publicidade
Agronegócio

Lula prometeu picanha e pode entregar desemprego

O tarifaço de Trump pode reduzir as exportações e produção de carne bovina do Brasil

Lula
Em coletiva, Lula citou a alta de alguns alimentos específicos, entre eles a picanha, uma das marcas de sua campanha eleitoral | Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

Durante as eleições de 2022, Lula prometeu picanha barata para o povo. Mas faltou combinar com os criadores, os frigoríficos e os açougues e, claro, os consumidores. Ou seja, com o mercado. Resultado: a promessa ficou na campanha. Agora, a tarifa extra imposta por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre a carne bovina do Brasil pode derrubar o preço — mas de um jeito que tende a prejudicar tanto quem vende quanto quem compra.

+ Conheça Curiosamente e descubra o que esconderam de você

Receba nossas atualizações

Em julho, Trump anunciou a possível taxação de 50% para tudo o que for importado do Brasil. Na quarta-feira, 30, perto do fim do mês, o presidente dos EUA assinou um decreto para isentar alguns produtos. O governo Lula correu para informar sobre a mudança — mas a picanha, assim como toda a carne bovina, não fez parte da isenção.

O Brasil é um gigante nesse mercado. A demanda externa deu mais impulso à produção dentro do país. Embora a China seja o maior comprador internacional, os EUA também são importantes clientes dos frigoríficos brasileiros. Mantendo relações com as duas nações mais ricas do planeta, o agronegócio nacional vendeu mais proteína animal, o que aumentou a produção e também a oferta interna. Tanto os estrangeiros quanto os brasileiros passaram a comer mais picanha, enquanto a produção local crescia. Não foi mágica. É mercado.

Todo mundo ganha com o mercado

Se o preço melhora, mais gente quer produzir. Mais produtores significam aumento dos investimentos. O aumento dos investimentos faz crescer o número de empregos. O crescimento do emprego gera salários melhores — e, quando o salário sobe, sobra mais dinheiro para comprar carne. Todo mundo ganha, simples assim.

Foi exatamente assim no Brasil: à medida que a produção e as exportações cresceram, também aumentou o consumo interno. Aliás, o maior cliente dos frigoríficos do país é a população brasileira, responsável pelo consumo de 70% da produção nacional.

O problema é quando a queda dos valores acontece por outro caminho: o da redução da demanda. Isso pode acontecer com a tarifa extra anunciada por Trump. Aí, todo mundo — ao menos no Brasil — pode perder muito. Queda de preço pela redução da demanda diminui o apetite dos produtores, que passam a investir menos e podem até demitir. E, para quem perde o emprego, a tendência é não ter dinheiro para comprar muita coisa. Não há Bolsa Família que resolva.

Lula e a picanha sem preço

Em 2024, o Brasil vendeu 2,5 milhões de toneladas de carne bovina. O peso revela um aumento de 25% sobre o ano anterior. Parte desse crescimento se deu em razão do mercado norte-americano: eles ocupam a segunda posição no ranking de exportações da carne brasileira e dobraram as compras de um ano para o outro.

O primeiro lugar é da China, responsável por quase metade das compras. Por sua vez, os EUA compraram quase 200 mil toneladas. Somando a picanha e todos os outros cortes, o país de Trump gastou quase US$ 1 bilhão com a carne bovina do Brasil em 2024 — é um mercado que Lula não pode desprezar. Pelo menos, não deveria.

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Adail da Costa Leite Filho
    Adail da Costa Leite Filho

    Tem os até 2026 para que Sidonio e o novo IBGE elaborem números mágicos.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade