Brasil busca acordos com árabes para reduzir dependência de fertilizantes da Rússia

Conflito entre russos e ucranianos tem preocupado o Ministério da Agricultura
-Publicidade-
O elemento químico potássio (K) é de grande importância para a agricultura. É a matéria-prima dos fertilizantes | Foto: Shutterstock
O elemento químico potássio (K) é de grande importância para a agricultura. É a matéria-prima dos fertilizantes | Foto: Shutterstock

No início de maio, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Marcos Montes, visitou a Jordânia, Egito e Marrocos para negociar o recebimento de fertilizantes. O contato foi realizado com fornecedores usuais do Brasil e com possíveis novos exportadores dos países árabes.

De acordo com a assessoria do Mapa, a visita, que deu continuidade ao trabalho iniciado pela ex-ministra Tereza Cristina no Canadá no ano passado, serviu para tentar abastecer o país a partir de novas origens. Mas com o conflito entre Rússia e Ucrânia, as negociações chegaram com mais objetivo em solo árabe: ajudar a suprir a necessidade, em parte, dos fertilizantes vindos da Rússia e da Bielorússia.

Mercado de fertilizantes

-Publicidade-

O mercado agro brasileiro é extremamente dependente de fertilizantes importados. Atualmente, 85% desses produtos usados no Brasil são importados. Quando falamos de matérias-primas dos fertilizantes, somos o quarto maior consumidor de nitrogênio, o terceiro maior de fósforo e o segundo maior de cloreto potássio do mundo.

O conflito entre russos e ucranianos tem preocupado o ministério da Agricultura, porque mais de 20% do total de fertilizantes importados vem da Rússia, segundo informações do Mapa. O cloreto de potássio e amônia estão entre os principais tipos de matérias-primas que o Brasil compra deles. Só para se ter uma ideia, no ano passado, o Brasil importou 2,3 milhões de toneladas de cloreto da Bielorrússia e 3,4 milhões de toneladas da Rússia.

Apesar de a guerra ainda não ter prejudicado a chegada desses fertilizantes, o cenário de conflito traz riscos de escassez e distorce os preços desses insumos. Segundo Ricardo Tortorella, diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos, ainda não conseguimos sentir a diferença do quanto o país está recebendo de fertilizantes, porque demora cerca de 60 dias, entre a compra e a chegada do produto. A maioria das cargas foi comprada antes da guerra. “Nos próximos dias, vamos poder medir como ficará a situação dos produtos de uma forma melhor”, completa Tortorella. “Existe uma tendência natural que diminua a quantidade de pedidos dos produtos da Rússia”, completa Tortorella”.

Negociações de fertilizantes

Durante as negociações entre o Ministério da Agricultura, o governo jordaniano e fabricantes locais, ficou acertado um aumento das exportações da Companhia Árabe de Potássio. A empresa produz mais de 2,4 milhões de toneladas de potássio por ano e vai enviar ao menos 320 mil toneladas do produto para o Brasil ainda em 2022. Esse número representa pouco menos de 1% da demanda brasileira registrada em 2021 — em torno de 40 milhões de toneladas.

Durante a abertura do Fórum Brasil–Egito, em 9 de maio, Marcos Montes ressaltou o interesse em aumentar as importações de fertilizantes do Egito. “Desejamos aprofundar os laços que nos unem ao povo egípcio e o comércio é uma das formas de fazer isso: uma arte praticada aqui de maneira admirável há milênios. Com a adequada oferta de fertilizantes, atingiremos as metas da Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU (FAO) para a oferta de alimentos para o mundo em 2050”, disse o ministro em uma nota divulgada pelo Mapa.

A OCP Fertilizantes, uma grande fornecedora marroquina de fósforo e derivados, está pronta para dar prioridade ao Brasil, e inclusive tem planos para abrir uma unidade industrial em solo brasileiro. “O projeto está em andamento, já temos o terreno, a seis quilômetros do Porto de Itaqui (Maranhão)”, disse Olavio Takenaka, presidente da empresa no Brasil, em entrevista concedida à Agência de Notícias Brasil-Arábe.

Para Felippe Serigati, coordenador do Mestrado Profissional em Agronegócios da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), Jordânia, Egito e Marrocos foram escolhidos para serem visitados “logo de cara” por terem uma relação muito boa com o Brasil. Além disso, essa aproximação pode ser muito benéfica para outras áreas. “Os países árabes são grandes parceiros comerciais do agronegócio brasileiro, no setor de carne e de diversos grãos. Vejo estreitar essas duas economias como boa notícia”, completou o coordenador do mestrado.

-Publicidade-
* O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais.

Envie um comentário

Conteúdo exclusivo para assinantes.

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Revista OESTE, a primeira plataforma de conteúdo cem por cento
comprometida com a defesa do capitalismo e do livre mercado.

Meios de pagamento
Site seguro
Seja nosso assinante!

Reportagens e artigos exclusivos produzidos pela melhor equipe de jornalistas do Brasil.