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Agronegócio

Demanda chinesa por milho preocupa produtores de frango no Brasil

Grão é fundamental para criações realizadas em confinamento

frango brasil milho
Milho Foto: Claudio Neves/Paraná Portos

Os produtores de frango do Brasil estão apreensivos com a demanda da China pelo milho brasileiro. O grão é fundamental para a alimentação desse tipo de criação, que ocorre em confinamento.

Atualmente, os produtores de frango do Brasil são os maiores exportadores globais — e o setor cresce impulsionado pela disponibilidade de milho no país e a expertise dos criadores locais.

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Em 2022, os agricultores brasileiros produziram por volta de 115 milhões de toneladas desse grão, sendo que duas de cada três sacas ficaram no mercado interno.

Esse volume contribuiu, por exemplo, para a produção nacional de rações para animais. No ano passado, somando os produtos destinados a todo tipo de criação e com as diferentes matérias-primas, a fabricação nacional bateu 82 milhões de toneladas. Essa quantidade correspondeu a cerca de 7% do suprimento global. Assim, o país ficou em terceiro lugar no ranking global de produção.

Diferentemente do que pode ocorrer em 2023, entretanto, não houve a concorrência dos importadores chineses pelo milho do Brasil na maior parte de 2022. Os embarques desse grão destinados à China tiveram início em outubro.

Em três meses, o gigante asiático absorveu pouco mais de 1 milhão de toneladas de milho do Brasil. A demanda está pressionada pela invasão russa à Ucrânia. Antes do conflito, os agricultores ucranianos estavam entre os maiores fornecedores de milho para a China.

Gargalo logístico no Brasil

José Antônio Ribas Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina, argumenta que a exportação do grãos in natura agrega menos para a economia nacional que o consumo nas granjas. “A conta é muito simples, exportar uma commodity, como grão, gera menos retorno ao país do que transformá-lo em proteína animal”, explicou. Ele lembra que “a cadeia de agregação de valor” construída na engorda dos animais cria empregos, riquezas e desenvolvimento.

Ribas, entretanto, é contra uma intervenção do governo para frear a exportação. Para ele, o melhor caminho é incentivar a indústria nacional sanando os gargalos logísticos do setor, para conectar melhor os produtores de carne de frango do Brasil, majoritariamente na Região Sul, com os agricultores que plantam milho, em sua maioria localizados no Centro-Oeste.

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2 comentários
  1. Romeu José Paludo
    Romeu José Paludo

    Sou contra álcool de milho. Mas sou contra exportar sem critério. Primeiro temos que garantir o mercado interno. Exportar o excedente. Para nossa segurança alimentar. Nossos impostos estão sendo usados com os outros. Será que devemos abrir mão dos alimentos também? Que plantem. Nós plantamos! E exportamos o que sobra. Por que querem mais do que podemos exportar?

  2. José Antonio Debon
    José Antonio Debon

    Preocupante é o aumento da produção de etanol de milho, já publicado nessa revista, em um pais que a décadas já produz etanol de cana para atender a demanda interna de álcool anidro ou hidratado.

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