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O Brasil de hoje é o resultado de 35 anos de governos social-democratas

O modelo é ineficiente, e a prova disso é a situação em que nos encontramos: educação catastrófica, bagunça nas contas públicas, ativismo judicial…

Eu me levanto inconformado e indignado todos os dias, pois tenho certeza de que serei surpreendido por medidas tomadas pelo Judiciário, pelo Executivo e pelo Legislativo que vão gerar privilégios para certos grupos de interesse às custas do cidadão pagador de impostos que já trabalha cinco meses por ano apenas para pagar tributos.

Quando os militares deixaram o governo em 1984, a carga tributária era de 24,3% do PIB. Ela saltou para 33,1%, ou seja, aumentou 36% em 35 anos, praticamente 1 ponto porcentual ao ano. Isso sem falar no déficit de 7%, que elevaria nossa carga tributária a 41%, a níveis de países como Bélgica, Áustria e França, e sem que o estado dê a devida contrapartida na prestação de serviços à altura da elevada carga tributária. Os social-democratas são famosos, pois, em praticamente todos os países que governaram, aumentaram impostos. A carga tributária sobre lucro nas empresas brasileiras é de 34%, a quarta maior do mundo após Índia, Malta e Congo. Mas toda essa arrecadação é insuficiente, pois o Judiciário, o Legislativo e o Executivo aumentam os custos todos os dias, agigantando o estado.

O maior problema do Brasil é a atrasada mentalidade nacional estatizante por parte daqueles que acreditam, inocentemente e na melhor das boas intenções, ser o estado a solução para os nossos problemas. Ao contrário, o estado tem sido e é o nosso maior problema. Precisamos de soluções privadas para problemas públicos. O agigantamento do estado brasileiro aconteceu a partir da Constituição de 1988, liderada pelos social-democratas, que a denominaram de “Constituição cidadã”, mas ela não condiz com o apelido. O país tem sido governado pelos social-democratas desde 1985, ou seja, há 35 anos, e como justificar para a sociedade brasileira que não foram suficientes para erradicar o analfabetismo? Temos ainda 11 milhões de analfabetos e cerca de 28 milhões de analfabetos funcionais. A social-democracia se gaba de buscar um estado de bem-estar social, mas, no fundo, prefere manter uma parte da população dependente do estado. Alfabetizar significa inclusão social e dignidade para o cidadão. Por outro lado, cidadãos despreparados podem ser conduzidos e manobrados mais facilmente, principalmente nos processos eleitorais.

Na realidade, os maiores partidos políticos brasileiros são, predominantemente, de centro-esquerda. Alguns até se posicionam como de centro ou de centro-direita, mas na realidade são centro-esquerda e às vezes com um pequeno viés de direita. O discurso é um, mas a prática é outra. Usam nas campanhas um marketing a favor do mercado, mas votam a favor do estado. Desde a Constituição, que já nasceu ruim, com vícios de origem, o estado tem se tornado cada vez mais coercitivo e vem se servindo dos cidadãos a quem deveria, por origem, servir. O estado tem o fim em si mesmo e governos procuram defender o estado contra o cidadão, numa absoluta inversão de valores. Recentemente, o Ministério Público Federal estava montando uma sala vip no aeroporto de Brasília para que os seus procuradores ficassem preservados de contato com aqueles cidadãos comuns, pagadores de impostos, que são a fonte de seus salários e a quem deveriam servir. Procuradores são servidores públicos e, como o próprio nome diz, deveriam servir. Por sorte, essa decisão acabou sendo revogada, mas ficou claro para a sociedade brasileira como agem os nossos servidores preocupados com o próprio bem-estar às custas do conjunto de cidadãos.

