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O Brasil liberal

O pensamento, a atuação e a visão de futuro de alguns dos expoentes do liberalismo no país

Há exato um ano, a Revista Oeste foi fundada, com base em sólidos alicerces. Entre eles, a defesa do pensamento liberal — e das liberdades: de expressão, política, religiosa e econômica. Em todas as edições, as reportagens e os artigos procuraram instigar seus leitores a esse debate, que se torna cada vez mais atraente no Brasil.

Não deixa de ser peculiar o fato de que, no atual momento, enquanto o debate acerca das ideias liberais ganha respeitabilidade por aqui, são ferozes os ataques a elas no mundo desenvolvido. O fenômeno já tinha sido previsto pelo economista e filósofo escocês Adam Smith (1723-1790). O liberalismo produziria um nível de riqueza tal que a própria insatisfação com o capitalismo se tornaria um produto. Sociedades com elevado grau de conforto instalado passaram a criar novas demandas subjetivas e, em consequência, novas insatisfações. Ao fim e ao cabo, entretanto, tudo vira “mercado” — mesmo as inquietações.

No caso do Brasil, como há tanto a construir, é natural — e positivo — que o liberalismo exerça fascínio. “Sempre que visito o país fico encantada com a energia dos jovens liberais”, disse Deirdre McCloskey, economista da Escola de Chicago. “Há notável disposição para fazer as mudanças necessárias em direção a uma sociedade cada vez mais livre, com mais espaço para os empreendedores.” Outro intelectual que se surpreende a cada visita é o psiquiatra britânico Theodore Dalrymple, colunista da Revista Oeste e um dos expoentes do pensamento liberal-conservador. “Na Europa, só velhos leem meus livros”, diz ele, dando risada. “No Brasil, há uma quantidade impressionante de jovens nas tardes de autógrafo, nas palestras, e todos querem debater até altas horas da madrugada.”

Para mostrar a seus leitores um pouco dessa realidade, Oeste conversou com políticos, filósofos, empresários, jornalistas, cientistas sociais, publicitários, artistas e profissionais das mais diversas áreas. Todos se definem como liberais. A seguir, o pensamento, a atuação e a visão de futuro de expoentes do liberalismo no país.

“A decisão do Supremo Tribunal Federal de tornar Sergio Moro parcial na condenação de Lula no caso do tríplex no Guarujá é a coisa mais previsível do mundo. A história do Brasil mostra que estranho seria se tivesse acontecido o contrário. As pessoas são muito idealistas, muito infantis. Você desejar um resultado diferente é uma coisa, ficar frustrado com o STF é ingenuidade. Discordo de Tom Jobim quando ele disse que “o Brasil não é para principiantes”. Até uma criança entende o país. Ele é tedioso de tão previsível. O fato é que quanto menos se esperar da política, melhor.”

Como resumir o pensamento liberal?

O liberalismo não é só o livre mercado. O essencial do liberalismo é o individualismo. Uma visão de mundo que muitos confundem com egoísmo, mas que na verdade é a responsabilidade pelas próprias escolhas. Em momentos de crise e de medo, como o que estamos vivendo, as pessoas estão mais dispostas a abrir mão de sua liberdade em troca de uma aparente segurança. Não vejo como ser cientista político e não ser liberal. Se você estuda política e sabe o que é o Estado, não tem como desejar mais daquilo. O problema é que temos economistas que querem economizar pouco e cientistas políticos que querem politizar tudo. Deveria ser o oposto.

Quais os maiores pensadores liberais?

Cito John Locke e Friedrich August von Hayek.

“Acredito que o Brasil tem solução. Essa motivação me tirou da indignação para a ação. Saí da zona de conforto e entrei na política por acreditar que posso contribuir para o processo de transformação de uma sociedade mais desenvolvida e com políticas públicas adequadas, com mais liberdade e oportunidades para meus filhos e as futuras gerações. Em Joinville, estamos criando políticas de livre mercado, simplificando processos e facilitando a abertura de empresas e a geração de empregos e renda. Também defendemos a criação de um programa de parceria público-privada para que o Estado possa se concentrar nas questões essenciais para o indivíduo: educação, saúde e segurança.”

Como resumir com clareza o pensamento liberal?

