A mesma ficha

"O STF pode decidir o que quiser. Mas nada vai apagar o fato de que Lula comandou o governo mais corrupto que o Brasil já teve desde 1500", observou J. R. Guzzo
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"A extravagante decisão do ministro Edson Fachin, algo jamais registrado nos 130 anos de história republicana do STF, não inocentou Lula de coisa nenhuma", escreve J. R. Guzzo
"A extravagante decisão do ministro Edson Fachin, algo jamais registrado nos 130 anos de história republicana do STF, não inocentou Lula de coisa nenhuma", escreve J. R. Guzzo

(J. R. Guzzo, artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 14 de março de 2021)

O Estado de S. Paulo num editorial recente, resume com notável exatidão tudo o que é realmente preciso dizer sobre o golpe judicial que anulou, de uma vez só, as quatro ações penais envolvendo o ex-presidente Lula, inclusive a sua condenação em três instâncias pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro: “A ficha moral de Lula é suja”. O STF pode até zerar o prontuário criminal que proíbe a candidatura de Lula à Presidência da República. Mas “para todos os efeitos – morais e políticos”, diz o Estadão, o chefe do PT “terá seu nome indelevelmente vinculado a múltiplos escândalos de corrupção, que nenhuma chicana será capaz de apagar”. Como achar outra coisa? Não há como.

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De fato, a extravagante decisão do ministro Edson Fachin, algo jamais registrado nos 130 anos de história republicana do STF, não inocentou Lula de coisa nenhuma; ele diz, é claro, que reconheceram a sua “inocência”, mas isso é só mais uma bobagem sem nenhum contato com a realidade. Tudo o que Fachin disse, numa descoberta que levou cinco anos para fazer, é que Lula não deveria ter sido julgado em Curitiba e sim em Brasília. O que interessa, segundo o ministro, não é se houve crime, mas onde o crime foi praticado – se foi aqui vale, se foi ali não vale. “É como se o juiz resolvesse marcar no final do segundo tempo um pênalti supostamente cometido no primeiro”, diz o editorial.

O STF pode decidir o que quiser — pode declarar que Lula é o presidente vitalício do Brasil, ou mandar a Polícia Federal prender o triângulo escaleno. Mas nada vai apagar o fato de que Lula comandou o governo mais corrupto que o Brasil já teve desde 1500. Foi o governo em que reinou o empreiteiro Marcelo Odebrecht, réu confesso de crimes que o tornaram um dos maiores corruptores do planeta. Foi o governo do ex-ministro Antonio Palocci, que, além de confessar tudo, delatou até os Doze Apóstolos. Foi o governo em que brilhou o ex-governador e aliado íntimo Sérgio Cabral, condenado a mais de 300 anos de cadeia por ladroagem – e por aí vamos.

Lula diz, o tempo todo, que é uma “vítima pessoal” de Sérgio Moro. É um disparate. Ele foi julgado e condenado por nove juízes independentes uns dos outros, em três instâncias diferentes, num processo que não tem mais para onde ir. Todos disseram que as provas dos crimes são suficientes; não há mais o que provar. A ficha continua suja.

Restrições em São Paulo

Os cidadãos de São Paulo estão proibidos de praticar seus cultos religiosos. As crianças não podem ir à escola. É proibido estar na rua depois das oito horas da noite. É obrigatório trabalhar em casa, com um computador, para quem exerce a sua profissão em escritórios. É proibido andar num parque público e ir à praia. É obrigatório alimentar-se por sistemas de entrega a domicílio, ou retirar sua comida à porta de quem a serve – e isso só durante o dia, porque à noite não pode nada. É proibido entrar numa loja para comprar um fio elétrico, uma panela ou uma peça de roupa – e por aí vai, até onde o Estado consegue proibir e obrigar. As autoridades fracassaram no combate à pandemia: depois de tudo o que fizeram durante um ano inteiro, nunca houve tantas infecções e mortes como agora.

Sua resposta está sendo o mais devastador ataque aos direitos individuais, às liberdades públicas e ao império da lei que o Brasil já conheceu em toda a sua história – incluindo os piores períodos de ditadura explícita. Com a aprovação e a cumplicidade integrais do sistema judiciário, os comitês de médicos-burocratas que hoje governam o País em nome das autoridades legais só têm estímulo para agredirem cada vez mais a democracia.

