Juiz ladrão

Manobra ocorrida depois de outra decisão importante do árbitro: recolocar no jogo o participante desclassificado por roubo

O árbitro da disputa diz que as regras do jogo são claras. Clareza pressupõe segurança. Não é preciso mexer em nada — o garantidor da disputa limpa garante.

Não muito tempo antes o árbitro fora visto defendendo mudanças nas regras do jogo para aumentar a segurança da disputa. Aumentar a segurança pressupõe segurança insuficiente. Participantes do jogo e outros interessados encamparam a proposição de aprimoramento das regras — o mesmo aprimoramento defendido pelo próprio árbitro. Mas o árbitro ressurge afirmando que o aprimoramento que ele acabara de defender agora é retrocesso — e risco de insegurança.

Parte dos envolvidos na disputa pergunta ao árbitro o que mudou no jogo para que ele mudasse em 180 graus a sua posição sobre as mudanças propostas. O árbitro xinga os interlocutores e não responde. É soberano e não deve satisfações a ninguém.

Segurança mesmo só há sem a possibilidade de auditar o resultado

Participantes do jogo descobrem um relatório policial mostrando que o árbitro reconheceu violação das regras de segurança na disputa anterior. Essa violação chegou ao centro do sistema que rege a disputa, abrindo amplas possibilidades de manipulação de resultados.

Não se sabe a extensão da manipulação porque todos os arquivos do sistema de segurança foram apagados pelo árbitro.

Por que o árbitro apagou a memória da disputa?

Cala a boca que ninguém te perguntou nada.

O árbitro então se diz alvo de uma conspiração. Denuncia ameaça de golpe. Diz que os que propõem o aumento da segurança na disputa na verdade querem fraudá-la. Afirma que o sistema verificador de resultado que está sendo proposto é uma brecha para a manipulação. Segurança mesmo só há sem a possibilidade de auditar o resultado.

Mentir e dissimular é só começar. O soberano é justo — só mente por uma boa causa. Ele precisa livrar a coletividade de um golpe demoníaco e por isso sai mentindo furiosamente, acusando os que constatam a impossibilidade de auditagem da disputa de desinformação, fake news e sabotagem.

O árbitro passa a agir para tirar do jogo o vencedor da última disputa. Diz que ele deve ser desclassificado por pleitear que o resultado seja verificável. O soberano afirma que isso é blasfêmia, então é porque é.

A manobra ocorre após outra decisão importante do árbitro: recolocar no jogo o participante que foi desclassificado por roubo. O infrator é recolocado na disputa porque burlou todas as regras, mas foi sem querer. Fair play.

Por falar em roubo, a polícia constata a vulnerabilidade das regras do jogo. O país sai às ruas pedindo a atualização dessas regras para aumento da segurança na disputa — uma mudança simples que todo mundo entendeu. O árbitro diz que a polícia, os técnicos e o povo estão errados. São todos suspeitos de conspiração.

No gabinete está tudo tranquilo. É um ambiente limpo e seguro, sem barulho de povo e sem polêmica. As manchetes amestradas ecoam a voz do árbitro, que se delicia lendo e relendo o noticiário amigo no qual não há espaço para gentalha batendo pé nas ruas — essa massa ignara que nem fala cinco idiomas. Desse bem-estar profundo o soberano retira toda a verve e o elã do seu próximo libelo virtual. É ou não é doce, a vida?

Mas… Que ruído é esse? Parece estar vindo lá de fora. Está aumentando. Será o mundo real, esse inconveniente? Será que na verba para o ar-condicionado dos corredores subterrâneos se esqueceram da duplicação das paredes? Resolvam isso! Urgente!

Esta instituição é a dona da bola. Faz com ela o que quiser. Pode inclusive chutá-la para um dos gols, se assim desejar. Quem vaia já perdeu. Dupliquem as paredes e aumentem o som. Mozart ou Beethoven, tanto faz. O quê? Hackearam? Só tem forró?

OK. Vamos modernizar o sistema.

Leia também “Democracia na marca do pênalti”

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35 comentários Ver comentários

  1. Maravilhoso, Fiuza! Não consigo entender – e me esforço muito, até porque minha família está aos poucos sendo comida pelo esquerdismo, e não posso falar com ninguém sem sair briga! Qual seria o problema de termos voto auditável? É uma questão de fé acreditar que o sistema eletrônico é inviolável? Incompreensivel, indigesto, deprimente. E de que somos feitos nós, que assistimos a esse jogo nauseabundo do STF e não fazemos nada???