Se eu pudesse resumir o pensamento liberal em duas palavras, elas seriam “Estado mínimo”. É a defesa do indivíduo como agente de mudança e das próprias conquistas, limitando o poder do Estado sobre a liberdade individual. É a defesa dos direitos individuais, da igualdade perante a lei, da proteção à propriedade privada e do livre-comércio. O político liberal é aquele que foca sua atuação em políticas públicas voltadas para o que é essencial ao cidadão, provendo educação, saúde e segurança, e na criação de um ambiente adequado para que o indivíduo seja o protagonista de sua história e o agente de transformação da sociedade.

Quais os maiores pensadores liberais?

Não vou me referir a um pensador, mas a uma figura política que adotou práticas do liberalismo. Lembro o presidente norte-americano Ronald Reagan, que implementou políticas econômicas baseadas na oferta, política fiscal de livre mercado e procurou estimular a economia com grandes cortes de impostos. Além disso, foi um defensor da descentralização do poder. “O poder concentrado sempre foi o inimigo da liberdade”, dizia. Esse é um caminho de transformação viável e que permite posicionar o Brasil em outro patamar de desenvolvimento econômico e social.

“O Brasil esteve mais próximo de um projeto liberal de país durante o 2º Reinado, entre 1840 e 1889. Muito poderia ser dito sobre esse momento, seja no campo dos avanços do Estado de Direito, da Economia de Livre Mercado e do Sistema Representativo ou das contribuições teóricas dos conservadores e dos liberais. Pertencendo a vertentes distintas de um mesmo liberalismo moderado, ambos constituíram-se em torno do Partido Conservador e do Partido Liberal. Em essência, o distanciamento do Brasil dos ideais liberais se deve a dois fatores: um relacionado à mentalidade, o outro às nossas instituições políticas, jurídicas e econômicas. Esses dois elementos se retroalimentam mantendo a sociedade distante do liberalismo enquanto prática política que visa a aumentar a esfera de liberdade individual e reduzir o plano de intervenção estatal na vida dos cidadãos.”

Como resumir com clareza o pensamento liberal?

Aprendi que o liberalismo pode ser compreendido de três modos. Primeiro, como “visão de mundo”, de acordo com a qual a vida humana só faz sentido em liberdade. Segundo, como “doutrina política”, que ressalta a importância radical da defesa dos direitos do homem à vida, à liberdade e à propriedade, bem como das instituições que tornam possível a defesa desses direitos. Ou seja, o Estado de Direito, a Economia de Livre Mercado e o Sistema Representativo. Por fim, como “movimento político”, partidário ou não, que busca estabelecer na sociedade uma ordem liberal fundada nas instituições garantidoras desses direitos.

Quais os maiores pensadores liberais?

Os maiores pensadores liberais foram aqueles que, em momentos decisivos da evolução histórica do liberalismo, apresentaram as grandes respostas, corretas ou errôneas, aos problemas mais urgentes de determinado período. Entre eles, John Locke, Immanuel Kant, Adam Smith, Carl Menger, Edmund Burke, Alexis de Tocqueville, Lord Acton, John Stuart Mill, Ludwig von Mises e Friedrich August von Hayek.

“Ainda há resistência ao pensamento liberal nas universidades brasileiras, porque existe uma exigência de concordância, subserviência e vassalagem, que se opõem ao liberalismo. Pouco se cria, justamente por não haver liberdade. Um cita o outro, e assim sucessivamente.”

Como resumir o pensamento liberal?

É o que prestigia o indivíduo diante do Estado. Um político liberal é aquele que consegue enxergar o outro. Não adianta dizer que apenas respeita e ser educado se não está disposto a ouvir. Ele não atropela a divergência, pois coloca o indivíduo acima da causa. Um liberal de verdade jamais oprime ou constrange quem pensa diferente, mas sim deseja divergência de qualidade para aprimorar as próprias convicções.

Quais os maiores pensadores liberais?

Gosto muito da linha de Stuart Mill, com sua obra On Liberty. Fiquei fã de John Locke, ao ler sobre tolerância e respeito às individualidades. E aprecio Hobbes, autor de Leviatã.