 

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9 comentários

  1. Infeliz a nação que se deixa dominar por escroques, patifes, canalhas, corruptos, dissimulados, arrogantes, despreparados, ditadores, travestidos de “governadores” e “prefeitos”. Ainda temos a leniência, a complacência, a parcialidade de uma “imprensa” marron, esquerdopata, senil, e last but not least, a conivência dos “ministros do tal stf”. Lamentável !!! #ABAIXOADITADURA !!! DESOBEDIÊNCIACIVILJÁ !!! OPOVONASRUASJÁ !!!

  2. Estou pensando em algo terrível. Mas não vou contar porque o STF vigia todos nós. A tese do STF é supor. Supor e inventar estão acima de provas materiais.

  3. O Brasil elegeu um governo conservador, com viés liberal, políticos de direita.
    Quebrada a cultura de eleger esquerdistas, que aparelharam o estado e escolheram o membros do STF, temos hoje um dilema, a mais alta côrte da justiça não aceita o governo democraticamente eleito. E não escondem sua contrariedade, mostram quem manda e quanto podem agir politicamente.
    Esse dilema torna a instituição suprema suspeita, o brasileiro percebe e está cada vez mais indignado.

    1. Muito bem Giocondo.
      Neste momento não podemos perder o foco, ainda mais que no caminho, são colocados alguns desvios para retardar ainda mais o que fizemos em 2.013, que resultou no expurgo do EXECUTIVO do conluio entre os 3 poderes. Em 5 anos colocamos um governo conservador, este que quebrou a trama sórdida combinada na revolução comunista de 1.988.
      A nossa bronca tem que ser direta e imediata, somente com quem votamos, numa prestação de contas definitiva com a Presidência do Congresso Nacional:
      PEC DA BENGALA
      PEC DA PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA
      VOTO IMPRESSO EM URNA ELETRÔNICA
      Ocupar a frente de quartéis me parece exigir da única instituição em que ainda confiamos plenamente, passar o carro na frente dos bois.
      Constitucionalmente devemos sim demonstrar o nosso repúdio ao que o STF vem fazendo, mas diretamente com quem os referenda, em sabatina, com quem pode inquirir aqueles abutres.

      1. Concordo integralmente, acrescentaria apenas uma nova metodologia que levasse apenas juízes de direito com experiência mínima comprovada no cargo, sem ter sido filiado à qualquer partido político nem ter sido defensor de facções criminosas e/ou entidades ligadas a elas, tais como PCC, CV, PT, PSOL, PCdoB,…, bem como com o término da vitaliciedade.

  4. A mim, não interessa mais denuncias. Essas existem aos milhares. Interessa mesmo é AÇÃO. Vamos ficar observando as arbitrariedades até tornarem-se aceitas como normalidade como sempre acontece? Não dá mais. AÇÃO, eis a solução!

  5. COMO ADVOGADA, LAMENTO O POSICIONAMENTO DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL -OAB, QUE NÃO SE MANIFESTA CONTRA AS DECISÕES TÉCNICA E MORALMENTE EQUIVOCADAS PROFERIDAS PELO STF. IMAGINO COMO DEVE FICAR A CABEÇA DE UM ALUNO, ESTUDIOSO E IDEALISTA, AO VERIFICAR QUE UM MINISTRO DEU A UM “EMBARGO DE DECLARAÇÃO” A AMPLITUDE QUE ELE NÃO TEM, UMA VEZ QUE SE LIMITA A APENAS CORRIGIR UMA REDAÇÃO, SEM ADENTRAR NO MÉRITO DO CONFLITO!!!??? IMAGINO COMO DEVE FICAR A CABEÇA DE UM ALUNO AO VER QUE O STF ESTÁ USANDO MEIO DE PROVA OBTIDA ILICITAMENTE, COMO AS TAIS GRAVAÇÕES DO HACKER, EM AFRONTA AOS DISPOSITIVOS LEGAIS, QUE DETERMINAM SEREM VÁLIDOS APENAS OS MEIOS PROVAS ADMITIDOS EM DIREITO!!!??? E A OAB FICA MUDA???!!!

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