A mentalidade esquerdista vigente e a ideologia partidária têm origem, principalmente, na educação estatal. Do ensino fundamental à universidade, o estudante é bombardeado com ensinamentos ideológicos de cunho “social”. A esquerda domina os sindicatos e associações de professores e a maioria dos reitores das universidades também é de esquerda. Como consequência, temos uma educação de má qualidade e posicionamos o Brasil no Programa de Avaliação de Estudantes (Pisa), entre os dez piores num grupo de 78 países. Mais: 43% dos brasileiros de 15 anos não sabem o mínimo de matemática, ciências e leitura, contra apenas 13% da média dos países que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A educação brasileira é fortemente ideologizada, de tal forma que entra governo, sai governo e as coisas continuam do mesmo jeito, pois todos têm sido incapazes de resolver essa situação. Também, pudera. Com estabilidade de emprego, servidores da educação fazem gato-sapato, saem absolutamente impunes de suas greves, há tolerância máxima a comportamentos inaceitáveis e eles agem como donos das escolas — coisa típica de estado tomado pelos seus servidores. É a máquina defendendo os próprios interesses e de grupos específicos de forma escandalosa e impune. Registro que comento de maneira genérica, mas existem milhares de bons professores e alguns reitores que cumprem o seu papel de modo ético e responsável.

Meu inconformismo e minha indignação são provenientes das medidas tomadas pelos três poderes, medidas estas que privilegiam interesses próprios em detrimento do resto da sociedade, os cidadãos comuns pagadores de impostos. Fico indignado porque o estado quebrado do Rio de Janeiro concede aumento de 11% para governador, governador afastado e secretários, porque a União paga R$ 33 bilhões de calote de estados e municípios, porque o Brasil deve e não paga R$ 2,5 bilhões a organismos internacionais, porque rasgou R$ 160 bilhões nos últimos dez anos com as estatais dependentes, porque 1.600 servidores se candidatam apenas para obter licença remunerada, porque a Câmara dos Deputados não põe em votação projetos prioritários para o país, porque o projeto de privatização da Eletrobras está parado há 14 meses no Congresso, porque o STF solicita 7 mil vacinas para seus servidores e familiares, porque o dinheiro do Fundeb para a educação básica é desviado nas prefeituras e, como sempre no Brasil, sem nenhuma consequência, porque cinco capitais aprovaram reajustes para seus prefeitos e secretários no momento em que o país passa por forte crise, porque o Ministério Público de Mato Grosso gasta R$ 2,4 milhões em compra de smartphones e porque estão enterrando a Operação Lava Jato.

Mesmo assim, acredito no futuro do Brasil, acredito na próxima geração. Teremos eleições em 2022, o eleitor é mais bem-informado e deverá votar melhor. Mas, acima de tudo, espero que o país possa, o mais breve possível, ser governado por políticos que compreendam a importância das ideias liberais. Precisamos dar esta chance ao país. Mais do que de mudança, precisamos de transformação. O modelo social-democrata no Brasil demonstrou ser ineficiente, e a maior prova disso é a situação em que nos encontramos, a bagunça em nossas contas, mais de 30 partidos políticos hoje com representação e mais de 70 em fase de registro, a relação e o atropelo entre os três poderes, o ativismo judicial, e estatais ineficientes que valem R$ 1 trilhão e poderiam resolver nosso problema fiscal e de caixa. Espero que não joguem a culpa na já muito politizada pandemia de covid-19.

Leia também “A Constituição do atraso”


Salim Mattar é empresário e fundador da Localiza. Comandou a Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, órgão do Ministério da Economia, de janeiro de 2019 a agosto de 2020. Entusiasta da causa liberal, criou os institutos de Formação de Líderes em vários estados, além de apoiar cerca de 120 outros institutos espalhados pelo Brasil.

 

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43 comentários

  1. A objetividade cirúrgica de seus comentários é admirável!
    São muito importantes para o esclarecimento e a formação de uma opinião realista e sólida a respeito do panorama político nacional!

    1. Grande Brasileiro torço para que ele continue a propagar as ideias liberais e se anime a escrever com uma certa frequência aqui ou aonde lhe der prazer para podermos beber suas as palavras, ideias, pensamentos e analises …

      1. Conseguiu fazer um resumo, digamos um “apanhado” geral de tudo o que acontece no momento em nosso país e não se esqueceu da relação nefasta da social-democracia e de sua péssima Constituição (precisaria de um longo artigo só pra falar desta) com tudo o que nos afeta hoje: altos tributos, corrupção generalizada, má gestão, etc…

      2. Excelente texto e concordo contigo na indignação. Absurdos 35 anos de insistência no errado.

      3. Texto primoroso comentando os 35 anos do ET(estatismo brasileiro) que tanto nos aflige. Não devemos esquecer do grande monstrengo criado anteriormente chamado BRASILIA.

