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Edição de arte Oeste: Leandro Rodrigues

O jogo do gigante

As manobras da China já alcançam sindicatos brasileiros, empresas europeias, escolas britânicas e a grande mídia

No fim da década de 1980, o cientista político norte-americano Joseph Nye criou o termo soft power (poder suave) em alusão à capacidade de um país de influenciar outros por meio de instrumentos culturais e ideológicos. Por décadas, os Estados Unidos exerceram esse poder sobre o mundo ao exportar seu modo de vida. A China não é uma exceção. Mas a conduta do país asiático vem mostrando que mudou a estratégia do Partido Comunista (PCC) de interferir em outras nações, sobretudo com a chegada do coronavírus. Estamos falando de uma etapa além e mais perigosa: o chamado sharp power (poder afiado, ou agudo, em tradução livre), conhecido como a diplomacia da chantagem.

Trata-se do uso de meios autoritários e silenciosos com a finalidade de alcançar objetivos geopolíticos. Não se busca ganhar corações e mentes mas sim manipular e extorquir; distorcer e ocultar informações, conforme definiu o periódico norte-americano de política internacional Foreign Affairs. Em artigo publicado na Edição 2 da Revista Oeste, a jornalista Selma Santa Cruz observou: “A epidemia de coronavírus deu visibilidade a um fenômeno que tem passado quase despercebido, apesar de sua importância crítica: a expansão vertiginosa da presença chinesa no planeta, inclusive no Brasil, foco de interesse estratégico pela abundância de recursos naturais. A China ameaça a hegemonia dos EUA e joga pesado para promover seus interesses por toda parte.”

Segundo o mais recente estudo do Banco Mundial, o Produto Interno Bruto da China cresceu 1,9% em 2020 e, este ano, deve se expandir 8,2%. Já a economia global, de acordo com a instituição financeira, teve contração de 4,4% em 2020, a pior queda desde a Grande Depressão de 1930. “A China foi a única grande economia a registrar crescimento em 2020”, celebrou o secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, em pronunciamento no início deste ano. “Somos o primeiro país, entre as principais economias, a conseguir aumento do PIB, com a previsão de atingir patamar de 100 trilhões de iuanes no ano de 2020”, acrescentou o líder, referindo-se a soma superior a US$15 trilhões. “Sigamos adiante”, concluiu ele, certo de que se confirmarão as previsões segundo as quais a China se tornará a maior economia do mundo em 2028.

 

Tentáculos do Partido Comunista

A Global Data, consultoria de análise de dados, publicou em maio de 2020 um relatório preocupante, dando conta de que têm sido progressivamente elevados os investimentos de estatais chinesas em companhias ocidentais. O movimento se deu durante os primeiros meses da epidemia de coronavírus. De janeiro a abril de 2020, a China firmou 57 acordos de fusão e aquisição de empresas em Hong Kong, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, França, Canadá e Índia, ao custo de US$ 9,9 bilhões. Em paralelo, o PCC desembolsou US$ 4,5 bilhões de modo a comprar ações de companhias em dificuldade que operam em setores estratégicos da economia, como os de alimentos e de tecnologia. Os principais destinos foram Coreia do Sul, Alemanha, Austrália, EUA, Índia, Reino Unido, Hong Kong, Japão e França.

Ainda segundo o documento da Global Data, esses países demonstraram preocupação com a investida estrangeira. À época, deputados do Parlamento da União Europeia instituíram mecanismos legais para proteger de aquisições e investimentos as empresas do bloco.

Além de áreas importantes da economia, a China cobiça a educação. No Reino Unido, o PCC adquiriu 15 escolas particulares à beira da falência durante a pandemia, entre elas, centros de estudo do pensamento conservador. Do total, nove são de propriedade de empresas cujos fundadores ou chefes estão entre os membros mais importantes da ditadura asiática, garante reportagem do jornal Daily Mail. O Bright Scholar Group, que está comprando as unidades educacionais, pertence à filha de um dos conselheiros do PCC.

O Brasil não ficou de fora. Antes mesmo de o coronavírus desembarcar aqui, a China já vinha pondo dinheiro no Colégio São Bento, reduto tradicional da elite paulistana. A instituição viu-se preterida à medida que as famílias ricas se distanciavam do centro da cidade. Vivia uma crise financeira até 2007, com pouca quantidade de alunos e sob ameaça de encerrar as atividades. Isso mudou depois de um acordo firmado entre a Associação dos Chineses do Brasil e o governo estadual, além das adequações pedagógicas para receber os filhos dos migrantes chineses, que hoje são 30% dos matriculados na instituição. Atualmente, a escola oferece aulas de português voltadas a adultos no período noturno e de mandarim ao público. Alguns empresários chineses da região também fizeram doações financeiras, que permitiram amplas reformas na estrutura do colégio. Publicada no ano passado, reportagem do jornal O Globo informou que estatais do país asiático injetaram cerca de R$ 700 mil em projetos de educação no Estado.