“Quando estudava jornalismo na UFRJ, escrevi um artigo acadêmico sobre o pensamento de Carlos Lacerda a respeito do jornalismo. Quando tentei inscrevê-lo num congresso organizado pela universidade, tive o artigo rejeitado sem maiores explicações. Praticamente não há espaço na universidade para o pensamento liberal. Foi nessa época que enviei o texto para o Instituto Liberal e acabei virando colunista regular. Uma das funções do instituto é justamente a divulgação do pensamento liberal por meio da tradução e publicação de livros, artigos e revistas. Recentemente, lançamos duas séries nas redes sociais: “País dos absurdos”, que pretende mostrar o lado negativo do Brasil, e  “Brasil que dá certo”, para divulgar o que é positivo. O primeiro inclui, por exemplo, o fato de procuradores e juízes federais terem recebido mais de R$ 500 milhões em benefícios acumulados numa época em que a população está sofrendo os efeitos da pandemia de coronavírus. Ao mesmo tempo, só nos primeiros meses do ano, 15 empresas abriram capital na bolsa de valores. Não dá para focar apenas o que está ruim.

Como resumir com clareza o pensamento liberal?

O liberalismo é uma corrente de pensamento surgida na modernidade, que defende o indivíduo e os direitos individuais do arbítrio do Estado. Dentro desse princípio, o Estado ficaria responsável principalmente pela segurança e pelo Poder Judiciário. Existem liberais de vários tipos, os mais radicais e aqueles que eu chamo de “turma do chá das 5”, da qual faço parte. Esses últimos consideram oportuno que o poder público ofereça alguns outros serviços.

Quais os maiores pensadores liberais?

John Locke, considerado o pai do liberalismo; Friedrich August von Hayek, autor de O Caminho da Servidão, um dos clássicos liberais; Claude Frédéric Bastiat; e Edmund Burke.

“Estamos muito longe do liberalismo. Nossa Constituição não garante o pleno direito à propriedade, nosso Estado é inchado e custoso, nossos políticos basicamente legislam sobre proibições e regulações, nossas leis são obsoletas e não fomentam o empreendedorismo. O Estado brasileiro é gigante, ineficiente e sufoca a geração de riqueza e a prosperidade do cidadão. Agora, nem sequer temos direito ao livre pensar. Vide casos recentes de prisões e CPIs em nome da censura e com cunho persecutório. Precisamos urgentemente de líderes verdadeiramente liberais, bons oradores e de uma mídia que dê voz a esse pensamento.” 

Como resumir com clareza o pensamento liberal?

Liberalismo é uma forma de pensar e agir no campo econômico e governamental em que a interferência do Estado é mínima. A sociedade flui e se auto-organiza de forma espontânea, privilegiando o empreendedorismo, a meritocracia e o livre-comércio. Para os liberais, a liberdade individual está acima da liberdade coletiva. Um profissional de marketing liberal defende a ideia de que as pessoas tenham direito a fazer as próprias escolhas. Tendo a Liberdade acima de tudo, ele vai defender o direito ao contraditório e à liberdade de expressão como pilares fundamentais no campo da comunicação, sem cair nas teias ilusórias do politicamente correto.

Quais os maiores pensadores liberais?

Ludwig von Mises, Roger Scruton, Thomas Sowell, Jordan Peterson e Friedrich Hayek.

“Uma herança cultural de quase seis décadas de marxismo faz com que os liberais sejam minoria tanto nas universidades quanto na classe artística e na mídia. Isso acontece em praticamente todos os países do Ocidente. Cheguei a ter esperança de que a cena cultural polonesa não tivesse vestígios esquerdistas, mas autores poloneses com os quais tenho negociado para publicar seus quadrinhos no Brasil pela minha editora contaram que lá também é assim. Se já não é fácil ser artista no Brasil, ser um artista liberal é ainda mais complicado. Mas tomei isso como missão. Não tem mais volta, e acho que a cena só tende a crescer, mesmo diante de todas as dificuldades. O desafio é manter os produtores de conteúdo unidos e os fãs abastecidos. As possibilidades são gigantes; é preciso paciência para construir o mercado, pois ele existe e está sedento.”

Como resumir o pensamento liberal?

O resumo mais rasteiro, mas ao mesmo tempo o que mais me seduz, é a presença mínima do Estado. Para mim, isso é fundamental. Desprender-se das amarras de um Estado que o aprisiona e limita é o mais importante. O que caracteriza um autor liberal é justamente a independência de ideias e visões de mundo, o peito aberto para a liberdade total de pensamento e os direitos individuais de cada um.

Quais os maiores pensadores liberais?

Murray Newton Rothbard, Ludwig von Mises, Claude Frédéric Bastiat. Mesmo Raymond Aron sendo um liberal moderado, sinto carinho especial por ele, pois foi seu clássico O Ópio dos Intelectuais que me abriu a cabeça e resgatou do progressismo.

