publicidade
Agronegócio

Produtores fazem 'cortejo fúnebre' e protestam contra crise e dívidas rurais no RS

Ato 'Luto pelo agro' reuniu agricultores em Não-Me-Toque (RS) para denunciar endividamento rural e cobranças sobre a produção

O 'Cortejo fúnebre' dos manifestantes, uma forma de representar os 36 produtores que tiraram a própria vida em razão do endividamento no campo. O ato aconteceu antes da abertura da Expodireto 2026
O 'Cortejo fúnebre' dos manifestantes, uma forma de representar os 36 produtores que tiraram a própria vida em razão do endividamento no campo. O ato aconteceu antes da abertura da Expodireto 2026 | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste

A abertura da Expodireto Cotrijal 2026 foi marcada por um protesto de produtores rurais na manhã desta segunda-feira, 9, em Não-Me-Toque (RS). “Luto pelo agro: se não lutar, ele morre”, afirmavam os apoiadores em seus cartazes. Agricultores realizaram um “cortejo fúnebre” simbólico, com cruzes pretas e um caixão, para denunciar as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor.

A ação também representa os 36 produtores rurais que tiraram a própria vida, em razão do endividamento no campo.

Receba nossas atualizações

A mobilização começou nas primeiras horas do dia, a partir das 6h30. Os manifestantes percorreram cerca de seis quilômetros até o parque da feira, às margens da Rodovia RS-142, onde ocorre o evento.

Durante a exposição, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) discursou ao lado do vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB), e do senador Luis Carlos Heinze (PP). Zucco criticou a negligência dos governantes em relação ao agro no Brasil, sobretudo o gaúcho.

“Temos 40% do PIB gaúcho no agro, e menos de 5% de terras irrigadas”, reforçou o deputado, ao citar que não há políticas permanentes de irrigação e combate à estiagem.

De acordo com os organizadores, o ato buscou chamar atenção para a situação de produtores gaúchos que enfrentam dificuldades depois de sucessivas perdas de safra e aumento dos custos de produção.

O presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais (Aper), Arlei Romeiro, disse a Oeste que “variações climáticas” podem gerar endividamentos. No entanto, o produtor rural possui garantias na lei, que prevê prorrogação de dívidas.

“O cumprimento da lei pelas instituições financeiras tem de acontecer”, reforçou Romeiro. “A obrigação de fiscalizá-las é do Banco Central. A maioria delas tira o produtor rural do crédito rural e o joga em um crédito comum, com taxas de juros muito mais elevadas.”

Romeiro explicou que o Projeto de Lei (PL) 320, da securitização (prorrogação da dívida), estabelece 20 anos de prazo, três anos de carência e taxas de juros de 1% a 3%, a depender da categoria: pequeno, médio e grande produtor.

Conforme o representante da Aper, o PL 320/25 está parado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Os produtores também reivindicam o PL 5122/23, que permite a renegociação das dívidas com prazo maior e com recursos do Fundo Social do Pré-sal.

O movimento recebeu apoio público da organização do evento. O presidente da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica, manifestou solidariedade aos agricultores durante a cerimônia de abertura. Para Manica, a feira atua como uma “caixa de ressonância” para os problemas do setor, servindo de palco para que as dificuldades cheguem às autoridades competentes.

Endividamento rural no RS

Durante o protesto, agricultores destacaram o endividamento no campo como principal preocupação. Representantes do movimento afirmam que instituições financeiras deixam de aplicar normas previstas no Manual de Crédito Rural, que garantem a prorrogação de dívidas em casos de frustração de safra.

+ Leia mais notícias do Brasil em Oeste

Outra reivindicação apresentada pelos produtores envolve a cobrança de royalties sobre sementes de soja. Documentos foram entregues à empresa Bayer, à cooperativa Sicredi, ao Banco do Brasil e outras instituições financeiras para pedir esclarecimentos sobre taxas e multas aplicadas na comercialização do grão, tema questionado por entidades do setor.

O Banco do Brasil recebeu vaias quando uma das integrantes que estava no estande pediu para fechar a porta no momento em que os manifestantes se aproximaram para entregar o documento. As outras instituições assinaram o pedido.