    2. Salim Mattar precisa estar presente na mídia sempre que possível. Artigo tão bom quanto sua recente entrevista na Jovem Pan no programa do Augusto Nunes, que foi um show.

      1. Esse é igual ao nazista neoliberal Bolsonaro que quer o Estado só pra si, sem exonerar o direito do povo pagar impostos, discurso neoliberal adotado por muitos pobres de direita que não tem dinheiro pra comprar nada no mercado mas adota o discurso pra se sentir da elite hehehehe!!

      2. O fato de sua opiniao ser a unica destoante me confere uma esperança no futuro da nação, que espero nao contar consigo


      3. Em 2018 o IBGE fez intenso levantamento que, por si, já diz tudo sobre todos Pres. entre 1985 e 2018…

        100 milhões de brasileiros sem moradia digna, sem água tratada e sem esgotamento sanitário…
        Esta é a Herança deixada para o próx. pres. [Jair Bolsonaro]…

        Lembrando que todos se comprometeram até com Órgãos Internacionais, de Solucionarem essa Vergonha.
        Há centenas de post’s no Google sobre essas e outras mazelas… Segue um:
        ONU diz que R$ 200 bilhões são desviados por ano no Brasil
        https://espaco-vital.jusbrasil.com.br/noticias/215851559/onu-diz-que-r-200-bilhoes-sao-desviados-por-ano-no-brasil

        Mas, má gestão, corrupção, obras sucateadas e superfaturamento, exauriram a Economia nesses 33 anos em 9 trilhões a preços correntes.

        https://observatorio3setor.org.br/noticias/abandonados-100-milhoes-de-brasileiros-nao-tem-coleta-de-esgoto/

      4. Esse aí deve ser da “zelite” dos barnabés parasitas…

  2. Parabéns Salim, tive o prazer de assistir sua entrevista no programa “Direto ao Ponto” do nosso Mestre Augusto Nunes. Ficou muito claro seu desencanto com o stablishment, não com todos, mas com a grande parte dos integrantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário (sabemos quem são a maioria deles).
    Estatização, nem pensar! Sabíamos que o domínio dessa casta é fortíssimo, mas sua entrevista foi plenamente esclarecedora, ficamos conhecendo um pouco mais da podridão desse antro e do poder desses funcionários chamados de “primeira categoria”. O mais triste de tudo isso é como vc. colocou: a curto prazo não há solução, a única esperança são as gerações futuras que “poderão mudar esse cenário através do voto”; quem sabe, os nossos bisnetos, trinetos, etc. …. desanimador..

    1. Parabéns Sr. SALIM!! Amei sua entrevista no “Direto ao Ponto” do nosso querido Augusto Nunes e agora esse seu artigo. Comungo com suas ideias e mesmo diante desse quadro desastroso que foi mostrado pelo senhor, das entranhas do poder e que não é tanta surpresa para nós e veio mais uma fez reforçar podridão por trás dos bastidores desse teatro dos horrores e que agora o sr viu de perto e de dentro.
      Tudo, não podemos desistir e mesmo que seja para as próximas gerações de mudar tudo isso para a luz e não as trevas que vivemos neste país com todos esses personagens dessa peça macabra!! Um grande abraço e conte conosco!!

  3. PARABÉNS, Salim Mattar, parabenizo-o em caixa alta para tentar expressar a minha imensa satisfação em ler seu artigo, em perceber sua frustração, e em compartilhar de sua esperança de que o Brasil precisa de “uma chance”. Por favor, continue com seus artigos… Muito obrigada.

  4. “Precisamos de soluções privadas para problemas públicos” – merecia ser colocada em um outdoor na Praça dos Três Poderes.

  5. Sou pessimista: a próxima geração é pior que a anterior. Cérebros lavados pelo gramscismo paulo freireano desde o maternal. Dias piores virão para o Brasil e para o mundo.

    1. Concordo. O horizonte é sombrio. Capturadas pelo assédio ideológico e adaptadas ao controle social, as novas gerações não parecem aptas a resistir ou reagir ao sistema totalitário, globalista e progressista que se impõe. Aliás, não apenas os mais jovens, mas muitos adultos foram abduzidos pela preguiça do pensamento pouco reflexivo. Preferem a infantilidade e se mantém cada vez mais distantes da realidade.

