Fiocruz descarta ‘doença da vaca louca’ em pacientes brasileiros

A suspeita é que os casos sejam de DCJ, uma doença degenerativa que não está ligada ao consumo de carne bovina
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Sede na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro | Foto: André Az /Fiocruz
Sede na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro | Foto: André Az /Fiocruz

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descartou que os dois pacientes internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas estejam com Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como “doença da vaca louca”. A conclusão foi divulgada na quinta-feira 11 por meio de um boletim atestando que os casos são suspeitos de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) — uma patologia que não está associada ao consumo de carne bovina, e cujas causas, em geral, são desconhecidas.

A idade dos pacientes não foi divulgada. Entretanto, a DCJ afeta adultos com idade entre 60 anos e 80 anos. Ela não tem cura, também degenera as funções neurológicas e a expectativa de vida dos doentes é de seis meses a um ano. Um documento oficial divulgado pelo Ministério da Saúde em 2018 informa que entre os anos de 2005 e 2014 foram notificados 603 casos suspeitos da doença no Brasil. Deles, foram confirmados 55, descartados 52, considerados indefinidos 92 e 404 tiveram a classificação final ignorada ou em branco.

Cotação do Boi gordo

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Antes do boletim da Fiocruz, as notícias de que as duas contaminações poderiam estar ligadas à “doença da vaca louca” derrubaram a cotação do boi gordo no Brasil. De acordo o BRInvesting, às 12h35 de quinta-feira, os contratos futuros eram negociados a R$ 309 e despencaram para R$ 294,95 às 13h40. Contudo, depois do comunicado ser divulgado pela instituição e confirmado em uma nota do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), houve a recuperação dos valores — que fecharam a R$ 307,85.

A doença da vaca louca no Brasil

No mês de setembro, o Mapa abriu duas notificações por EBB atípica no Brasil. Registradas para frigoríficos em Nova Canaã (MT) e Belo Horizonte, foram “o quarto e quinto casos de EEB atípica registrados em mais de 23 anos” e se tratavam de duas “vacas de descarte que apresentavam idade avançada”. Por esse motivo, as exportações para a China foram suspensas. Agora, cabe aos chineses decidirem quando encerrar o embargo.

O Brasil nunca registrou a ocorrência de caso de EEB clássica”, afirmou o Mapa em nota. “A EEB atípica ocorre de maneira espontânea e esporádica e não está relacionada à ingestão de alimentos contaminados. Todas as ações sanitárias de mitigação de risco foram concluídas antes mesmo da emissão do resultado final pelo laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em Alberta, no Canadá. Portanto, não há risco para a saúde humana e animal.

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2 comentários Ver comentários

  1. “… e se tratavam de duas ‘vacas de descarte…'”. Corrija, por favor, Oeste. Esta construção soa mal aos ouvidos, além de ser incorreta. A construção correta é tratava-se de. Sempre que o sujeito indeterminado está representado pelo pronome se, o verbo usa-se na terceira pessoa do singular: Trata-se de problemas sociais complexos.

  2. Nunca ouvi falar que gado criado em regime de pasto contraísse essa doença e que daria mais em gado criado em regime de confinamento à base de ração industrializada no cocho. Esse tipo de criação também é difundido no Brasil mas representava, na época que me informei, um porcentual muito pequeno mas muitas das vezes o arraçoamento era de feno com suplementos minerais, nada de produto industrializado. Para mim, isso não passa de canalhice desses gringos.

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