Congresso Nacional | Foto: Montagem Revista Oeste/Agência Brasil
Congresso Nacional | Foto: Montagem Revista Oeste/Agência Brasil

Política pop

O povo percebe o jogo sujo, sente que sua liberdade está ameaçada, e não aceitará passivamente ver o Brasil virar uma nova Venezuela

Minha colega de revista Ana Paula Henkel comentou comigo após o 7 de Setembro, quando milhões foram às ruas numa manifestação patriótica, que mal conseguia andar pela Avenida Paulista e que nunca vira nada igual, nem em seus tempos de atleta olímpica. A multidão a parava pedindo fotos, agradecendo por seu trabalho, por dizer a verdade. Em nossa conversa sobre o episódio, ficamos refletindo sobre a demanda reprimida por posicionamentos mais conservadores na mídia nacional, e como a simples coragem de dizer o óbvio se transformou em heroísmo em nosso país.

Estava havia um ano sem vir ao Brasil. Pode-se alegar que no dia 7 de Setembro a multidão nas ruas era alinhada, ou seja, há um viés de amostra aqui. Mas fiquei espantado com a mudança em um ano. Os taxistas e motoristas de Uber me reconheceram, o garçom do restaurante se disse meu fã e o chef quis tirar uma foto comigo. O cortador de grama do condomínio dos meus pais no Rio disse que me acompanha, e circular nas ruas ou no shopping hoje é impossível no anonimato. Em suma, um comentarista de política virou uma espécie de celebridade, tratamento reservado antes aos atores globais. Como foi que isso aconteceu?

É preciso compreender o fenômeno, pois ele não é natural. Jornalistas são reconhecidos, claro, e recebem elogios ou críticas. Faz parte. Mas o que está se passando é algo bem diferente. A própria Ana Paula escreveu uma coluna após o 7 de Setembro usando a alegoria platônica da caverna para mostrar o despertar do povo, que resolveu deixar a ignorância política de lado. O feedback mais comum que recebemos é justamente o de que damos voz a essa gente toda, conseguimos concatenar seus pensamentos de forma concisa, ajudar nas reflexões.

Os 14 anos de petismo foram cruciais para esse despertar. A democracia quase foi destruída, e a economia mergulhou numa crise sem precedentes. O povo buscou mais informações, confiou em quem havia alertado para esse risco desde o começo. As redes sociais furaram a bolha da hegemonia esquerdista na imprensa, e uma maioria até então silenciosa se descobriu maioria, e com voz. A defesa de valores morais, a luta pela liberdade, a verdadeira resistência democrática, tudo isso uniu uma multidão até então dispersa, que se sentia órfã não só na política, como também nos debates públicos.

A direita liberal e conservadora busca seu espaço legítimo no debate

Hoje está claro que os velhos monstros do pântano não vão largar o osso docilmente. Lula está solto e elegível, colocado como favorito por pesquisas suspeitas, enquanto o primeiro presidente que se assume de direita é perseguido de forma implacável. Bolsonaro não é perfeito, e os jornalistas independentes não são bolsonaristas, em que pese o rótulo colocado pelos militantes esquerdistas. O povo percebe o jogo sujo, sente que sua liberdade está ameaçada, que a própria democracia está em perigo, e não aceitará passivamente ver o Brasil virar uma nova Venezuela.

Ou seja, as circunstâncias nos levaram a essa situação inusitada, em que mais brasileiros sabem a escalação dos ministros do STF do que da seleção de futebol. Há uma maior politização, alguns até diriam excessiva. A mídia fala em polarização, mas na prática isso quer dizer que a velha estratégia das tesouras entre PT e PSDB chegou ao fim, e a direita liberal e conservadora busca seu espaço legítimo no debate. A reação da esquerda, na política e na imprensa, tentando desqualificar e demonizar todos os conservadores, acaba jogando mais lenha na fogueira.

