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Agronegócio

Agricultores usam abelhas para espantar elefantes da roça

Colmeias viram barreiras naturais nas plantações do Quênia

Família de elefantes no Quênia | Foto: Save The Elephants

Manter plantações a salvo de animais é um desafio tão antigo quanto a própria agricultura. No Brasil, as capivaras podem devastar lavouras inteiras. No Quênia, a ameaça vem de gigantes: os elefantes. A solução para afastá-los, porém, surpreende pela delicadeza — abelhas.

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O temor que esses animais sentem é tão grande que eles emitem um sinal específico para avisar a manada quando ouvem o zumbido de um enxame. O motivo de tanto medo? A picada.

Por que os elefantes têm medo das abelhas?

Embora o couro desse mamífero seja espesso, há pontos sensíveis que são verdadeiros alvos dolorosos: olhos, orelhas e tromba. Depois de várias ferrões, a dor se torna inesquecível. Diretora da Save The Elephants, Lucy King comprovou a teoria em uma pesquisa realizada em 2007.

“Sabemos que eles podem ser picados e que nunca esquecem”, concluiu. Segundo a pesquisadora, na flora nativa, os elefantes evitam árvores que abrigam abelhas.

Assim, elas funcionam como repelentes naturais no meio das plantações e resolvem toneladas de problemas. Em um hectare, bastam cerca de 50 colmeias — das quais só duas ou três precisam ser reais, já que os elefantes não distinguem entre falsas e verdadeiras.

Inimigo de peso da roça

No Quênia, a caça desses mamíferos é totalmente proibida. Uma agência governamental monitora a aplicação da lei, e quem ousar desrespeitá-la pode receber multas que chegam a um milhão de reais ou até ser condenado à prisão perpétua. Isso deixa os agricultores entre perder a safra ou arriscar a própria liberdade.

O problema começa pela quantidade de alimentos que um único elefante consome: cerca de 150 quilos de vegetação por dia. Isso significa que uma manada é capaz de acabar com a produção de um hectare inteiro de cana-de-açúcar em apenas um dia, considerando o rendimento médio por área nas lavouras no país: quase 7 toneladas por, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Junte isso ao pisoteio desses gigantes, basta uma única noite de estripulia para acabar com o trabalho de um ano inteiro. Há ainda outro risco maior: cruzar o caminho de um desses bichos pode ser fatal. Um macho pode chegar a seis toneladas — cem vezes mais que o peso médio de um homem queniano. O encontro entre as duas espécies resulta em cerca de 30 mortes humanas por ano no país.

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