Leia também “Conheça o criador do primeiro herói de direita dos quadrinhos brasileiros”

“A princípio sou contra as restrições exageradas que estão sendo tomadas por prefeitos e governadores no combate ao coronavírus. Romeu Zema foi o governador que mais liberdade deu aos municípios para que decidissem como lidar com a pandemia. Não concordo com a decisão atual, mas ele se fez merecedor pelo menos do benefício da dúvida neste momento em que o colapso do sistema de saúde é uma realidade em seu Estado e as medidas restritivas foram intensificadas. Hoje, mais de 700 mineiros estão na fila por uma vaga em UTI, e isso não pode ser ignorado. De qualquer forma, espero que as medidas sejam revertidas nos próximos dias. Estamos no mesmo partido, concordamos com muita frequência, mas pensar igualmente ninguém pensa. Pessoalmente, não acredito que o lockdown gere os resultados que se propagam no sentido de salvar vidas, mas entendo que todo o cuidado com o vírus agora é fundamental.”

Como resumir o pensamento liberal?

O pensamento liberal não é homogêneo, e há diferentes formas de colocá-lo em prática. O liberalismo parte da ideia de que existem três direitos naturais do indivíduo: à vida, à propriedade e à liberdade — e que o Estado existe para defender esses direitos. Toda vez que o Estado extrapolar essa barreira, é preciso limitar seu poder. Prefiro não falar em Estado mínimo, mas em onde o Estado deve se fazer presente, como na segurança pública, e onde ele deveria estar ausente, como na economia. Empresas estatais, por exemplo, costumam servir mais a interesses políticos que à população. Elas só existem para manter benefícios e privilégios.

Quais os maiores pensadores liberais?

Destacaria Ludwig von Mises, Friedrich August von Hayek, Claude Frédéric Bastiat, Milton Friedman, além dos brasileiros Roberto Campos e Joaquim Nabuco. O livro A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, me influenciou tanto para sair da política quanto para voltar a ela. Decepcionei-me com as coisas como são, mas justamente por isso cheguei à conclusão de que os liberais precisam estar na política.

É difícil falar em liberalismo quando há uma intervenção do governo na Petrobras. O brasileiro já não tinha uma visão clara do que é ser liberal, e ver a bandeira sendo utilizada de forma incorreta pode causar uma deturpação do conceito.”

Como resumir o pensamento liberal?

Para mim, é a liberdade do indivíduo contra qualquer tipo de opressão, sobretudo a estatal, que interfere em áreas que não são de sua alçada. Defendo um Estado enxuto em comparação com o atual, mas que tenha como objetivo o bem-estar do cidadão. Durante a pandemia de coronavírus, ficou claro que ele tem um papel ao dar suporte, ainda que temporário, às pessoas em situação de fragilidade econômica. Para qualquer profissional, seja ele empresário ou não, ser liberal é ter a possibilidade de fazer escolhas sem a necessidade da tutela do Estado para definir o que você pode ou não fazer. Em linhas gerais, decidir e arcar com as consequências de suas ações.

Quais os maiores pensadores liberais?

Gosto muito do Milton Friedman, que apresenta com clareza o conceito da liberdade individual, de escolha e da necessidade de pensar o Estado para razões básicas.

“É preciso continuar levando o liberalismo às pessoas. Por séculos, nosso raciocínio, a política e as escolas se basearam em pensamentos ligados ao socialismo. Medidas pragmáticas pautadas no raciocínio lógico estiveram distantes da vida das pessoas, e o liberalismo traz isso ao mudar a forma como precisamos resolver os problemas da sociedade. Num primeiro momento, é difícil entender as estratégias de austeridade, porque o pensamento liberal não é imediatista. Para as pessoas, o mais fácil é ter a solução agora, e o Estado promete isso. Felizmente, hoje, vemos o liberalismo se expandindo. Já temos institutos, como o Mises, partidos, a exemplo do Novo, e veículos de comunicação que prometem defender o ideário.”

Como resumir o pensamento liberal?

O liberalismo defende os direitos dos indivíduos, como à vida e à propriedade. Ser liberal é defender o pragmatismo. É entender a realidade e não querer encontrar soluções fáceis para problemas complexos. Um político liberal enxerga a dificuldade e busca encontrar uma saída, ainda que difícil, através do indivíduo. Hoje, temos uma política baseada num Estado superprotetor, que acaba não cuidando de nada.