  2. Para quem diz que “eleição não se ganha; se toma”, está tudo certo. Como diria o saudoso Mario Vianna (com dois enes): o gol foi ilegal!!!! Esse juiz é um soprador de apito!!!

  3. Caro Fiuza!
    Você escreveu esse texto? Ou você “psicografou” esse texto de Machado de Assis???
    Humor que rasga a toga desses safados!!
    Humor irônico, que nos alivia da tristeza de um “sujeitinho” desses ser um magistrado da mais alta corte…. um “boquinha de veludo”… que se ajunta com deputados que querem manter a “boquinha” (sem trocadilhos!). A regra é clara??? Se fosse clara não precisaria ser sempre lembrada.
    Esse desqualificado me lembra um fato engraçado que houve num Atlético e Botafogo-RJ em 1949 no Independência.
    Numa discussão entre Afonso, Beque do Atlético, e Santo Cristo, do Botafogo, sobre de quem seria uma lateral, Cidinho, o juiz da partida, prontamente gritou:
    “- Bola nossa! É nossa, Afonso! É bola nossa!
    A partir desse dia, Cidinho virou um Juiz “Bola Nossa”.
    O Barrosinho é a versão togada do juiz Alcebíades…. Cidinho Bola Nossa.
    Numa discussão sobre a segurança da urna, o Barrosinho Bola Nossa olhará para os petistas e dirá:
    “A urna é nossa”!

  4. Ótimo artigo. Parabéns! Os brasileiros honrados e honestos não aceitarão que esses togados das trevas os enfie goela abaixo o maior ladrão de dinheiro público de todos os tempos.

  5. Texto espetacular. Pena que com certeza não ecoará entre os togados, estes por sinal, os todos poderosos e donos da verdade absoluta.

  6. Falando de imprensa, vejam o destaque que a revista Veja desta semana deu na capa sobre a grave violação no sistema eleitoral tido como “inviolável”: NENHUM!!!! Ela que sempre da “furos” de reportagem com denúncias nas capas, não considerou os relatórios da PF sobre violação ocorrida em 2018…É flagrante a militância desta empresa entre outras. Isso não é jornalismo. Que momento estamos passando…

  7. O artigo do Fiúza nos diz que com essa urna eletrônica, violada e violável, qualquer um pode ganhar a eleição.Vai da vontade, de quem apura os votos.Ou de quem programa a urna.Ou de ambos.Teu voto não vale nada.Não dá pra conferir. Pt saudações.Como no VAR o que vale é o PROTAGONISMO do Juiz ao alterar o sistema.E por isso o barulho da torcida lá fora está cada vez mais forte.Artigo 142,com povo forte nas ruas ,motociatas e caminhoneiros que acham que romperam a corda,o pneu furou e a paciência esgotou.E setembro chegou.Tá tudo nas páginas da OESTE.

  8. COMO SEMPRE, O TEXTO DO FIUZA É DIGNO DE ELOGIOS POR SER CLARO, OBJETIVO, DIDÁTICO E TAMBÉM IRÔNICO. TODAVIA, HÁ UMA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: SE O TSE RECONHECEU QUE UM HACKER INVADIU SEU SISTEMA DE INFORMÁTICA, TENDO COMUNICADO ESSA INVASÃO À POLÍCIA FEDERAL E, TENDO TAMBÉM CONTRATADO UMA EMPRESA PARA O SANEAMENTO DESSE SISTEMA, POR QUE NÃO TOMOU PROVIDÊNCIAS LEGAIS CONTRA A ATUAÇÃO DA EMPRESA, QUE NÃO TOMOU OS CUIDADOS PARA PRESERVAR OS ANTIGOS ARQUIVOS, CHAMADOS DE ARQUIVOS LOG ????? QUE TIPO DE EMPRESA É ESSA??? COMO FOI CONTRATADA???? ESSA EMPRESA TEM CREDIBILIDADE NO MERCADO ???? QUANTO CUSTOU O SERVIÇO???? O CIDADÃO CONTRIBUINTE TEM O DIREITO DE SABER !!!

  9. Provas não faltam de que nosso sistema eleitoral é violável!! Como disse o Augusto Nunes: …nunca vi um presidente ser atacado tanto por tantos… nem com o Getúlio Vargas. Porque o “sistema” está alvoroçado? Não há corrupção? Cortaram privilégios? Há transparência demais? Nunca um livro como “1984 de George Orwell” esteve tão atual para os tempos de hoje.

