Demônio para quem precisa

É ininterrupto o satanismo de 'video game' contra o monstro do Planalto

Sem querer estragar o video game de satanismo contra o Lúcifer do Planalto, vamos dar uma olhada nas circunstâncias reais. Até porque Bolsonaro vai passar, como passaram Lula, FHC e outros (e se ficam por aí como almas penadas fazendo lobby pendurados em mordomias de ex-presidentes é outra conversa). É até compreensível que você precise de um Lúcifer cenográfico para vender a sua fantasia de resistência e dar substância ao seu placebo moral. Mas, sem querer cortar a onda, vamos falar um pouco da realidade que teima em subsistir por trás da sua exuberante cenografia de revolução infantojuvenil.

Um presidente não é nada. No máximo é um símbolo. O que interessa para os que não têm tempo para indignação de video game são as ações de um presidente. Portanto, o seu governo. Não é fácil analisar um governo — nem mesmo os próprios presidentes são capazes de fazê-lo com a devida abrangência. Mas há os sinais principais de uma gestão, e aí se pode ter, desde que não se troque honestidade por panfletagem, uma boa pista sobre o que representa um presidente para o país.

Muitos achavam o candidato Bolsonaro um político caricato, aparentemente representando um segmento restrito e gerador de polêmicas. Normal. A maioria da população viu nele outra coisa — uma boa possibilidade de representação — e o elegeu presidente. Ponto. Ou melhor, vírgula. Era preciso então ver que tipo de representação seria essa. Olhar para o novo governo com honestidade. É o que muita gente continua se recusando a fazer, preferindo estacionar na caricatura pregressa do presidente. Vamos dar uma olhada na gestão do governo federal 2019-2020, falando baixo para não atrapalhar o fetiche sadomasô.

Problemas não faltam. No momento em que o Supremo Tribunal Federal age ostensivamente de forma política, sempre forçando o ambiente na direção das pautas demagógicas do petismo e congêneres (a maioria da Corte foi indicada por Lula e Dilma), Bolsonaro indica um ministro aparentemente afinado com essas diretrizes. É cedo para uma avaliação consistente, mas não é cedo para desconfiar de que foi uma má escolha.

O mesmo acontece em relação ao procurador-geral da República — aí ressalvando-se que o presidente tinha opções limitadas. Ainda assim, o procurador-geral por ele indicado investiu tão rápida e acintosamente contra a Operação Lava Jato, ao menos no discurso e nas ações iniciais, que se tornou absolutamente legítimo esperar más consequências dessa escolha.

Os líderes do governo no Congresso também foram escolhas duvidosas. Um quer porque quer parar tudo no meio do caos pandêmico para fazer uma Constituição nova. Outra saiu e aderiu ao satanismo de video game contra o monstro do Planalto. Mas nada é significativo nessa avaliação sem olhar para resultados. E o principal resultado na relação do governo com o Congresso é a aprovação em menos de um ano da reforma da Previdência — aquela que dez entre dez especialistas sérios diziam ser o passo essencial para o país reabrir seu futuro. E que uma vez aprovada passou a ser considerada por nove entre dez especialistas mais ou menos sérios como uma coisa trivial, caída do céu.

A reforma da Previdência não caiu do céu. Foi formulada e proposta pela equipe comandada pelo ministro Paulo Guedes (que também não caiu do céu), depois de ampla campanha de esclarecimento no Brasil e no exterior — ação geradora do apoio político fundamental para o prosseguimento de um projeto complexo e dependente de sacrifícios. Aí a reforma passou a ser negociada ponto a ponto com o Parlamento — o que realmente é de estranhar, em se tratando de um governo fascista diabólico. A resistência de video game ouviu falar de democracia, mas não ligou o nome à pessoa.

A relação com a maior parte da imprensa é péssima e o presidente faz questão de ser hostil a vários dos veículos de comunicação tradicionais. Também é fato que os referidos veículos enviesaram seu noticiário para descredenciar o presidente, chegando a insistir em teses bizarras como a da eleição fraudada por manipulação de WhatsApp. Ainda assim a liberdade de imprensa esteve em plena vigência nesses dois primeiros anos e o governo não exerceu nem incitou a embargos ou censuras.