Quais os maiores pensadores liberais?

Ayn Rand, Ludwig von Mises, Milton Friedman e Friedrich Hayek. Clássicos, norteiam as pautas econômicas do liberalismo. Em meu ponto de vista, são fundamentais para compreender o ideário.

Ao escutarem sobre Adam Smith, Edmund Burke e Ludwig von Mises, alguns de meus alunos sempre comentam algo como “ora, então o capitalismo não parece ser tão ruim, né, professor?”. Tentando manter ao máximo minha neutralidade, apenas dou risada. O liberalismo surge como um elo entre a independência que eles estão começando a ganhar diante de seus pais e a que a sociedade já começa a cobrar. O jovem que tem contato com o pensamento liberal acaba empoderado com um combustível que se retroalimenta a partir da sensação de propósito, de objetivo a ser alcançado e, é claro, de manutenção da liberdade como valor inegociável.”

Como resumir com clareza o pensamento liberal?

O liberalismo é uma ideia política que, quando compreendida com profundidade, se torna condição e consequência da ação humana. É a tomada do leme da própria história, o abandono do vitimismo e da passividade ante a realidade em troca de uma postura ativa, participativa e madura. Um professor liberal respeita a liberdade do aluno para absorver seu conhecimento, e a melhor maneira de fazê-lo é oferecer a ele um banquete de ideias, conceituar os argumentos e deixá-lo espontaneamente escolher as vias que tomará para si e as que rejeitará. O Ocidente se fez no embate de ideias. Se há uma riqueza nessa tão batida “democracia” é sua mania de assegurar a pluralidade de pensamentos como arrimo de caráter e de grandeza da civilização.

Quais os maiores pensadores liberais?

Edmund Burke, Alexis de Tocqueville, Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek. Recomendo urgentemente Edmund Burke ao Brasil; trata-se de um bálsamo de sanidade e ponderação em tempos de extremismos e babaquices pintadas de inteligência.

“O modelo econômico brasileiro é um modelo de capitalismo de Estado. A própria Constituição de 1988 — promulgada um ano antes da queda do Muro de Berlim — é eivada da mentalidade socialista. Basta ver o índice de liberdade econômica. O Brasil está sempre na rabeira do ranking. Aqui, o Estado é visto como a grande locomotiva do progresso e da justiça social. Estamos muito distantes de qualquer coisa que possa ser chamada de liberalismo.”

Como resumir com clareza o pensamento liberal?

Embora com alguma elasticidade, o liberalismo tem pilares básicos que não mudaram muito desde os clássicos. Entre eles, a defesa de um governo limitado e o foco no indivíduo, sendo contra o coletivismo, que trata o indivíduo como um meio sacrificável em nome de alguma causa maior para a nação, a classe, a raça. Uma frase de Lord Acton define com clareza o pensamento liberal: “O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. O liberalismo manteve uma coerência desde John Locke. Ele defende e prega um governo constitucional, o poder limitado do Estado, as liberdades individuais e o foco no indivíduo. Existem economistas que acham que se trata só de liberdade econômica, mas o liberalismo é mais amplo que isso.

Quais os maiores pensadores liberais?

Os clássicos seriam John Locke, Adam Smith e David Hume, autor do Iluminismo escocês, que teve uma pegada muito forte em defesa da liberdade com respeito às tradições. Incluiria Edmund Burke, que é considerado o pai do conservadorismo. O Milton Friedman foi um grande liberal também, mas com foco na economia. Frédéric Bastiat, Tocqueville, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Karl Popper, Jean-François Revel, Thomas Sowell e Isaiah Berlin. Muita gente ajudou a construir os pilares liberais.

Cidade Natal: Oliveira (MG)

“Os governos social-democratas são responsáveis pela desigualdade no Brasil há 35 anos — e nisso incluo o governo Bolsonaro. O candidato Bolsonaro tinha um discurso liberal, que é completamente diferente de como age o presidente Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral, parecia que estávamos indo para o caminho certo, mas não houve nenhuma evolução. A social-democracia gosta de defender o agigantamento do Estado porque, com isso, defende o establishment. A verdade é que existem os consumidores de impostos e os servidores de impostos. Nós fazemos parte do segundo grupo. Em 1985, a carga tributária era de 25%. Hoje, é 34%, mais o déficit, o que chega a mais de 40%. De 5,5 milhões de servidores públicos, passamos para cerca de 12 milhões. Um governo liberal não conseguiria conviver, por exemplo, com 11 milhões de analfabetos, que é a realidade atual do país, porque ele pensa na dignidade do cidadão. Mas isso, ao contrário, interessa à social-democracia, porque ajuda a manter o sistema de castas em que vivemos. Uma carga tributária alta é uma maneira de manter o cidadão na pobreza e o Estado rico.”

