O alerta do tango argentino

Quem bate panela contra Bolsonaro, e não contra o STF, pode até não saber, mas quer o PT de volta e mira o péssimo exemplo que vem da Argentina

O Foro de São Paulo conseguiu chegar ao poder em vários países latino-americanos em curto espaço de tempo, lembrando que sua missão, de acordo com os fundadores, é resgatar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu no final da década de 1980, ou seja, o comunismo. Essa esquerda radical teve êxito completo em ao menos um país, a Venezuela, que é a grande vitrine do “socialismo do século 21”.

Como Trump já apontou, a Venezuela não é o socialismo que deu errado, que se desviou de seus propósitos, mas sim aquele que deu certo, que foi implementado exatamente como os comunistas pretendem. O resultado é este, invariavelmente: caos, miséria e muita opressão sob uma ditadura. Foi assim em todo experimento socialista do século 20 também, e não tem como ser diferente.

Outros países viveram situações intermediárias, como Equador, Bolívia, Brasil e Argentina. No Brasil, o impeachment de Dilma Rousseff, liderado pelo “centrão” fisiológico e com forte pressão popular das ruas, impediu o pior. Na Argentina, a eleição de Mauricio Macri reverteu a tendência acelerada rumo ao modelo venezuelano.

Mas Macri fracassou. Afastou-se da agenda liberal de reformas, não teve força para combater o sistema, e acabou permitindo a volta dos representantes do Foro de SP. Cristina Kirchner, esposa do falecido presidente Néstor Kirchner, que liderava o movimento no país, escolheu ser vice na chapa, colocando como candidato a presidente uma espécie de poste para dar aparência de maior moderação. Alberto Fernández é tido como fraco, e todos sabem quem controla o poder de fato.

O paralelo com o Brasil que se aproxima em 2022 é assustador. Com literalmente centenas de denúncias de corrupção, e suspeitas até de envolvimento no assassinato do promotor Alberto Nisman, o fato é que Cristina conseguiu se esquivar da prisão, contando com aliados poderosos em altos escalões do Judiciário. Com a perda de popularidade de Macri, e uma mídia em parte saudosa dos anos vermelhos, um centro fragmentado acabou servindo aos propósitos kirchneristas.

Roberto Lavagna, ex-ministro da Economia, surgiu em cena como “terceira via”, e encantou parcela da imprensa. A força eleitoral de Lavagna, segundo a mídia, tinha origem em parte na exaustão que os argentinos sentiam em relação a Cristina e Macri. Pesquisas apontavam quase 15% de intenção de votos para a alternativa aos “extremos”, assumindo que Macri representasse de fato algum extremismo semelhante ao Foro de SP, o que é absurdo.

Tem colunista de jornal confundindo torcida com análise

Na prática, a candidatura de Lavagna serviu somente para tirar votos do próprio Macri, e eleger o poste de Kirchner. Ele teve cerca de 6% do total, basicamente a diferença entre Fernández e Macri. Os jornalistas, com claro viés de esquerda, comemoraram. No Brasil, formadores de opinião chegaram a demonstrar “inveja” da Argentina no começo da pandemia, pois ali, sim, havia um presidente de verdade, ao contrário do Brasil.

O resultado concreto: a Argentina é líder de óbitos por habitante na região, mesmo com o lockdown mais severo de todos, e teve uma queda da atividade econômica superior a 10% em 2020, mais que o dobro do Brasil. Além disso, os passos rumo ao comunismo seguem acelerados, com o governo explorando a situação de crise para controlar mais e mais as empresas no país. O destino argentino é um tango com final triste. Basta olhar para a Venezuela.

Agora vamos analisar o Brasil. Lula contou com companheiros supremos para sua soltura, numa reavaliação da Constituição sobre prisão em segunda instância, e depois com canetadas supremas para garantir sua elegibilidade. Em outra reviravolta do STF, o juiz que o prendeu foi considerado suspeito, por ministros indicados pelo próprio Lula. José Dirceu, o agente cubano e cabeça do PT, ameaçou que voltariam ao poder, e não necessariamente pelas urnas. Dito e feito.

Enquanto isso, os “moderados” tucanos preferem bater panela contra Bolsonaro, acusado até de “genocida” por alguns. FHC, líder tucano, já declarou que escolhe Lula se a única opção for Bolsonaro. Vários “liberais”, que se transformaram em antibolsonaristas histéricos e demagogos, sinalizam que ficarão neutros se houver um segundo turno entre o petista e o atual presidente. Com a campanha maciça da imprensa demonizando Bolsonaro, sua popularidade foi afetada e o desgaste é evidente. O sistema trabalha pela volta do Foro de SP, eis a constatação.