Sempre que apareceu de algum gueto referência a cerceamento de instituições — em alusões a medidas autoritárias como o famigerado AI-5 — o presidente desautorizou imediatamente, sem nenhuma brecha para interpretações indiretas. “Quem fala em AI-5 está sonhando”, disse Bolsonaro.

O governo teve o seu poder de comandar o enfrentamento da pandemia cassado pelo STF — que decidiu ser dos Estados da federação a autoridade pela política de segurança sanitária. Houve todo tipo de abuso, como o desvio de verbas emergenciais — o chamado Covidão, que acarretou o afastamento do governador do Rio de Janeiro e a prisão da secretária de Saúde do Amazonas. Claro que quando o colapso se consumou em Manaus a resistência cenográfica acordou para o problema e correu para o seu video game satânico contra o culpado por todos os males da nação.

Já o cronograma do programa de vacinação conduzido pelo Ministério da Saúde é bastante questionável, considerando que as vacinas disponíveis se encontram em fase experimental, sem ter por exemplo estudos suficientes com idosos (ver Anvisa) — justamente os mais vulneráveis e que justificariam uma campanha de imunização emergencial. O governo cedeu às pressões políticas em favor de vacinas incipientes.

Foram dois anos sem escândalos de corrupção envolvendo o governo federal. Como termo de comparação, só no primeiro ano de Dilma Rousseff foram seis — acarretando a queda do número equivalente de ministros. A grande imprensa fez um bom trabalho denunciando as negociatas, mas não transformou Dilma em alvo permanente. Um dos principais escândalos de 2011 envolveu o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), atualmente recebendo um choque de gestão e transparência comandado pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas — uma das várias escolhas técnicas de Bolsonaro para o primeiro escalão.

Há incertezas sobre o programa de desestatizações — e o andamento da pauta de privatização da Eletrobras vai mostrar se o governo está firme nessa agenda (depois de mais de R$ 150 bilhões em ativos desestatizados) ou se está sendo travado pela máquina, o que seria uma derrota importante. É continuar observando o melhor possível, para apontar os erros e os acertos.

Não é um video game. E, se você estiver em busca de estética, vá ver uma série e pare de sofrer.

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29 comentários Ver comentários

  1. A demonizacao de Bolsonaro (que representa 57 milhoes de pessoas) nao reside nas peculiaridades de seu carater, nem na sua sinceridade contundente, nem no seu conservadorismo de costumes. O repudio a ele se deve aos cortes nas maracutaias com as verbas e cargos publicos. No corte da sangria de dinheiro para os meios de comunicacao. Na desarticulacao da forca hegemonica doutrinadora que estiola o sistema educacional brasileiro. Em suma; no enfrentamento do parasitismo do estamento burocratico que suga as energias dos Brasileiros. Os vermes reagem vigorosamente aos agentes que intentam expulsa-los.

  2. Por isso mesmo, sou seu fã e o assisto todos os dias no programa da Jovem Pan: OS PINGOS NOS IS …. Onde ele, Fiúza, mais o Vitor Braun, o Zé Maria Trindade e Mestre Augusto Nunes dão um show de AUDIÊNCIA E CREDIBILIDADE !!! Parabéns aos quatro mosqueteiros e a irmã caçula, Ana Paula Henkel.

  3. Falar em reforma por que todos que entram não atualizam a tabela do Imposto de renda que tá defasada há anos causando uma injustiça sem tamanho?

  4. Fiuza, parabéns, como sempre um texto ácido para quem não consegue enxergar um palmo na frente do nariz, ou ideologicamente como se fosse um Vascaíno assistindo a um Fla x Flu.

