Salada mais cara para o consumidor

Pandemia, custo de produção em dólar e clima irregular prejudicam agricultores, e fazem com que alimentos encareçam
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Hortaliças: preços mais caros para o consumidor
Hortaliças: preços mais caros para o consumidor | Foto: Divulgação/Unsplash

Tomate, alface, cebola e cenoura, o quarteto que tradicionalmente compõe a salada do brasileiro, devem ficar mais caros nos próximos meses. Um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e divulgado na segunda quinzena de maio, apontou que alimentos como tomate, cenoura e cebola já registraram altas em seus preços em abril. “Não é só o consumidor que está pagando mais caro. Há vários fatores que impactam a cadeia de produção até chegar ao consumidor”, afirma João Paulo Deleo, analista agrícola do Cepea.

O custo de produção (pago pelos agricultores em dólar), a redução do consumo destes alimentos durante a pandemia e o clima instável, que afeta as lavouras mais sensíveis, são alguns dos fatores responsáveis pelas altas nos preços.

O tomate que há anos tem preços muito baixos devido à grande oferta no mercado, registrou alta de 21%. O tomaticultor Rafael Trindade, de Faxinal, no norte do Paraná, relata: “É uma situação desesperadora porque, de uma semana para a outra, o preço pode cair pela metade e o custo de produção continua aumentando. Nossos custos incluem semente, adubo, fertilizante, defensivos, todos comprados em dólar, mas nós vendemos tomate em real”.

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Na pandemia, o consumo de tomate caiu de forma brusca. Ele chegou a jogar 5.000 caixas de tomate fora, em 2020. A solução encontrada foi diminuir a área cultivada, este ano. Agora, planeja investir em qualidade. Investir na produção em estufas e trocar os defensivos químicos por biológicos, que podem ser preparados nas propriedades e com custo mais barato, têm sido soluções adotadas por outros agricultores, reportou o portal UOL.

Leia também: “Projeto da Embrapa pode levar saneamento para zonas rurais”

De acordo com o relatório do Cepea, entre março e abril, a cenoura teve alta de 55%, e a cebola, de 13,8%. Ambas as culturas são impactadas também pelos custos de produção em dólar, o que desfavorece o agricultor, e menor consumo durante a pandemia.

Conforme o Cepea, órgão ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP), de Piracicaba (SP), a rentabilidade média do produtor ficou 8% abaixo dos seus custos, no caso da cenoura. Com relação à cebola, a alta nos preços se deu pelo fim da safra. Com pouca quantidade de produto no mercado, houve a necessidade de importá-lo da Argentina, causando a alta. Mas, devido à safra na região Nordeste, os preços da cebola podem voltar a cair nas próximas semanas.

O preço da alface foi o único que caiu no período, com queda de 17,8%. A principal justificativa foi a diminuição no número de pedidos realizados pelos canais de vendas da hortaliça, que ficaram fechados devido à pandemia. Em regiões como a do Cinturão Verde (em Mogi das Cruzes, SP), famosa pela produção de folhosas, o clima do outono, mais ameno, fez cair a produção de alface. Mas os preços não aumentaram, mesmo com oferta menor de produto.

“Chuvas e granizo provocaram grandes perdas nas lavouras levando os produtores, que já estavam cautelosos em relação a investimentos, a plantar bem menos. Já na região de Ibiúna, que é outro polo produtor de folhosas, a oferta aumentou, mas, como a demanda estava muito fraca, os preços caíram”, diz Mariana Marangon Moreira, analista de mercado do Cepea. De acordo com o órgão, a situação não deve ter muita alteração nos próximos meses, já que o consumo de alface diminui em climas com temperaturas mais baixas.

Leia também a entrevista “O comandante da Revolução Verde no Brasil”, publicada na edição 59 da Revista Oeste

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