto mais competir. Quem é o Secretário especial (Nacional) dos Esportes? Quê programas efetivamente estão direcionados aos jovens ? Nada Ana, por aqui absolutamente nada. Gostei muito do seu depoimento pessoal, corajoso e enriquecedor , mas sugiro pautas que cobrem deste Governo ações mais efetivas e rigorosas para essa turma. Aí estão os que não têm proteção em excesso, pois não têm proteção nenhuma. Obrigado

  5. Belo artigo e emocionante. Parabéns!
    “Casais se separam não por falta de amor, mas por falta de paciência. Jovens estão em depressão não por problemas, mas pela proteção excessiva a que são submetidos…”- uma correta leitura do mundo real e seus problemas.

  6. Você é uma mulher forte! Seu pai, que Deus o tenha, fala agora por sua voz, para orgulho de seu filho e daqueles que a amam. Obrigado pelo testemunho de vida para tantas vidas.

  7. Prezada Ana Paula, permita-me abrir uma divergência e sei que deverei pagar caro pelo meu posicionamento e surgirão críticas duras sobre ele.
    Infelizmente não posso concordar com sua assertiva segundo a qual “Jovens estão em depressão não por problemas, mas pela proteção excessiva a que são submetidos. ”
    Não há embasamento científico ou acadêmico que justifique. Segundo os especialistas dessa área – que podem ser facilmente encontrados em pesquisa na internet- a depressão entre os jovens no Brasil é oriunda, na grande maioria dos casos, por questões sobre sexualidade, dificuldade em lidar com frustrações, bullying, pressão pela escolha da carreira, falta de perspectivas no mercado de trabalho e falta de um bom desempenho escolar. Não vi relatos sobre a “proteção excessiva”, que pode eventualmente acontecer, não descarto.
    Observo que no paraíso americano da igualdade de oportunidades da maior democracia do mundo – dizem- talvez não se encontrem frustrações características aqui da democracia tupiniquim. Só para dar um exemplo entre os jovens, nosso modelo de democracia criou os chamados Nem-Nem- que nem trabalham nem estudam- cujo número já atinge a assustadora marca de 11 milhões de jovens. Não há escolas Ana ,de qualidade. Não há projeto algum de educação. A Secretaria Especial dos Esportes (antes com status de Ministério) não possui nenhum projeto ou programa para desenvolvimento do esporte, e você sabe disso. Constroem-se ginásios e quadras de esportes nas periferias onde não há um só técnico especializado, nem bolas, nem redes, nem nada. Você conhece centenas de casos no atletismo brasileiro em que os jovens promissores sequer possuíam transporte para os locais de treino e calçados adequados para suas corridas e saltos. Somente com o amparo das Forças Armadas- cuja atribuição não é essa- muitos atletas conseguiram sobreviver ao descaso e até- pasme-se- ganhar medalhas e ainda serem criticados quando no pódio fizeram continência à bandeira. Esses 11 milhões de jovens poderiam ser alvo do chamado Sistema S (aparelhado e destruído pela esquerda) dando-lhes formação profissional célere e de qualidade colocando-os em perspectiva laboral e afastando-os da vadiagem e do ostracismo social. Apesar do esforço, o SUS mal consegue fazer exames simples na população jovem (e muito menos nos demais) e onde não há nem gases e esparadrapos não se imagina que psiquiatras e psicólogos poderão acompanhar os já atingidos pela doença. A depressão aqui Ana, é muito e também pela falta de perspectiva. Pela falta de esperança. Pela decepção com a política. Pela falta de vontade de acordar todos os dias e ver que nada, absolutamente nada , vai mudar.

