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A revolução cosmética

A Natura elegeu como pai do ano um transexual. A empresa pretende trazer a mensagem de que está ajudando os transexuais contra o preconceito. Mas ela não está

Por Guilherme Fiuza

Publicado na Gazeta do Povo em 31/7/2020

A Natura elegeu como pai do ano um transexual. A empresa pretende, dessa forma, trazer a mensagem de que está ajudando os transexuais contra o preconceito. Mas ela não está. A Natura está prejudicando os transexuais.

Solidariedade sincera agrega. Solidariedade simulada segrega. Em 1968, São Francisco (Califórnia) explodiu em manifestações pelos direitos dos gays, pela liberdade de cada um para viver em paz suas escolhas, suas normalidades, suas esquisitices, suas peculiaridades para o bem e para o mal. De lá para cá a liberdade individual, sexual e moral teve mais de meio século de conquistas. Não de tolerância, porque tolerância é migalha. Conquistas de reconhecimento.

A Natura faz parte de um surto panfletário que joga isso tudo fora. O business é protestar contra a sociedade careta de meio século atrás. Não cola.

Nos anos 70 o Brasil estava cantando “qualquer maneira de amor vale a pena”. Nos 80, a bissexualidade e a identidade transexual saíam do gueto. Os gays já tinham saído. Estavam todos nas novelas, nos filmes, nas músicas, em cargos de comando. Ninguém dizia que “agora é assim”, ou que era o “novo normal” ou nenhum desses carimbos idiotas. Não tinha essa paranoia aritmética de maioria, minoria, hegemonia. Cada um na sua e ponto-final. O processo de libertação era a redução da patrulha (em todas as direções) — o contrário do que acontece agora.

O progressista de laboratório é, na verdade, um reacionário. Ele não quer ajudar ninguém. Quer só colar um adesivo virtuoso na testa. É um calculista, um egoísta, um avarento. Graças a ele, hoje o número de patrulheiros contra a discriminação sexual é provavelmente um milhão de vezes maior do que o número de pessoas que cometem discriminação sexual. O humanista de butique precisa do preconceito. É o seu oxigênio vital.

A campanha da Natura simboliza um surto burguês de compra e venda de consciência e sensibilidade a 1,99. A contracultura nos anos 60 queria combater a sociedade repressiva “chocando a burguesia”. Assim derrubou alguns tabus, e também criou outros, o que não interessa julgar aqui. Meio século depois a burguesia resolveu brincar de chocar a burguesia. É ridículo.

Um ator adotou uma filha negra e no Natal disse que ela tinha medo de Papai Noel branco. Captou a profundidade? Os descolados de almanaque querem “chocar a burguesia” no Natal, no Dia dos Pais ou em qualquer cenário onde eles possam pendurar uma melancia no pescoço e aparecer com sua revolução cosmética. Hipocrisia in Natura.

Não é para ajudar ninguém. É para apontar o dedo para os outros. Onde não houver preconceito, eles inventam. Recentemente perguntaram a um cantor se ele era gay. O artista respondeu que nos anos 70 namorava quem queria e nunca tinha que dar a ficha dos parceiros de cama. O interlocutor insistiu perguntando se o cantor não ia sair do armário. Ele respondeu: “Não posso. Na minha casa só tem closet”.

Parem de patrulhar os outros, seus neuróticos. Parem de carimbar todo mundo com carteirinhas sexuais e raciais. E vão cuidar da vida, porque a embalagem está bonita, só falta botar alguma coisa dentro.

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29 comentários

    1. Esse Fiuza não tem jeito mesmo! Se o preconceito é o oxigênio dos lacradores, imaginem o gás carbônico! Ainda bem que agora existem as máscaras que podem fazer o esquerdista respirar o próprio ar.

      1. A DesNaturada é defendida por aquele$ Tran$ que “lacram” dizendo que a publicidade trouxe lucro… é o vexame do vale-tudo por dinheiro! Madrastas-Lésbicas assumidas serão mais respeitadas pelos enteados… Captaram?

    2. A verdade do facto, acima de tudo, da notícia verdadeira é o que todo leitor consciente deseja. A opinião do Jornalista também considero válida, mas não em forma de fraudar ou modificar a notícia. Nos dias atuais , até o analfabeto tem um celular. Com ele tira fotos, ouve rádio para serem bem informados. Conheço alguns analfabetos mais inteligentes do que alguns letrados que também conheço.

    3. Formidável e conciso. Fiuza sempre certeiro!
      Continuo achando que o melhor remédio pra essa patota da patrulha é enfrentar um tanque cheio de roupa suja!

    1. Fiuza, sempre Fiuza. Um tapa na cara desses hipócritas, com luva de pelica recheada de brita. Sem viadagem (será que vão me “cancelar”?), um texto delicioso.

      1. A agência de propaganda, provavelmente responsável por esta peça “criativa”, se já não tinha recebido as contas, depois desta só tá esperando o telefonema do cliente a qualquer momento!

      2. Parabéns Fiuza, cirúrgico como sempre!!!!!
        Hipócritas!!!

  1. A briga pelo dinheiro quebra qualquer escrúpulo, se ainda existente.
    Uma pessoa sem qualquer relevância para a sociedade, nem bem nem mal fez, muito pelo contrário, por quê vem a ser eleita o Pai do Ano?
    Não existe coerência, nem tampouco respeito ao cidadão mediano, não teria nenhum homem capaz de ser considerado um bom pai?

    1. A Natura saiu definitivamente do armário. Para revelar nela a contradição conceitual ínsita ao esquerdismo – que exige a adulteração da palavras, a corrupção dos sentidos e a hipocrisia na ação. A consequência é essa: Natura contra natura est.

  2. Esse Fiuza não tem jeito mesmo! Se o preconceito é o oxigênio dos lacradores, imaginem o gás carbônico! Ainda bem que agora existem as máscaras que podem fazer o esquerdista respirar o próprio ar.

    1. É uma vergonha, a campanha é só pra criar polêmica e a empresa lucrar, nem que para isso tenham que afrontar a família. Nunca usei produtos da Natura, pois são de péssima qualidade. Depois dessa, então, farei campanha contra.

  3. Parabéns Fiuza e enquanto é tempo, protegemos também a mãe natureza antes que seja tarde pois daqui a pouco ela também será alvo dos patrulheiros neuróticos e enfadonhos do politburo e comitê central do politicamente correto.

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