As controvérsias em torno dos 33 milhões de pessoas com fome no Brasil

Levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional gerou críticas na internet
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Integrantes do MTST, durante invasão ao Shopping Iguatemi, na capital paulista - 08/06/2022 | Foto: Divulgação/MTST/Twitter
Integrantes do MTST, durante invasão ao Shopping Iguatemi, na capital paulista - 08/06/2022 | Foto: Divulgação/MTST/Twitter

Em 8 de junho deste ano, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto invadiram o Shopping Iguatemi, na cidade de São Paulo. Os manifestantes justificaram o ato em virtude dos “33 milhões de brasileiros que passam fome”.

A afirmação provém de um levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Pensann), em parceria com seis entidades e ONGs de esquerda. O estudo tem sido criticado na internet.

Falta de clareza sobre a fome no Brasil

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A primeira controvérsia começa na falta de clareza do que é fome. Os 33 milhões se referem ao que está definido no termo técnico “insegurança alimentar grave” na Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, usada desde 2004 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e aplicada ao estudo.

No entanto, ao contrário da conotação usada pela Pensann, não é comum o IBGE usar a classificação de “insegurança alimentar grave” como sinônimo de fome, informou reportagem publicada no jornal Gazeta do Povo.

André Martins, gerente da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, definiu a fome como “situação em que pelo menos alguém ficou o dia inteiro sem comer um alimento”. Já a insegurança alimentar grave é uma restrição de acesso a alimentos “com uma redução da quantidade consumida para todos os moradores”. Em domicílios com insegurança alimentar grave, “pode ter ocorrido a fome”, afirmou Martins, em 2020, mas um não é sinônimo do outro.

No site da Pensann, há uma informação relacionada ao número: “Em 2022, são 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer”. A expressão “sem ter o que comer” sugere privação total de alimentos, algo raro mesmo em situações de insegurança alimentar grave.

“Fora da realidade”

“É estranho dizer que 33 milhões de brasileiros passam fome”, disse Hugo Garbe, economista-chefe da G11 Finance e professor do curso de economia e finanças da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Não é condizente com a nossa realidade econômica. Hoje, temos reduzido cada vez mais o desemprego no Brasil, que, no auge da pandemia, chegou a 14 milhões. Hoje, são 9 milhões.”

Garbe lembrou ainda do auxílio emergencial, pago quase ininterruptamente desde o início da pandemia e que contemplou quase 80 milhões de pessoas. “Nossa situação difere da de países como a Argentina e a Venezuela, que passam por uma crise de maiores proporções”, observou. “Estão comparando nosso país à Venezuela.”

População de rua

De acordo com o último Censo da População em Situação de Rua, realizado na capital paulista entre outubro e dezembro de 2021, a cidade de São Paulo tem hoje cerca de 32 mil moradores de rua. Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que esse número pode ser 30% maior. Os dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua mostrou que, apenas na cidade de São Paulo, são 42.240 pessoas vivendo nas ruas. Em todo o país, mais de 180 mil pessoas moram na rua.

De acordo com o gerente de pesquisa do IBGE, a fome é definida como “situação em que pelo menos alguém ficou o dia inteiro sem comer um alimento”. É difícil pensar em pessoas que se encontrem em condição mais miserável e precária do que as que vivem nas ruas. Ainda que os dados da UFMG estejam subestimados, ainda que esse número seja multiplicado por dez, a conta chegaria a 1,8 milhão de pessoas vivendo nas ruas. Mesmo assim, é muito distante dos 33 milhões de pessoas “sem ter o que comer”, como mostra o estudo.

Metodologia questionável

Sobre a metodologia da pesquisa, Garbe constatou não se tratar de um método científico. “Em um país como o Brasil, é praticamente impossível fazer uma pesquisa séria apenas com amostra em média simples”, afirmou. “Tem uma variável de erro. Esse estudo não seria tampouco aceito como artigo acadêmico em universidades.”

“Vejo viés de politização, sobretudo por parte da oposição ao governo de tentar induzir as pessoas a erro, levando-as a crer que o governo Bolsonaro é o responsável pela ‘fome no Brasil'”, disse.

Politização

Os dados usados pela Pensann sobre a fome no Brasil são uma continuidade de estudos do IBGE feitos desde 2004 sobre a situação alimentar do brasileiro. A metodologia descrita na pesquisa foi semelhante à que o IBGE usou nas mais recentes edições da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios e da Pesquisa de Orçamentos.

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo informaram não haver problema de os dados obtidos pelo Instituto Vox Populi, que aplicou o questionário em parceria com a Pensann, serem comparados com os do IBGE. O que tem claro viés político é a interpretação que a Pensann faz dos dados.

Entre outros pontos, o levantamento sustenta que o Brasil vive uma “onda deformadora do Estado, em curso desde 2016”, ano em que a ex-presidente Dilma Rousseff deixou o cargo, depois de o Senado aprovar o impeachment da petista.

Além disso, o documento destaca que os pobres foram “deserdados por um Estado gerenciado sob a doutrina neoliberal e sob a obsessão pelo equilíbrio fiscal e controle de gastos”, além de serem vítimas do “desmonte de políticas públicas”.