    1. Faço minhas suas palavras, Carlos Alberto.
      Ler textos como este, do Fiuza, nos dá ânimo para ainda acreditar em e esperar por dias melhores para o Brasil, nos quais voltemos a ter instituições confiáveis, dignas e imparciais, o que lamentavelmente não acontece nos dias de hoje, sobretudo no STF.

      1. STF TOTALMENTE POLÍTICO E HUMILHANDO AS PRIMEIRAS , SEGUNDAS E TERCEIRA INSTÂNCIA!!

  10. Ouvi as razões de não acatar o voto auditável, de Gilberto Kassab em entrevista a uma rádio:
    “E se der diferentes resultados entre o eletrônico e a contagem? Vai dar guerra!”

    1. Sr. Ibrahim, um veterano presidente de partido político como Kassab que tem essa imagem, comete enorme FAKE porque sabe que não tem guerra nenhuma e vale o VOTO IMPRESSO contado. Ou para que serviria? O voto impresso é aquele que da transparência ao eleitor pois sabe que seu candidato contido na urna eletrônica é o mesmo da urna lacrada do voto impresso. Portanto se houver diferença não há o que questionar, houve fraude sim na urna eletrônica.
      A grande vantagem do VOTO IMPRESSO é que seguramente evitará a mãozinha safada de malfeitores, portanto dificilmente haverá diferença de resultados.

      1. Renato, eu concordo com a Marildes, há tanta fake e desinformação do que é o voto impresso, que confesso tenho familiares que considero inteligentes (irmã e filha) que também se equivocam com relação ao voto impresso, porque ouvem muita desinformação dos maiores meios de comunicação que tem ódio deste governo.
        O Estadão publica artigo de ex ministro do STF dr. Carlos Veloso (23/04) que informa que o voto impresso serve como comprovante para o eleitor comprovar aos caciques políticos. Nessa mesma linha esta a Tábata Amaral “deputada de laboratório” Lemman, que esta tagarelando essa FAKE. Curiosamente o STF essas FAKES o STF aceita.
        Procure com as pessoas do seu relacionamento se sabem o que é o voto impresso ou auditável para se necessário esclarece-los, como fiz com meus familiares.

  11. Curioso é a insensibilidade desses togados à grave crise social que o pais atravessa e aos evidentes conflitos sociais sem a transparência das urnas eletrônicas. Afinal, quem vai acreditar que Lula em tão pouco tempo saia da prisão para se tornar Presidente da República, novamente e exatamente quando o pais sendo recuperado e as estatais saneadas. Evidente que o que prega Bolsonaro é que se Lula vencer com as urnas transparentes e auditadas, paciência, vai levar a presidência e indicar mais 2 ministros do STF. Será que as Forças Armadas vão tolerar essa insanidade sem as urnas auditáveis e não aplicar o art.142 da CF para restabelecer a harmonia e a independência entre os poderes? Penso que caso não sejam aprovadas melhorias na transparência das urnas eletrônicas, o melhor seria a tecnologia da informação das FA, da Ciência e Tecnologia, de técnicos independentes e de partidos políticos, desenvolvessem o software e o acompanhamento e apuração das urnas eletrônicas nas eleições de 2022. Simples assim.

  12. Lendo, parecia estar a ouvir a voz do Fiuza. O sujeito já entrou na nossa memória sonora e as características dos seus textos já se tornaram familiares. A crise sempre traz algo de bom e o brilho da verve do Fiuza é um oásis neste deserto verde e amarelo de dignidade.
    Parabéns e obrigado pelo texto.

    1. Bem-vindo ao mundo brasileiro. Pior que com flores este cenário não irá mudar e a manada cordial não quer se expor ou lutar para realizar mudanças profundas. Simples assim. Acabamos ficando só mundo da dialética.

  13. Excelente o artigo! Parabéns pela coragem! Liberais-conservadores precisam, no mínimo, financiar as vozes que gritam contra esse sistema bizarro.

  14. PARA RESOLVER A SUBMISSÃO DOS CONGRESSISTAS AO STF, SOMENTE ACABANDO COM O FORO PRIVILEGIADO, O QUAL DEIXA OS PARLAMENTARES MANSOS DIANTE DOS TOGADOS.

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