  8. Bom dia.
    Prezada Ana Paula, permita-me abrir uma divergência e sei que deverei pagar caro pelo meu posicionamento e surgirão críticas duras sobre ele.
    Infelizmente não posso concordar com sua assertiva segundo a qual “Jovens estão em depressão não por problemas, mas pela proteção excessiva a que são submetidos. ”
    Não há embasamento científico ou acadêmico que justifique. Segundo os especialistas dessa área – que podem ser facilmente encontrados em pesquisa na internet- a depressão entre os jovens no Brasil é oriunda, na grande maioria dos casos, por questões sobre sexualidade, dificuldade em lidar com frustrações, bullying, pressão pela escolha da carreira, falta de perspectivas no mercado de trabalho e falta de um bom desempenho escolar. Não vi relatos sobre a “proteção excessiva”, que pode eventualmente acontecer, não descarto.
    Observo que no paraíso americano da igualdade de oportunidades da maior democracia do mundo – dizem- talvez não se encontrem frustrações características aqui da democracia tupiniquim. Só para dar um exemplo entre os jovens, nosso modelo de democracia criou os chamados Nem-Nem- que nem trabalham nem estudam- cujo número já atinge a assustadora marca de 11 milhões de jovens. Não há escolas Ana de qualidade. Não há projeto algum de educação. A Secretaria Especial dos Esportes (antes com status de Ministério) não possui nenhum projeto ou programa para desenvolvimento do esporte, e você sabe disso. Constroem-se ginásios e quadras de esportes nas periferias onde não há um só técnico especializado, nem bolas, nem redes, nem nada. Você conhece centenas de casos no atletismo brasileiro em que os jovens promissores sequer possuíam transporte para os locais de treino e calçados adequados para suas corridas e saltos. Somente com o amparo das Forças Armadas- cuja atribuição não é essa- muitos atletas conseguiram sobreviver ao descaso e até- pasme-se- ganhar medalhas e ainda serem criticados quando no pódio fizeram continência à bandeira. Esses 11 milhões de jovens poderiam ser alvo do chamado Sistema S (aparelhado e destruído pela esquerda) dando-lhes formação profissional célere e de qualidade colocando-os em perspectiva laboral e afastando-os da vadiagem e do ostracismo social. Apesar do esforço, o SUS mal consegue fazer exames simples na população jovem (e muito menos nos demais) e onde não há nem gases e esparadrapos não se imagina que psiquiatras e psicólogos poderão acompanhar os já atingidos pela doença. A depressão aqui Ana, é muito e também pela falta de perspectiva. Pela falta de esperança. Pela decepção com a política. Pela falta de vontade de acordar todos os dias e ver que nada, absolutamente nada , vai mudar.

  9. 2020 foi um ano muito difícil, mas foi nele que nasceu a revista Oeste,um bálsamo nesse mar de mediocridades que estamos vivenciando. Parabéns Ana e todos os maravilhosos colunistas da Oeste.
    Que 2021 nos traga coragem pra seguir em frente. Lutar sempre desistir jamais.
    Feliz Ano Novo 🙌🎊

    1. Parabéns Ana Paula! Já sou sua fã nos” Pingos nos is” e fiquei muito feliz em conhecer sua estória pessoal. Te admiro muito pois sempre tem boas opiniões nos assuntos. Não sei qual a razão, mas percebi que quase todos os comentários são do sexo masculinos, eu sou Sonia esposa do Sidney e fiquei feliz em poder me manifestar neste espaço. Feliz Ano de 2021 a você e família.

  10. Ana Paula confesso que sou muito emotivo e meus olhos se encheram de lágrimas,”cortou” meu coração,com sua linear e belíssima crônica e biografia.Foi sem “bloqueio”.Fui ao google para saber também da sua formação em arquitetura na UCLA e Ciências Políticas.O estereótipo que fazemos fica difícil acreditar que só jogando vôlei pode-se escrever tão bem.Não que seja impossível,gênios autodidatas que o digam.Mas,queria dizer: nos tornamos mais dependentes de seu estilo e de seus conteúdos.Obrigado pelo presente e FELIZ NATAL.

  11. Prezada Sra. Ana,

    Muito obrigado! Ouvi-la no Brasil Paralelo e ler agora o seu artigo, foram as duas coisas mais lindas e emocionantes por que passei nos últimos anos. A mensagem tão cristalina de termos a obrigação, sim, a obrigação, de celebrar a vida, devendo ser esse um proposito verdadeiro, e que essa celebração leva a cura e ao ciclo virtuoso de soluções e de construção de um ser humano melhor a cada dia, constituem a essência de uma vida cristã que muitas vezes buscamos, mas poucas vezes compreendemos e atingimos.

  12. Obrigada pelo seu testemunho. Optar pela vida é sempre o mais gratificante. Deixemos Jesus Cristo nos guiar e Ele nos surpreenderá com Sua infinita misericórdia! Feliz Natal!

