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Tecnologia

Martin Scorsese adere à inteligência artificial

Diretor tornou-se parceiro de uma startup alemã especializada em geração de imagens

Martin Scorsese posa com a placa de indicado na 76ª edição anual do Directors Guild of America (DGA) Awards, em Beverly Hills, Califórnia, EUA - 10/2/2024 | Foto: Mario Anzuoni/Reuters
Martin Scorsese posa com a placa de indicado na 76ª edição anual do Directors Guild of America (DGA) Awards, em Beverly Hills, Califórnia, EUA - 10/2/2024 | Foto: Mario Anzuoni/Reuters

A relação entre Hollywood e a inteligência artificial (IA) ganhou um novo capítulo nesta semana. O diretor Martin Scorsese, um dos cineastas mais influentes da indústria norte-americana, tornou-se parceiro da startup alemã Black Forest Labs e defendeu o uso da tecnologia como ferramenta de apoio ao processo criativo.

Conforme o jornal norte-americano The New York Times, Scorsese passou a atuar como parceiro e conselheiro da companhia, especializada em geração de imagens por IA. O anúncio chama atenção porque o diretor de 83 anos é frequentemente associado à defesa do cinema tradicional e da autoria artística. Nos últimos anos, parte significativa da indústria do entretenimento tratou a IA com desconfiança, sobretudo depois da popularização das ferramentas generativas em 2022.

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Em comunicado divulgado pela Black Forest Labs, Scorsese afirmou que vê potencial criativo na tecnologia. “Tenho interesse na interseção entre tecnologia e narrativa e em como isso pode expandir os limites da criatividade para criar experiências mais profundas e ricas para o público”, disse.

O cineasta também defendeu uma visão aberta sobre a evolução da linguagem cinematográfica. “Lembrem-se: o cinema é uma mídia jovem, com apenas cerca de 125 anos”, advertiu. “Então, precisamos estar abertos à forma como o cinema pode evoluir.”

O uso da inteligência artificial

De acordo com o relato de Scorsese, a ferramenta foi utilizada durante a pré-produção de seu próximo filme, especificamente na criação de storyboards — os esboços visuais que ajudam a planejar cenas antes do início das filmagens.

O diretor explicou que a tecnologia permitiu transmitir com mais rapidez e precisão as imagens que imaginava para sua equipe. “Agora, com esta ferramenta, posso compartilhar de forma mais clara e eficiente aquilo que estou visualizando com minha equipe criativa”, explicou. Ele afirmou ainda que a experiência acelerou etapas do desenvolvimento do projeto sem comprometer o trabalho artístico. “Recentemente, testei isso em uma cena, e a capacidade de visualizar e compartilhar imediatamente o storyboard foi libertadora do ponto de vista criativo”, revelou.

As declarações sugerem que Scorsese vê a inteligência artificial como instrumento de apoio à produção, e não como substituta da atividade criativa humana.

Mudança gradual em Hollywood

O posicionamento do diretor ocorre três anos depois das greves que paralisaram Hollywood em 2023. Na época, roteiristas e atores colocaram limites ao uso da IA entre as principais reivindicações apresentadas aos estúdios.

O receio era que ferramentas capazes de gerar textos, imagens e vídeos pudessem substituir profissionais da indústria ou reduzir a demanda por roteiristas, atores, animadores e equipes de efeitos visuais.

Nos últimos meses, contudo, sinais de maior aceitação começaram a surgir. Durante o Festival de Cannes, a atriz Demi Moore afirmou que combater a inteligência artificial seria uma estratégia inviável e defendeu a busca por formas de convivência com a tecnologia.

Na semana passada, o Festival de Tribeca anunciou a exibição de um filme produzido integralmente com inteligência artificial, sem atores, cenários físicos nem câmeras tradicionais. A iniciativa foi apresentada pelos organizadores como uma demonstração do potencial narrativo das novas ferramentas.

O estúdio Amazon MGM também revelou recentemente projetos produzidos com recursos de IA, incluindo séries animadas voltadas ao público infantil.

Resistência à IA

Apesar da mudança de clima em parte da indústria, a tecnologia continua enfrentando oposição.

Durante o Festival de Cannes deste ano, por exemplo, o ator Seth Rogen e o diretor Guillermo del Toro fizeram críticas ao avanço da IA no entretenimento. Profissionais do setor continuam levantando preocupações relacionadas a direitos autorais, remuneração de criadores e eventual substituição de trabalhadores por sistemas automatizados.

A própria iniciativa da Amazon MGM recebeu críticas de parte da comunidade artística, e um dos participantes do projeto anunciou sua saída pouco depois da divulgação.

Quem é a Black Forest Labs

Fundada em 2024 na cidade de Freiburg, na Alemanha, a Black Forest Labs desenvolve sistemas de inteligência artificial voltados principalmente à geração de imagens.

A empresa foi criada por Robin Rombach, pesquisador que trabalhou anteriormente na Stability AI e participou do desenvolvimento do Stable Diffusion, uma das plataformas de geração de imagens mais conhecidas do mercado.

A companhia utiliza modelos chamados Flux, capazes de criar imagens a partir de descrições textuais e realizar edições avançadas em vídeos.

De acordo com o New York Times, a aproximação entre Scorsese e a startup ocorreu por meio da BroadLight Capital, empresa de investimentos ligada a Rick Yorn, empresário responsável pela carreira do diretor. Michael Ovitz, ex-presidente da agência Creative Artists Agency (CAA) e investidor da Black Forest Labs, também participou das conversas.

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