Os tucanos e suas adjacências velhas ou “novas” acreditam que podem culpar o presidente por cada óbito na pandemia, pela crise econômica, por tudo de mau que ocorre no país, que terão o caminho do “meio” livre para avançarem. Uma colunista do jornal O Globo chegou a escrever que “cresce a avaliação de que Bolsonaro pode ficar fora do segundo turno em 2022”, confundindo torcida com análise.

Se Bolsonaro disser que beber água é saudável, no dia seguinte a manchete dos jornais será sobre o caso de um sujeito que bebeu água demais e morreu. Se ele disser que pegar sol é importante, emissoras farão reportagens longas sobre câncer de pele. Estamos nesse nível. Mas essa militância tucana não se dá conta de que esse “centro” tem chances quase nulas no ano que vem, inclusive pela postura sensacionalista na pandemia e pusilânime contra o petismo.

Quem bate panela contra Bolsonaro, e não contra o STF, a demagogia oportunista dos tucanos e a postura abominável da mídia abutre, pode até não saber, mas quer o PT de volta. Está se esforçando para mirar o péssimo exemplo argentino. Essa turma talvez até mereça um destino trágico desses. O problema é que todos os demais brasileiros não merecem…

Leia também “O populismo pobre da Argentina”

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30 comentários

      1. Constantino, fico feliz com jornalistas como você, que dão voz a tanta gente como eu, perplexa com os rumos do nosso Pais.

  1. Pouca coisa a dizer dos argentinos.Bolsonaro deve continuar agindo como um presidente forte e imune às críticas da mídia tresloucada. Impressionante a ignorância da maioria dos jornalistas das TV e jornais( não leio jornais faz anos..Barbudo e seus bandoleiros , além de cheirarem mal , não tem berço

    1. Concordo com o colunista.
      Está fácil de perceber o que a velha midia, stf, e os partidos de esquerda estão armando contra o país.
      Armando na cara dura, ignorando as leis, a constituição.

      1. Parabéns Constantino, excelente artigo.Aqui ninguém fala do que ocorreu de fato com a Argentina, empobreceu,o povo chegou a desenterrar carnes podres para não morrerem de fome.Acredito que a miséria se estendeu a quarenta por cento de sua população.Nao podemos deixarque essa situação seja exemplo para brasileiros.Em nossos supermercados fala-se muito o espanhol, será que vieram fazer turismo ou estão fugindo da calamidade do tango?

  2. É isso ai Constantino, e a última oportunidade para que não ocorra, é implantar urgente o VOTO IMPRESSO para não termos graves conflitos sociais em 2022. Creio que o Supremo não ignora isso, mas fez questão de recentemente declarar INCONSTITUCIONAL a Lei aprovada em 2015 pelo Congresso Nacional porque segundo eles, “viola o sigilo e a liberdade do voto”. Assim e fácil declarar inconstitucional leis que proporcionam transparência das urnas eletrônicas. Dá para entender porque temem o VOTO IMPRESSO?. Não é RETROCESSO mas sim seguir com tecnologia e com AUDITORIA, não é CARO, porque seguramente custa menos que os penduricalhos do poder judiciário, e tampouco o BILHETE ENGASGA na impressora. Estas foram outras baboseiras comentadas pelos notáveis para declarar inconstitucional. Dá para entender?

  3. Tem alguns teus ex-colegas em veículos da região sul que não têm caráter. Quem fez panelaço é contra o que foi anunciado pelo Presidente: a construção de um projeto para produção em massa de vacinas e insumos para não dependermos de importação. Assim, como todos os anos teremos que vacinar milhões (bilhões no planeta) é urgente apoiar projetos desta magnitude que se pretende no Brasil. Quem fez o panelaço mostrou que é genocida, não é patriota e quer a volta de ladrões ao poder. Ser contra a produção própria de vacinas é cometer crime hediondo. Será que estão aplaudindo agora o Dória e o Butantã, ou também estão contra? Ah, o teu ex-colega diante de um comentário que fiz na postagem de um amigo (o fulano é mau caráter) mandou um e-mail pra mim me ameaçando perguntado se eu confirmava o que disse para os advogados dele tomarem providência. Ele nem me conhece e milhares de pessoas já o criticaram de maneira pior e ele queria escolher a mim. Como estamos em pandemia e tenho dificuldades para ir pra lá e pra cá fiquei com vontade de dizer pra ele abrir um processo, pois assim eu teria a oportunidade de provar o que eu disse. Você não lembra do que eu disse em e-mail quando ainda tinha coluna no dito veículo. Saudações. Você está rodeado de gente boa e direita.