A aproximação entre São Paulo e a China intensificou-se durante a gestão do governador João Doria (PSDB), não só pela parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório Sinovac, mas também porque o advogado Marcelo Braga Nascimento comanda uma filial chinesa do Lide (empresa de Doria) “promovendo eventos pagos e reuniões entre empresários e agentes públicos na China e no Brasil, inclusive com o próprio governador e com seu vice, Rodrigo Garcia”, revelou reportagem da revista Crusoé. A relação entre Doria e Braga teria se estreitado depois de o tucano entrar na política. Em 2017, por exemplo, o advogado espalhou dezenas de bandeiras do Brasil pelas ruas de São Paulo para fazer propaganda de seu escritório — com aval da gestão Doria, então prefeito da capital. Braga assumiu a presidência do Lide China em julho daquele ano, no mesmo mês em que Doria realizou sua primeira viagem oficial ao país asiático como prefeito, com o objetivo de vender projetos de parcerias público-privadas e privatizações.

Na esfera nacional, além dos aportes corriqueiros, o governo chinês decidiu investir em sindicatos. Em 30 de março, o Fórum das Centrais Sindicais do Brasil recebeu US$ 300 mil (R$ 1,7 milhão, na cotação atual) da ditadura asiática. A entidade nacional reúne CSB, CUT, Força Sindical, UGT, CTB e NCST. Ainda em nosso país, o PCC já é dono da companhia de energia CPFL; do Terminal de Contêineres do Porto de Paranaguá, o segundo maior do Brasil; da Concremat, gigante do setor eólico; tem ações na Petrobras, dada a aquisição de parte do campo de Libra, do pré-sal; entre outros negócios vantajosos.

O interesse prioritário, entretanto, continua concentrado nas commodities — e até em razão disso circulam várias fake news segundo as quais a China estaria comprando largas extensões do nosso território. Soja, minério de ferro e petróleo representaram 74% das exportações brasileiras para o país no ano da pandemia. O PCC foi também o maior comprador de açúcar, carne bovina, celulose e carne de frango. A China é ainda o principal mercado de outros importantes segmentos da economia. Sete dos dez principais produtos de exportação em 2020 tiveram como destino o país asiático, o maior parceiro comercial do Brasil e responsável por US$ 33,6 bilhões do superávit de US$ 50,9 bilhões da balança comercial em 2020.

Na linha do pragmatismo com foco na manutenção de um bom ambiente para expansão de negócios, o embaixador chinês já elogiou o novo chanceler, Carlos França, e faz questão de afirmar que não há questões sensíveis a resolver com o governo Bolsonaro. Igualmente, teve consequência zero a recente fala de Paulo Guedes numa reunião privada — o ministro comentou que a China teria “inventado” o coronavírus e as vacinas produzidas no país são menos eficazes que os imunizastes ocidentais. Os chineses sabem que as democracias são barulhentas e poucas declarações resultam em algo concreto.

Já na vizinha Argentina, o regime mirou a artilharia de investimentos em outro setor. Em dezembro do ano passado, o presidente Alberto Fernández anunciou quatro acordos de investimento com o PCC. A China gastou US$ 4,69 bilhões para revitalizar ferrovias do interior do país sul-americano em troca de alta participação nas empresas nacionais do ramo.

Influência na mídia

Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicados em junho do ano passado revelaram que a imprensa estrangeira vinha sendo financiada com dinheiro da ditadura comunista antes mesmo da pandemia. Nos últimos cinco anos, o jornal China Daily, controlado pelo regime de Xi Jinping, pagou cerca de US$ 6 milhões ao The Wall Street Journal e US$ 4,6 milhões ao The Washington Post. Outras empresas da mídia norte-americana também foram beneficiadas com verbas para informes publicitários e matérias patrocinadas, tais como o jornal Los Angeles Times (US$ 753 mil) e a revista bimestral Foreign Policy (US$ 240 mil). Talvez em razão da linha editorial tão escancaradamente progressista, o maior jornal do mundo, The New York Times, não precisou de muito incentivo — ficou com apenas US$ 50 mil. A papelada do Departamento de Justiça garante que o PCC já distribuiu US$ 19 milhões a veículos de imprensa espalhados pelo mundo.