  5. Fiuza, genial como sempre!
    O Governo do PR JB pode ter seus equívocos, claro que sim, mas a questão é :
    É DE DIREITA CXCETE….erra tentando acertar, erra porque o PR é um homem que às vezes é sincero demais, falso é uma coisa que ele não é, é transparente até de mais às vezes, está sob ataque dioturno de todos os pseudo formadores de opinião, os rouanets da vida, as globoslixo, a esquerdalha toda…
    Quando se está sob fogo cerrado o tempo todo não é muito fácil nem raciocinar. Agora vem uns patetas, e gente de direita, falar “mas ele se juntou ao centrão” CLARO PATETA BOCABERTA ; esse é o modelo de governança que temos, um presidencialismo meia-boca, também chamado de coalizão, onde o PR da República não governa se não tiver apoio (e maioria) no Congresso.
    Isso se chama dançar conforme a música! O PR pode mudar isso? Não. Então esse tem que ser o caminho!
    Escreve aí….! O que importa é a linhagem política, ele é de DIREITA, liberalismo na economia, conservadorismo nos costumes!
    O resto é bobagem, o resto são as múltiplas facetas do globalismo / esquerdismo querendo empurrar goela abaixo da sociedade suas pautas bastardas…
    Simples assim!
    Fiuza …comprimentos à galera dos Pingos nos Is …. está sensacional!

  6. Está claro para quem não usa viseira que este é o melhor Governo dos últimos 70 anos no Brasil! Tem pautas para levar o país a outro patamar de desenvolvimento, conduzidas por uma maioria de ministros muito qualificados e bem intencionados. Se o Brasil não caminhou mais foi por culpa da politicagem podre que ainda domina a Câmara e o Senado, presídidos por dois representantes TOP da política indigente e anti-nação. E ainda apoiados por ministrécos petistas alocados no STF e uma #ImprensaLixo interessada na volta do status quo da era petista, onde o dinheiro roubado do país “comprou opiniões” de pseudos jornalistas por 15 anos. Amanhã o país estará livre do Rodrigo Botafogo Maia e Davi Alcolumbre, e a esperança é a de que o novo comando leve à frente as propostas do Governo Bolsonaro, engavetadas por dois anos. É a chance do país realmente subir de patamar.

  7. Hoje é fácil ver como FHC foi leniente com a tomada de setores públicos por parte de PeTralhas e assemelhados, Com Luiz da Silva e Dilma eles foram ao Olimpo. São 22 anos!
    Se, por lógica partidária, almejavam se apoderar da máquina pública, passaram a se sentir depositários de vontade suprema- mesmo da aparelhada, q está logo ali, na outra praça- com apoio da mídia corrupta e o subjugo de instituições como Autarquias, Estatais, OAB, Academia e etc. Subjugaram o Estado brasileiro. O texto de Fiuza é adequadamente ponderado, politicamente moderado e… preciso. Valeu, Fiuza!

  8. Tchê, como se diz aqui no sul “preteou o zóio da gateada”. Entre um pouco na nave espacial do pensamento (que voa mesmo) e transe com uma hipótese interessante para se discutir nas nuvens. Já pensou se o Brasil fosse o primeiro na vacinação em massa e distribuísse 150 milhões de doses em trinta dias, como desejam os unicórnios de plantão? Numa pequena amostragem já vimos de tudo: falta de oxigênio, falta de leitos, falta de respiradores, falta de dinheiro, desvio de verbas para o combate a pandemia, roubo de doses, falsas vacinações, fura-fila, vacinas perdidas por falta de luz, falta de freezers, falta de gente capacitada (há déficit enorme na saúde), governadores e prefeitos planejando quem deve ser privilegiado na primeira fase, na segunda, etc… E tem mais os problemas invisíveis: hospitais no Serasa, salários atrasados, greves de funcionários e terceirizados, falência de empresas terceirizadas, ambulâncias quebradas, sem manutenção, estacionadas num depósito qualquer, gestão hospitalar em despreparo desde o chefe de estoques e insumos (almoxarifado), falta de relatórios confiáveis, pois já surgiu processos com investigação em manipulação de dados, pessoal em postos´chave, sem preparo, mas com CCs garantido porque são cabos-eleitorais ou indicações de amigos, amigas, amantes e do covil dos diretórios políticos. Imagina se alguma logística funcionasse com a remessa de milhões de vacina em pouco tempo? Não vou falar em outros 300 problemas porque sei que o Fiúza gosta de texto curto. Quem entendeu, entendeu. Quem não entendeu, boa viagem na cápsula do sono profundo.

  9. Mt bom artigo, Fiuza. Infelizmente, boa parte da imprensa decidiu fazer militância político-partidária em vez de jornalismo. Ficar sem assistir veículos de comunicação como Globo ou ler jornais como Veja, Folha e O antagonista, por exemplo, é preservar-se da desinformação.