Como resumir o pensamento liberal?

O pensamento liberal foca a liberdade, em todas as suas formas, como o maior valor do indivíduo. Para garantir isso, é necessário diminuir o tamanho do Estado, uma vez que ele extrapola seus papéis à custa da liberdade do indivíduo. O papel do Estado é e sempre foi garantir a segurança, tanto que os primeiros líderes das tribos eram os mais fortes. Ou seja, o embrião do Estado é o guerreiro mais forte. O liberal reconhece que o Estado é necessário, mas é um mal. Em sendo um mal necessário, deve ser do menor tamanho possível.

Quais os maiores pensadores liberais?

Os governos que mais puseram o liberalismo em prática foram o de Margaret Thatcher, no Reino Unido, e o de Ronald Reagan, nos Estados Unidos. Sobre os pensadores, cito Friedrich August von Hayek, autor de O Caminho da Servidão.

“Infelizmente o brasileiro não sabe o que é liberalismo. O brasileiro começou a se ater a isso nos últimos cinco anos. Digo isso porque, até hoje, há pessoas acusando os governos do PSDB de serem ‘neoliberais’, que é um termo usado como xingamento para criticar o liberalismo. Ainda estamos longe de entender o que é o ideário. O problema se arrasta desde o fim do império. A cultura republicana, por exemplo, é antiliberal. Para expandir o liberalismo, será um trabalho de formiga. Precisamos intensificar a divulgação às pessoas. Há um caminho longo a percorrer.”

Como resumir o pensamento liberal?

É uma doutrina que se caracteriza pela defesa da vida, da liberdade e da propriedade. Economistas liberais são aqueles que defendem a economia de mercado, como os da Escola Austríaca. Além de melhor do ponto de vista econômico, o modelo é superior no campo da moral. Não é à toa que, depois da queda do PT, surgiram vários “liberais”, como os do PSDB, que é o Partido da Social Democracia Brasileira.

Quais os maiores pensadores liberais?

Cito os mais clássicos: Juan de Mariana, que ajudou a desenvolver os elementos essenciais daquelas que seriam mais tarde as bases teóricas da Escola Austríaca de economia; Jean-Baptiste Say, dedicado a defender as vantagens do livre mercado e a criticar o intervencionismo; Adam Smith; entre outros.

Cidade Natal: São Bernardo do Campo (SP)

“Precisamos olhar para os países posicionados nos primeiros lugares do ranking de liberdade econômica mundial: Hong Kong, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Suíça e Canadá. Precisamos entender o que os levou até esse patamar e copiar isso. É necessário que esse processo aconteça. As pessoas estão acostumadas a achar que bons resultados se constroem com políticas de curto prazo, mas é preciso olhar para o contexto histórico e ver a evolução desses países para tomar as melhores conclusões.”

Como resumir o pensamento liberal?

O liberalismo hoje é o caminho para sair da crise que o país enfrenta. O Brasil possui um Estado extremamente engessado, somos o paraíso das estatais. Enquanto não tivermos uma gestão comprometida com o enxugamento dos gastos, com a privatização das estatais e com a abertura do mercado, não vamos prosperar. Precisamos nos voltar para cuidar da saúde, educação e segurança da população, um Estado voltado para cuidar das áreas essenciais, não para administrar entrega de correspondência. Isso quem deve fazer é a iniciativa privada. Além de, claro, aprovarmos as reformas que são urgentes e precisam andar no Congresso.

Quais os maiores pensadores liberais?

Começo mencionando Adam Smith, o pai do liberalismo econômico e um dos mais importantes colaboradores para a construção de uma economia política liberal. John Locke, um dos autores de destaque na corrente do Contrato Social e defensor assíduo da propriedade privada, que não se restringe somente à instância territorial, mas também ao corpo, à vida, à liberdade, à capacidade de trabalho e aos bens, que são direitos naturais. Mises, Hayek e, por fim, Milton Friedman, idealizador do neoliberalismo no mundo e vencedor do Prêmio Nobel em ciências econômicas.

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