  4. Análise perfeita, Constantino. Os isentões limpinhos elegeram Biden nos EUA, e o mesmo ocorrerá aqui. A turma antibolsonarista vai eleger seu adversário, independente de quem seja.

  5. Se isso tudo se confirmar, votaria em Bolsonaro. Temo, no entanto, que o próprio presidente tenha contribuído com tudo o que fazem contra ele. Suas muitas falas impensadas, apesar de corretas, e seu afastamento de muitas das pautas da campanhas ofuscou o que poderia ter funcionado muito bem.

  6. Perfeita análise, Consta !
    Os batedores de panela são inocentes úteis e trabalham pela volta dos ladrões ao poder, não necessariamente apenas o Lula, mas outros que tais; FHC já disse que votará em Lula se este ficar no 2º turno contra o Bolsonaro.Está aí a prova de que PSDB e PT não diferem muito um do outro.Já votei no PSDB, mas não o farei mais e, claro, muito menos no PT.Mas a grande mídia está fazendo a cabeça dos tais isentões para pôr qualquer um lá, desde que não seja o Capitão Bolsonaro.Só nos resta rezar para que este pior, muito bem prognosticado pelo Consta, não se confirme. Segura na mão de Deus e vai !

    1. FHC, Zé Antônio, fala em nome próprio. Nem ele, nem Dória, falam em nome dos tucanos, que votaram massissame no capitão, não só no segundo turno. Veja a votação no congresso, onde os tucanos, que não tem cargos no governo, aprovam os projetos do executivo, com mais fidelidade que os próprios partidos de governo.

  7. Excelente análise, o grande problema é que já estamos polarizados e a pessoa que deveria ser o Líder da Nação, que é o Bolsonaro, não consegue atuar como uma “pessoa normal”, ele constantemente se mostra insensível à dor dos demais, desrespeita leis básicas de convivência em sociedade e seus filhos estão preocupados em se tornar ricos enquanto estiverem no Poder…. o Poder subiu à cabeça e se não atuarmos teremos um retrocesso gigante no Brasil

    1. Pare de falar bobagem, esse seu discurso é velho. Você deve ter perdido alguma vantagem e não se conforma e continua a falar a mesma coisa, chega!

  8. A covardia q estão fazendo com Bolsonaro é algo estranho e intrigante. Deixar de receber as benesses do estado (dinheiro) fez essa turma louca se juntar , pq cada louco dessa turma sabe q voltarão a ter suas contas bancárias e salários na estratosfera , ao contrário dos simples mortais q voltarão a mendigar o pão com mortadela nas ruas dos pricipais Estados e a classe média outra vez carregará o fardo nas costas.

  9. Há alguns dias, a onbudswoman da Foice de SP, em reflexão com seus pares jornalistas chamava atenção à resiliencia de Bolsonaro em cair mais intensamente( sic) nas pesquisas. Conclamava os jornalistas a estudar o fenomeno e explicar possiveis razões para tal.
    Simples: jornalistas militantes subestimam o discernimento da maioria da população. Com tanto bombardeio gratuito ao presidente, com tanta bobagem e picuinhas expressas em seus artigos e comentarios ao vivo, boa parte da população desconfia que atras de tantos ataques, se esconde um motivo maior e perigoso. Alem disso, torna-se patente o desrespeito á escolha das urnas, sensação essa não captada pela pseudo inteligencia da midia..

  10. Por matérias e artigos como esse que eu assinei a Revista Oeste. Informações esclarecedoras. Todo brasileiro deveria ter acesso a esse tipo de jornalismo. Jornalismo profissional.

  11. É uma doença inexplicável. Mesmo depois da queda da URSS, da situação de pobreza de CUba após 60anos de socialismo, dos exemplos do Cambodja de Pol Pote e de inúmeros outros exemplos de que o comunismo/socialismo não dá certo, não cria riquezas, pelo contrário só as destrói, um batalhão de jornalistas ainda prega êsse regime nefasto, ainda deseja que seja implantado Brasil. Só pode ser uma doença incurável. Vade Retro!

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