Essa parcela significativa do povo brasileiro está determinada a fazer valer seus princípios, e não mais ficará calada diante das narrativas oficiais impostas por uma imprensa vendida. Há um grande senso de propósito no ar, uma missão mesmo de luta por liberdade, uma cruzada da qual pessoas de diversos perfis fazem parte. E não uso cruzada por acaso: estamos numa guerra política, cultural e, acima de tudo, espiritual. O recado chegou a todas as classes, e é uma mão de via dupla. No fundo, comentaristas como eu e a Ana, entre outros, estamos simplesmente dando cara e voz a esse sentimento difuso, que vem do povo.

Em nossas conversas particulares, já questionei como era essa sensação de carregar o peso da bandeira nacional representando toda a nossa nação nos Jogos Olímpicos. Não é algo fácil de descrever, disse-me a Ana. Hoje quero crer que entendo um pouco melhor isso. Ao andar pelas ruas e ser abordado por gente de todo tipo, elogiando e agradecendo, pedindo para nunca os abandonar nem trair, desejando força e orando por nosso trabalho, percebo o peso dessa responsabilidade.

É um reconhecimento que muito me honra, sem dúvida. Uma honra que vem carregada desse senso humilde de servir a uma causa muito maior do que eu. Não sou apenas mais um comentarista político; estou ali, nos vários veículos de comunicação, representando uma multidão cansada da velha imprensa e da velha política, angustiada com a possibilidade de perdermos essa guerra e a esquerda voltar ao poder, escravizando todos, destruindo suas esperanças, seu futuro.

Noto um receio em muitos de que eu poderia traí-los, virar a casaca, abandonar o barco, desistir do país. É compreensível, quando vemos quantos jornalistas agiram assim, mudaram de forma abrupta e incompreensível, tornaram-se militantes sem nenhum compromisso com a pátria. Descobri também que nessa minha área a quantidade de pavões é incrível, e o ego se deixa seduzir pelo poder com frequência. Mas fiquem tranquilos. Tenho os pés no chão para saber que só estou onde estou por conta de vocês, e meu compromisso é com meu país e com a liberdade, uma paixão antiga que jamais sacrificaria em prol de qualquer coisa. Nosso Brasil merece muito mais, e contem comigo nessa batalha!

Leia também “Não vou mais criticar o STF”

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39 comentários Ver comentários

  1. Esse último parágrafo fez-me lembrar de um jornalista/articulista pelo qual nutria uma certa admiração, mas que não se sabe pq mudou a casaca. Falo de Reinaldo Azevedo que , faz pômulo tempo, dizia ser o criador do termo PETRALHA e hoje passou a integrar a seita comandada pelo chefe da petralhada.

  2. Grande Consta. TEnho pela convicção que vocÊ jamais se tornará um pavão ridículo como Reinaldo Azevedo (seus livros que eu possuia foram para a reciclagem) ou um fanfarrão como Marco Antonio Villa. Seu trabalho tem uma fundamentação sólida baseada em conceitos e valores inegociáveis. Peço que sempre tente não deixar o ego se sobrepor o que da fato voce mostra que está bem ciente disso. Obrigado por nos representar!

  3. Sou fã do seu trabalho e cada vez mais fã da sua pessoa, pois fica claro seu compromisso com os mais importantes princípios que uma pessoa pode ter. Obrigado por nos dar voz nessa época deveras estranha em que vivemos. Resistiremos e venceremos. Um grande abraço e muita força.

  4. Faço minhas as palavras de todos que me antecederam. É uma alegria diária ler, ouvir, assistir a todos vocês que compartilham pensamentos e sentimentos de brasileiros que querem, apenas, trabalhar, viver em paz, pagar as contas, dizer o que pensa, respeitar e ser respeitado. Muito obrigada a você Constantino e aguardando as lives.

  5. Constantino, além de adorar seus artigos, adoro ler também os comentários – todos civilizados- dos seus leitores. Esse movimento de ser uma coisa simples – ser conservador de direita – veio pra ficar. Que Deus te dê forças, estômago e fígado para continuar. Estamos todos de parabéns!

  6. A verdade é que estamos lutando por um Brasil livre, em que as opiniões não sejam crime. Quem apoia esta questão sempre vai ter o apoio da maioria, gostem ou não os lacradores.