Apoio de autoridades

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, revelou à reportagem que vai a uma reunião para discutir o PL 5122 junto do governador gaúcho, Eduardo Leite (PSD), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O encontro ocorrerá em Brasília na próxima quarta-feira, 11. O objetivo é “aumentar a pressão” sobre a aprovação do projeto, que já passou pela Câmara dos Deputados e está parado no Senado.

“Vamos colocar o ‘bode na sala’ junto ao presidente da República”, relatou Souza. “E que venha alguma solução que passa pela securitização das dívidas.”

De acordo com o senador Heinze, no início de 2025, a base do governo não concordou com a proposta de securitização, que oficialmente deve passar pelo Senado. A medida prevê prorrogação por 20 anos das dívidas e emissão de títulos do Tesouro de R$ 150 bilhões para pagar os bancos.

“Tentamos em março, abril, maio, essa proposta”, contou o senador. “Eles não aceitaram pelo argumento de impacto nas contas públicas. As contas públicas já estão desequilibradas. É solução para um setor importante da economia brasileira, que é o agronegócio. O Rio Grande do Sul tem quase um PIB inteiro perdido ao longo dos últimos anos.”

Realizada em Não-Me-Toque, interior do Estado gaúcho, a Expodireto Cotrijal ocorre de 9 a 13 de março. A manifestação ocorreu antes da abertura oficial da programação do evento.

Veja mais fotos do ato “Luto pelo agro”

'Cortejo fúnebre' em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
‘Cortejo fúnebre’ em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
'Cortejo fúnebre' em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
‘Cortejo fúnebre’ em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
'Cortejo fúnebre' em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
‘Cortejo fúnebre’ em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
'Cortejo fúnebre' em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
‘Cortejo fúnebre’ em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Momento da assinatura do documento apresentado pelos manifestantes contrários aos altos juros aplicados no crédito aos agricultores e royalties | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
Momento da assinatura do documento apresentado pelos manifestantes contrários aos altos juros aplicados no crédito aos agricultores e royalties | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Momento da assinatura do documento apresentado pelos manifestantes contrários aos altos juros aplicados no crédito aos agricultores e royalties | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
Momento da assinatura do documento apresentado pelos manifestantes contrários aos altos juros aplicados no crédito aos agricultores e royalties | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Bancada com parlamentares e autoridades, como o vice-governador do RS, Gabriel Souza, o deputado federal Luciano Zucco e o senador Luis Carlos Heinze | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
Bancada com parlamentares e autoridades, como o vice-governador do RS, Gabriel Souza, o deputado federal Luciano Zucco e o senador Luis Carlos Heinze | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Deputado federal Luciano Zucco, em evento na Expodireto 2026 | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
Deputado federal Luciano Zucco, em evento na Expodireto 2026 | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
'Cortejo fúnebre' em Não-Me-Toque (RS). Ato coloca placas representando o governo federal, o estadual, as instituições financeiras no 'funeral' simbólico | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
‘Cortejo fúnebre’ em Não-Me-Toque (RS). Ato coloca placas representando o governo federal, o estadual, as instituições financeiras no ‘funeral’ simbólico | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Manifestantes jogando soja, milho, uma garrafa de leite e outros produtos principais da agricultura gaúcha em caixão, representando os produtores que tiraram a própria vida em razão do endividamento rural | Foto: Tauany Cattan/Revista <b>Oeste</b>
Manifestantes jogando soja, milho, uma garrafa de leite e outros produtos principais da agricultura gaúcha em caixão, representando os produtores que tiraram a própria vida em razão do endividamento rural | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Manifestantes jogando soja, milho, uma garrafa de leite e outros produtos principais da agricultura gaúcha em caixão, representando os produtores que tiraram a própria vida em razão do endividamento rural
Manifestantes jogando soja, milho, uma garrafa de leite e outros produtos principais da agricultura gaúcha em caixão, representando os produtores que tiraram a própria vida em razão do endividamento rural | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
'Cortejo fúnebre' em Não-Me-Toque (RS)
‘Cortejo fúnebre’ em Não-Me-Toque (RS) | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste

Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, procure ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188 ou pelo site. 

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Marcus Magalhães
    Marcus Magalhães

    Se Deus quiser faremos esse cortejo fúnebre quando nos livrarmos desse câncer que é Pt que inferniza a vida desse país. Resistam falta muito pouco .

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.