Os documentos mostram que o China Daily pagou a veículos de comunicação brasileiros de modo a promover conteúdo governamental. Na lista, a Empresa Folha da Manhã S.A., dona do título Folha de S.Paulo, arrecadou US$ 405 mil entre 2016 e 2020. Só em janeiro de 2019, a companhia jornalística recebeu US$ 41,4 mil para publicar material chapa-branca. Os recursos também se destinaram à Editora Globo, que faturou US$ 109 mil entre 2017 e 2018. Ao Correio Braziliense foram encaminhadas algumas migalhas, pouco mais de US$ 15 mil em novembro de 2019.

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Diplomacia da vacina e o 5G

Jeffrey Wilson, diretor do think thank australiano Perth USAsia Centre, adverte que o PCC utilizará suas vacinas, a CoronaVac e a Sinopharm, de modo a viabilizar o 5G do gigante de tecnologia Huawei — a empresa é acusada de espionar usuários. Segundo o especialista, a China mira em países emergentes e faz com que fiquem dependentes dela. As negociações têm peculiaridades em cada país, mas geralmente envolvem chantagem com a finalidade de viabilizar a tecnologia de comunicação. “É um caminho comum do programa de ‘ajuda’ chinês”, declarou Wilson, em entrevista ao jornal The Australian, publicada em 25 de março deste ano, ao mencionar contratos de imunizantes do PCC com a Indonésia, os Emirados Árabes Unidos, o Brasil e as Filipinas, tendo em vista o 5G.

Por não ceder a pressões do PCC nesse ramo, Ernesto Araújo deixou o governo Bolsonaro, insinuou o agora ex-chanceler em publicações no Twitter. Segundo o diplomata, em um almoço, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) pediu acenos ao lobby pró-5G chinês que há no Congresso Nacional. Ao se negar, acabou isolado. A briga, entretanto, não é de hoje. Em janeiro, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, condicionou a liberação de insumos e doses da CoronaVac à queda de Araújo, informou reportagem do jornal Gazeta do Povo. O problema foi gerado por trocas de farpas com o então chanceler, que, à época, saiu em defesa do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), cujas declarações insinuaram que o PCC havia ocultado o patógeno do mundo. “Com o Ernesto, nós não conversamos mais”, disparou Wanming.

O cientista político Márcio Coimbra, coordenador de pós-graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie e diretor-executivo do Interlegis no Senado, afirma que falar em 5G é apenas a ponta do iceberg. “Trata-se de uma tecnologia estratégica, mas é só o que estamos conseguindo ver por enquanto. Há outros interesses por trás. A China já preparou seus próximos 70 anos”, declarou, ao mencionar que a influência do país no Brasil se intensificou durante o governo Lula. “Eles têm uma estratégia de longo prazo”, acrescenta Coimbra. “São interesses densos de cooptação.”

A maioria dos especialistas em China avalia que o sharp power não tem o propósito de criar um cenário em que sejam viabilizadas ações de interferência política direta — esse é o jogo da Rússia, que até financia grupos de mercenários na região do Báltico para influenciar eleições e ameaça militarmente a vizinha Ucrânia. A ditadura chinesa, que precisa tirar da extrema pobreza mais de 100 milhões de pessoas, estaria na verdade em busca de vantagens comerciais para a expansão de negócios e de segurança alimentar a longo prazo. O continente africano tem testemunhado a execução dessa estratégia. Quase todos os setores estratégicos na África são atualmente controlados pela China, de logística a telefonia, de energia a exploração mineral. Para contar com áreas cultiváveis no futuro, o PCC concede empréstimos a juros camaradas até a países inviáveis como Serra Leoa e República Democrática do Congo.

Nesse contexto, o Brasil aparece como alvo importante. Trata-se, afinal, do único país do mundo com potencial de dobrar rapidamente a produção do agronegócio sem causar danos ao meio ambiente. A China precisará consumir cada vez mais alimentos. E usará o sharp power para assegurar a elevação dos níveis de qualidade de vida de sua população. Cabe ao Ocidente jogar com inteligência para calibrar o poder dos chineses. E o Brasil terá de avaliar bem sua atuação e quanto estará disposto a ceder.

Leia também “EUA X China e a grande ameaça geopolítica”

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53 comentários

  1. Excelente matéria Cristian Costa, impecável.Ha anos a China exerce sua influência mundo agora,no início dessa jornada oferecia produtos manufaturados bem abaixo do custo a vários países,EUA é um grande exemplo, praticamente a maior parte do comércio de roupas são “made in China”.No Brasil isso também ocorre,mas não tinha idéia que na maior Ditadura comunista doava ou seja comprava colégios particulares em São Paulo.Sabia sim de outros interesses chineses em nosso País.So me dei conta da real extensão de seus tentáculos,quando em junho de 2019,voltava da Europa e vi que a metade do avião que vinha para desembarcar em Guarulhos era de chineses.