  7. Não há um governo 100% bom ou ruim. Só gostaria de ver de ambos os lados análises mais verdadeiras dos fatos. Se o governo errou, então há necessidade de mostrar isso; se está acertando, precisa ser mostrado. Queremos um Brasil mais justo e melhor de se viver.

  8. Sim Constantino, é a mais pura verdade,vcs carregam uma responsabilidade enorme no Brasil de hoje.O brasileiro mudou.muito já há alguns anos,quer saber a verdade dos fatos e quem os representa na mídia.O povo quer conversar,trocar idéias e todas as vezes que saírem serão abordados com carinho e respeito.Fico muito feliz quando me perguntam ,evidentemente pelo sobrenome, que amam JRGUZZO,desde médicos até os trabalhadores do condomínio em que resido.Uma honra ter vcs .

  9. A sensação que tenho é que ser liberal é proibido no País. Além de serem o que são e fazerem o que fazem, acham-se DONOS do Brasil. Se querem ditaduras, os voos para estes destinos estão liberados. Não podem estabelecer o que devemos ou não fazer e em que devemos ou não votar. Até onde eu sei, o País é LIVRE. Se aceitam ou não este fato, não é problema nosso. Que se DANEM.

  10. Que bom Consta! Você junto com outras vozes corajosas e independentes, dentre elas Ana Paula, Fiuza, Augusto Nunes, Cris Graeml, Lacombe, Adrilles e Silvio Navarro nos fazem acreditar que somos sim uma maioria silenciosa (hoje nem tanto) e disposta a lutar por nossa liberdade. Fiz questão de ir à noite de autógrafos em São Paulo para te conhecer e dizer o quanto te admiro!

  11. Excelente texto, Constantino. Espero que esse seja o pensamento de todos que compõe essa maravilhosa REVISTA. Fico ansioso para que chegue logo o sábado para me informar com notícias verdadeiramente VERDADEIRAS. Obrigado a todos vcs.

  12. Raramente escrevo um comentário, mas faço questão de deixar meu profundo apreço pelo magnífico trabalho que você, Constantino, vem realizando na imprensa brasileira, parabéns e continue firme e forte nessa luta. O povo de bem está com você!

  13. Constantino, podemos concluir que seu artigo na edição passada, a qual vocé se renderia ao STF e pararia com as criticas em relação a todos as decisóes abusivas , que trazem uma enorme insegura juridica ao nosso pais, foi uma.grande ironia, com o artigo sendo uma figura linguagem na sua totalidade?

  14. Grande Constantino! São pessoas como vocês que nos devolvem a esperança que estava perdida no tempo daquela guerra das tesouras. Que Deus os abençoe e proteja sempre.

  15. Parabéns, Constantino ! Você nos representa muito bem ; temos orgulho de você.
    É emocionante ouvir seus comentários e agora também vê-los, pela TV Jovem Pan News.
    De modo geral, todo o time da Revista Oeste é maravilhoso.
    Parabéns a você e a todos da equipe, por nos representarem tão bem !

  16. Obrigada Consta, você certamente me representa. Quando ouço seus comentários fico pensando:puxa, vc respondeu o que eu gostaria de responder. Deus abençoe sua vida, sua família e seu trabalho. Assim seja🙏🙏🙏🙏

  17. Muito bom contar agora com sua energia em solo brasileiro. O sentimento de patriotismo vem mais forte, dá pra perceber nesse seu tocante artigo. É isso!! Lutemos por nossa liberdade, nosso bem maior porque não há vida sem ela.
    Consta está constando como dentro dessa luta!! Viva!!🙏👏👏

  18. Sim, contamos com você para lutarmos por uma REFORMA POLÍTICA que nos livre dos chantagistas congresso nacional. Por candidaturas livres e voto distrital.

  19. Parabéns Constantino.
    Precisamos de pessoas como vocês.
    O Brasil já esta cansado de gente sem caráter na política e nos meios de comunicação.

  20. Muito bom Constantino, você é um orgulho para nós os conservadores e amantes do cumprimento das leis e principalmente de nossa CONSTITUIÇÃO.

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