  13. Ana Paula, além de ser muito fã do seu trabalho confesso que quando ouvi seu depoimento durante o especial de natal da Brasil Paralelo, me emocionei muito. As palavras de seu pai não foram somente importantes para você mas fizeram a diferença em milhares de outras vidas. E isso não tem preço!

  14. Boa Ana!!! Curto muito você nos pingos, adorei sua participação no Brasil Paralelo.. já tinha ouvido você contar mas valeu muito a pena ler a história!! Parabéns!! E ótimo 2021!!!

      1. Te acompanho desde a Crusoe, qdo valia a pena assinar. Hoje te assisto nos Pingos dos Is, na revista Oeste e vi seu depoimento no Brasil Paralelo. Te parabenizo, vc faz a diferença ! Que em 2021 vc continue nos deliciando com seus comentários políticos e seus textos maravilhosos. Que Deus te abençoe.

  15. Ana Paula, assisti ao seu relato no Especial de Natal da Brasil Paralelo e me emocionei até as lágrimas. Ao reler aqui, onde você apresenta os fatos de uma maneira mais pormenorizada, voltei a me emocionar. Que Deus te abençoe!

  16. Que excelente texto! Ana sendo Ana. O texto recordou-me quando recebi a notícia da primeira gravidez de minha mulher. Perdi o chão, com a sensação de que minha vida ia mudar.. e mudou para melhor! Hoje meu filho tem 16 anos, e cada vez que olho para ele tenho a convicção de que tudo valeu a pena. A vida se transforma e se renova a cada dia, junto com a esperança e aquela que é a maior virtude, segundo Aristótoteles: a CORAGEM! Ana, vc é um exemplo de coragem, obrigado.

  17. Parabéns, Ana Paula. E pensar que a Crusoé (aliás, #CrusoLIXO) perdeu a oportunidade de ter alguém de alto nível . Bom pra Oeste, melhor ainda para os assinantes.

  18. É lugar comum tecer elogios a seus textos, Ana Paula. Há muito tempo que a acompanho, e minha admiração por você só aumenta a cada artigo seu. Esse episódio em sua vida vem mostrar a importância do seu pai na formação de seu caráter. Parabéns e vida longa pra você e sua família. Um 2021 de muita luz pra todos nós!

  19. Olá Ana Paula H. !

    No Brasil Paralelo (Episódio II) você foi simplesmente GENIAL, SUPIMPA … e agora, descendo a mais detalhes, se superou …

    Foram momentos difíceis … imagino …

    E, hoje tem-se a ANA PAULA H. que é fruto de todo um caminhar, entre trancos e barrancos …

    Continue assim … sincera, emocional, educada … etc

    Parabéns …

    PS : “São as reticências que dão vida a uma conversa : elas são a permissão e o convite para que o outro diga o seu pensamento.”
    Rubem Alves

  20. Ana Paula expõe relevante questão pessoal, desnecessária para demonstrar sua sabedoria nas decisões que tomou profissional e sentimentalmente, própria de pessoas conservadoras que respeitam a família, seus costumes, suas religiões, a lei e o respeito a vida. Assumiu e seguiu sua vida no jornalismo e ciência politica sempre buscando enorme conhecimento e bem estar familiar. Excelente exemplo.
    Parabéns Ana Paula

  21. Belissimo texto! Capaz de aquecer até o coração mais gelado da nossa espécie. Os meus votos para 2021 são para que você continue com essa qualidade de produção. Parabéns a você e a toda a equipe. Continuemos a luta. Retroceder, jamais!

  22. Ana, obrigada pelo texto, um presente ! Você se tornou uma amiga querida. Bençãos de luz para você e sua família. E para todos da família Oeste.

  23. Oi Ana Paula. Amei teu texto, me emocionou muito. Foi o primeiro que li tão logo fiz a assinatura e fiquei ainda mais feliz pela escolha. Parabéns pelo lindo trabalho que fazes.

Envie um comentário

Conteúdo exclusivo para assinantes.

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Revista OESTE, a primeira plataforma de conteúdo cem por cento
comprometida com a defesa do capitalismo e do livre mercado.

Payment methods
Security site
Gostou da Leitura?

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Payment methods
Security site