      1. Obrigada a vc, Cristyan, por uma matéria de capa de excelência e por nos brindar com tantos detalhes e fatos.Prazer enorme.

  2. A China é um câncer no organismo mundial, por enquanto ele age em silêncio, quando for diagnosticado pelas nações do mundo já será tarde.

  3. Coma a china é um país comunista. Mantém sob controle de interferência externa. Já com os países democrátivos se torna alvo fácil para cooptação, bem como, conseguem se infiltrar facilmente. Como aqui no Brasil a corrupção é intitucionalizada. Eles vão deitar e rolar.

  4. O problema não é um país querer um lugar ao sol, buscar se colocar bem estrategicamente (o que aliás, nós, o “anão diplomático” não fazemos). A questão é o que virá depois de conquistada a segurança alimentar e a retirada dos 100 milhões da pobreza. Que tipo de investida política farão? Financiar sindicatos nos dá uma boa pista de para onde ruma a ditadura chinesa, em relação a nós.

  5. Depois de ler esse artigo – excelente por sinal – espero firmemente ser abduzido e viver o final da minha vida em Proxima “bezinho”.

  6. Fiz uma leitura com cuidado da matéria, e realmente a influência chinesa é muito grande. Essa influência vem devagar, uma sombra que acompanha nosso dia a dia. Como você descreveu no final cabê a nós equilibrar as coisas com alguma estratégia.

  7. A China, alem do seu lobista no Brasil, o Doria, ja tem “ bancada da China”no Congresso. O embaixador chines, sem nenhum constrangimento diplomaico, se reune com governadores oposicionistas, com o antigo presidente da Camara (Rodrigo Maia), com o ministro Tofolli, etc, sem qq intermediacao do Itamarati. Lembrando sua passagem pela Argentina….

  8. Cristyan Costa, muito esclarecedora e embasada a matéria. Os tentáculos do PCC vêm crescendo dia após dia. A matéria tb nos serve de alerta. Parabéns!

  9. …“Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam uma flor
    do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem:
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho em nossa casa,
    rouba-nos a luz, e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer nada.”…
    (Parte do poema “No caminho com Maiakóvski” (1968) do brasileiro Eduardo Alves da Costa)

  10. Essa mulesta dessa China comunista vaui cair tal qual caiu a URSS e espero que não demore 70 anos, mas que seja já, já, apesar de tudo apontar o contrário. Tudo aponta para ela durar 100 ou 200 anos, mas existem os fatores não controlados e êsses fatores vão falar mais alto.

  11. Nada me tira da cabeça que a criação e disseminação deste vírus fez parte dessa estratégia de aquisição de empresas em dificuldades em setores fundamentais, visando sua abrangência mundial. Aqueles países interessantes ao PCC, sem indústrias e tecnologias próprias para a criação de vacinas serão e/ou estão sendo chantageados a ceder em suas autonomias para receber vacinas chinesas com graus baixíssimos de eficácia. O único país que poderia bater de frente contra essa ditadura comunista era os EUA com Trump, agora esse Biden reza a cartilha chinesa. Dória, Maia e alguns ministros do STF já conhecem muito de próximo as benesses dessa relação.

  12. Excelente matéria. Parabéns, Cristyan! Faltou apenas mencionar a participação chinesa na Rede Bandeirantes. Basta ver as inserções e matérias visivelmente institucionais veiculadas no noticiário da emissora.

    1. É descarado a presença da China na rede bandeirantes.
      As matérias feitas por jornalistas chineses falando português com sotaque é surreal.
      No canal da Band na tv paga tem documentários enormes falando bem dessa desgraça de nome China.
      Aqui no Rio eles já tomaram conta do Saara, só tem lojas de capa de celular e quinquilharias. Um horror 😨

  13. Quanta pressão foi feita para queda do chanceler que nao conseguia vacinas, pelo presidente da câmera e do senado , meia verdade