  6. Precisamos de pessoas com outro espírito e muita gana para brigar no congresso e lutar por mudanças dos costumes entranhados nos pilares de Brasília, desde a sua fundação. Precisamos eleger pessoas que parem de lutar por categorias. A minha vida toda ouvi que tínhamos que lutar por essa ou aquela categoria. O dia que pararmos de pensar e fazer isso, conseguiremos nos libertar de quase tudo o que tanto nos envergonha. Precisamos votar em pessoas que tenham uma inteligência emocional capaz de convencer mais e mais colegas a fazer o bem para a maioria do povo brasileiro e não mais para privilegiar categorias.

  7. E imaginar que acreditei nesse governo para seguir essa pauta liberal. Mas não vamos perder a esperança e tentar votar melhor nas próximas eleições. Belo texto.

  8. Irretocável. Sou sua admiradora incondicional. O texto , a argumentação, a clareza e a retórica não me decepcionaram. Precisamos das suas ideias. Estamos em uma geração perdida e só discordo do Sr: ficará pior. Sinto pelos meus netos ,o país que lhes abrigará. Não estarei aqui para ver.Até porque já vi de tudo neste desmando. Obrigada.

  9. Salim,
    precisamos divulgar sempre que puder uma verdade que “sentiu na pele” durante o período em que esteve no governo:
    “É inútil eleger apenas um presidente comprometido com mudanças. Ele e seu ministro não vão conseguir executar nada se não tiver uma maioria parlamentar, dai ser, absolutamente necessário, eleger – alinhados ao presidente – um número de parlamentares que possibilite a implementação das medidas legitimadas nas urnas”.

  10. Salim é certeiro em apontar os nossos problemas e as suas causas. Resumindo, o país está preso por uma rede de vigaristas e mal intencionados. Salim deve continuar nessa luta para uma nação decente. O brasileiro comum – o trabalhador e pagador de impostos e dos salários desses milhares de inúteis – deve ser encorajados a apontar o dedo para esses fulanos e dizer claramente: “você é vagabundo, com todas as definições dos dicionários”. Apesar das dificuldades do atual governo, ainda acredito que 10% de Bolsonaro vale mais do que 100% do bando de carniceiros.

  11. Infelizmente já não consigo mais sonhar com um Brasil mais justo, a única solução para mudarmos alguma coisa é escancarar ainda mais a roubalheira que crassa em Brasília e torcer por uma nova revolução pra ontem. Estamos sendo engolidos e nada estamos fazendo.

  12. Perfeito. Construímos um país com base socialista e como era previsto, fracassamos. Seguindo os ensinamentos de Gramsci, a esquerda ocupou áreas estratégicas do estado e estamos assistindo o que está acontecendo com o país. O Brasil tem vocação liberal.

  13. Se levamos 35 anos pra chegar a este estado de destruição, é de se supor que levaremos mais de uma legislatura para reverter, portanto tenhamos ânimo e vamos à luta. Já vencemos algumas batalhas, como a reforma trabalhista, da Previdência, fechou o envio de dinheiro a ONGs ambientais, à mídias. O diagnóstico é duro, mas há esperança!

  14. Salil Mattar,
    Compartilho de sua indignação todos os dias.
    Povo submisso, privado de educação, saúde e de informação dá nisso.
    Externamente país que não tem bomba é achincalhado pelos países ricos.

  15. O Brasil precisa parar de se apoiar em extremos !
    Precisa de um governo de centro, que dê chances para a esquerda e para a direita se ajustarem e repelirem os salvadores da pátria, de um lado ou de outro.
    Temos que dar educação e informação de qualidade aos menos favorecidos, para que não pensem nem com o estômago e nem com falsas informações !
    Aos mais favorecidos, mais vergonha na cara, menos protecionismo e menos corporativismo !
    Somos um país rico !

  16. Grande Salim, ainda faltou dizer sobre a dificuldade para empregar as pessoas, a atrasada CLT e a máquina gigantesca das Justiça do Trabalho. O Brasil é responsável por mais de 90% das ações trabalhistas do Mundo. A Justiça custa mais que o contencioso que ela defende.

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