  10. Excelente artigo. As mesmas vozes que gritam contra o atual governo, são as mesmas que se locupletaram ao longo desses últimos 35 anos.

  11. Mantendo sempre o mesmo norte, mais um vez o comentário é pertinente e atual. O Governo Bolsonaro é sem dúvida o melhor governo que País já teve desde que as eleições são livres. Só não é melhor graças ao STF, a imprensa marrom e os políticos sem estrutura moral e sem caráter do jaez de Rodrigo Maia e David Alcolumbre, e outros despeitados políticos, como Doria, o playboy da 3ª idade, e outros oportunistas de menor expressão.

    1. Essa lista, a dos que querem ver a ruína do governo Bolsonaro, vai muito mais longe. Coloque aí 90% dos partidos políticos: PSOL, PT, PCdoB, PSDB, DEM, REDE, SOLIDARIEDADE, PSL e vai por aí afora; acrescente os movimentos sociais MST, MTST, ONG’S AMBIENTAIS; todas as UNIVERSIDADES FEDERAIS do país; a grande maioria dos servidores públicos contratada nos governos do PT; todos os jornais e televisões, blogs e revistas da internet que tiveram suas verbas cortadas pela raiz no governo Bolsonaro; os artistas que tiveram suas verbas milionárias da lei Rouanet zeradas, enfim, todos aqueles que deixaram de mamar nas antes gordas tetas dos governos do PT e do PSDB, e são milhões !!, são hoje os que querem detonar o governo atual. Fiquemos atentos para 2022, que a pressão vai aumentar.

  12. Análise muito justa. Concordo em gênero, número e grau. E torço para que o Governo Bolsonaro consiga fazer o máximo que puder pelo bem do país. Nem se Haddad tivesse ganho eu torceria para o Brasil ir para o buraco. O povo do outro lado do Muro de Berlim deveria muito ler seus textos.

  13. Nesse jogo de Xadrez, o mais importante é que o povo de bem (peões),maldosamente chamado de “gado” por gente da estirpe desses jornalistas em decadência, cooptados pelas orcrims oficiais que ainda aparelham o estado, está pronto para acudir o seu Rei, caso se arremede um golpe ainda mais baixo, do que desrespeitar o voto dos espectadores.
    O meu sonho é ver toda essa imprensa suja, membros do STF que defendem bandidos, funcs públicos infiltrados e traidores da pátria, descendo ralo abaixo.

    1. Mario, acredite, aqui nos EUA foi a mesma coisa contra o Trump. Como não conseguiram o seu impeachment calaram-se ante uma fraude vergonhosa.
      Preparem-se para 2022.

    1. Érico, discordo de você em uma coisa: Grande imprensa uma ova !!! Atualmente é uma imprensa marrom, escrota, totalmente esquerdopata, conivente, complacente e leniente com o que há de pior: A corrupção, a mentira, o descrédito, a arrogância. Um verme rastejante, ignóbil e amoral … Globolixo, CNNlixo, Vejalixo, IstoÉlixo, Épocalixo, Foicedesplixo, Estadãolixo … Escória infinita … #FECHADOCOBOLSONAROHOJEAMANHÃESEMPRE

  14. Chega a ser nojento, asqueroso, mesmo, o que a maioria da dita “imprensa” têm feito em desfavor da pessoa Jair Bolsonaro! Fuçam em tudo, em cada passo ou vírgula por parte do presidente. E a sinfonia está bem alinhada! Basta ver que as “notícias” sempre vão no mesmo tom, coreografada! Certamente, o corte de gastos publicitários da ordem de 60% foi o pontapé inicial pra essa perseguição desenfreada e absurda. O Grupo Globo, por exemplo, se não fosse a pandemia pelo Covid-19 e Jair Bolsonaro, seu departamento de jornalismo (ou seria “jornazismo”?) estaria falido, pois não teriam outros assuntos mais relevantes pra se noticiar! É lamentável o viés ideológico político-militante que essa imprensa, tão honrada e confiável, tenha jogado seu crédito no esgoto da história! Triste, muito triste!

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