  14. Cristyan,
    O Brasil, hoje, necessita muito de investimentos estrangeiros, haja vista, por exemplo, a necessidade de, recentemente, leiloar aeroportos (com grande sucesso), o leilão da CEDAE na semana passada e o novo marco do saneamento, cujo grande mérito é, vencida a capacidade das empresas estatais (que cumpriram bem o seu papel), viabilizar água e esgoto para a população.
    Os investimentos, raramente vindo diretamente de pessoas físicas, devem obedecer às regras do país e, particularmente, às regras daquele negócio específico disponibilizado. Até agora, tal procedimento é o que se espera dos investidores.
    No caso dos chineses, as empresas que irão investir, ou são estatais ou têm fortíssima influência estatal, o que as coloca em posição de ter que atender aos ditames do governo de lá.
    Por outro lado, existe naturalmente uma vulnerabilidade muito grande de segmentos estratégicos do nosso país, como de qualquer outro país, o que poderá dar ao acionista majoritário condições de manipular a nossa economia de acordo com as suas próprias conveniências. Isso sem falar na questão da possibilidade de ocorrência de casos extremos, tais como um conflito, para os quais o domínio, por exemplo, de uma simples linha de transmissão elétrica ou de uma estação de tratamento de água pode permitir a dominação da população circunscrita a tais benefícios. Outro exemplo, seria a implantação de tecnologia 5G na qual corre-se o risco de informações confidenciais de todo o país ficarem expostas.
    Desta maneira, se as regras forem muito bem estabelecidas e forem cumpridas, tratar-se-á de um negócio, vantajoso para o investidor e para o País.
    Então, visualiza-se a primeira questão: Será que o Brasil terá condições de estabelecer regras precisas e claras para que o negócio lhe seja favorável? Considerando que já tivemos algumas falhas em contratos de concessão, há que se tomar muito cuidado nesse sentido.
    A segunda questão diz respeito à própria cultura dos investidores. Há um receio de que a ética que vale para os ocidentais não tenha o mesmo valor para os orientais (vide o caso dos pesqueiros chineses, por exemplo). Com esta questão, reforça-se a necessidade de um contrato muitíssimo bem elaborado.
    A terceira e última questão se prende à ideologia daquele país. Com efeito, se o governo atua com mão de ferro sobre as empresas localmente, por que não haveriam de o fazer também para outros locais de atuação? Esta, realmente, é uma preocupação para a qual há que se prever cláusulas contratuais que possam nos proteger. Voltamos à necessidade de um contrato muitíssimo bem elaborado. Relativamente a este quesito, contudo, não conheço notícia de alguma ação nesse sentido nos países nos quais a China tem atuado, como no caso de países africanos, aonde a presença chinesa me parece mais representativa, o que já é um alento, mas não uma garantia, claro.
    Por fim, poderemos concluir que as áreas técnicas e negociais do governo, incluindo aí o Federal e os Estaduais, têm um trabalho de elevadíssima responsabilidade a ser desenvolvido e não se deve deixar levar por ideologias e/ou influências políticas de qualquer natureza.
    A nós, caberá vigiar.
    Obrigado por nos alertar. A boa imprensa nos fornecerá a informação correta, o que nos permitirá estar atentos.

  15. Cristyan, parabéns pela excelente matéria de capa. Esse tema é muito importante, e deve sempre estar presente no debate público. A Revista Oeste está de parabéns pela equipe que tem, que acredito ser a melhor do Brasil.

  16. Muito sóbria essa matéria! Só não enxerga quem não quer o que realmente pretendem os chineses. Não digo que, em um futuro não muito distante, eles queiram invadir países – dentre eles o Brasil, e dominar tudo na base do poder bélico. Creio que isso esteja um pouco distante. Mas o que eles querem é comandar o comércio mundial, em todas as áreas. E o Brasil é o principal foco! Temos riquezas que nenhum outro país tem, e políticos sem nenhum caráter e sedentos por dinheiro, muito dinheiro! Parabéns pela matéria!

  17. Excelente texto, informações fundamentais para se entender o propósito e o alcance das garras do PCC no planeta. Estamos falando de Marxismo cultural, não de armas. Parabéns pelo artigo!

  18. É preciso agir. Muita gente da elite se revolta e sabe dessas atitudes mas investe em ações chinesas. É preciso que sejamos xenófobos, não ao povo chinês, mas a seus lideres ditadores e a tentativas nocivas e não aceitáveis de coação ou chantagem.

  19. Parabéns!
    Ótima reportagem.
    A China nada mais faz do que defender e expandir seus interesses.
    Nós deveríamos fazer o mesmo.
    Quantas vezes ouvimos economistas dizerem que que deveríamos nos focar no que temos aptidão, ou seja agricultura e extração mineral?
    O resultado é que destruímos a indústria nacional, não só a de grande porte, mas principalmente a de pequeno e médio, que são as grandes geradoras de emprego.
    Junto com a indústria são afetadas todas as atividades que poderiam se beneficiar de sua geração de riquezas.
    Sugiro uma reportagem da revista focando neste assunto, o quanto estamos prejudicando o presente e o futuro do país com esta política ou falta dela.

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