O antropólogo Flávio Gordon, colunista da Revista Oeste, afirma que o documento tem viés político. “O relatório, ‘coautorado’ por ONGs nitidamente de esquerda, como Oxfam Brasil e Actionaid, tenta culpar o atual governo pela fome, mas, curiosamente, não faz menção alguma às políticas restritivas durante a pandemia”, observou Gordon.

Entre outros pontos, o antropólogo ressalta que o lockdown foi reconhecido pela própria Organização Mundial da Saúde como um dos causadores da fome e da miséria no mundo. “O relatório é político-eleitoreiro do início ao fim e foi concebido para servir de instrumento de propaganda antibolsonarista ao longo desses meses que nos separam da eleição”, disse.

Leia também: “Imprensa em campanha”, reportagem publicada na Edição 117 da Revista Oeste

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27 comentários Ver comentários

  1. Engraçado. Saio nas ruas todos os dias e me deparo com pessoas pedindo. A lixeira do nosso condomínio foi arrombada e os sacos de lixo com restos de comida foram abertos. Nem trancamos mais porque não adianta. O poder de compra foi reduzido, e hoje cada ida ao mercado, por menos coisas que se compre, é um preço absurdo. Aí vem vcs afirmar que “é estranho” dizer que 33 milhões de pessoas estão passando fome. É estranho porque não é sua realidade! Absurdo.

  2. Mentes doentias esquerdistas implantam mentiras nas cabeças de incautos para ganhar votos.Só tem detalhe,esse universo estão a cada dia ficando mais escasso,seu idiota.
    Mesmo com fraude,na próxima eleição vocês vão sumir do mapa,mentes doentes!

  3. Quem não lembra do sujeito Lula,num tom de gracejo afirmar que “era bonita falar do Brasil”,por exemplo dizendo que no Brasil tinha trinta milhões de crianças de rua?A esquerda mentirosa e corrupta usa destes dois engodos políticos para enganar descarrados da própria realidade para implantar narrativas falsas e mentirosas como argumentos políticos.
    Não acredito numa palavra destes mentes doentias esquerdistas.

  4. No Brasil não há 33 milhões de pessoas passando fome. Se esse número fosse real seria impossível de se andar nas ruas sem esbarrar em alguém te pedindo comida.
    Mais uma fake com fins eleitorais.

  5. Calma, gente! Pode ser mais um desses ‘bugs’ petistas que acabou contando cada pessoa mais de uma vez…! Pior seria se estivessem ensinado nas escolas que criar ‘bugs’ também é profissão…

  6. Essas ONGS vagabundos deveriam perder o registro e seus responsáveis serem processados por incitação ao ódio. Uma ONG dessas lá na Venezuela já tinha sumido do mapa junto com seus integrantes. Teriam o destino do indigrnista e do jornalista.

  7. A chamada população de rua é a que menos corre risco de passar fome.Portanto,no Brasil não há gente passando fome.A esquerdalha,que sempre teve como “modus operandi” a mentira,a distorção e a manipulação de dados,é especialista em corromper conceitos para ajustá-los às suas narrativas.Fome é diferente de privação.No Brasil, parte da população passa privações,mas não fome.

  8. Pessoal , entendam de vez uma coisa , a esquerdalha vive do quê???
    – Mentiras ,
    – Criação de factóides,
    – Fake News ,
    – Enganar os desavisados,
    -Falsas promessas,
    – Corrupções
    – Desvios….. Essa é a desgraça denominada esquerda , o que vc esperava ????👍

    1. Caramba! Você acredita mesmo nessa agência de “checagem” de “fake news” que foi pega fazendo fake news e depois foi multada em 10 mil reais.

  9. Esses institutos petistas estão fora da realidade, os dados econômicos mostram isso, claramente, não tem sustentação , só servem para serem usados politicamente…

  10. EU já contei!!
    No Centro de SAMPA tem cerca de uns 4-5 mil NÓIAS….e chega mais uns mil 1.000 de outras localidades da cidade.
    Não são pobres não…
    SÃO NÓIAS bebados loucos e DROGADOS!
    Reviram LIXO para pegar latinha de aluminio para comprar droga, quando não roubam os fios de cobre. MENTIRA QUEM DIZ QUE PROCURAM COMIDA.

    Na cracolândia tem 1500 nóias
    Região da SÉ tem 680 nóias
    Região anhangabau são bento 500 nóias
    Região da Sta Ifigenia/minhocão 450 nóias
    Região Estação Armenia do metro tiete e santana tem 550 nóias
    INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA JÁ!!
    REVOGAR TODAS AS LEIS MUNICIPAIS QUE PROTEGEM VAGABUNDOS que fizeram TODAS as escolhas erradas na vida… CHEGA de impunidade….Tolerância ZERO já

    1. e tem TODO SANTO DIA café da manhã….marmitinha na JANTA…os skatistas do Anhangabau também comem todo dia essas marmitas …as 19 horas perto do Teatro municipal.
      VÃO LÁ VER.

    2. POBRE pra mim…são pessoas honestas, trabalhadoras/estudantes que encontra dificuldades em fechar as contas do mês.
      POBREZA não pode ser comparado com NÒIAS….absurdo isso…é um desrespeito para com as pessoas pobres.

  11. Esse número saiu da cabeça de um político cachaceiro, bandido e que já foi condenando nas 4 instâncias, mas hoje anda livre por aí (caso único no Brasil) , vivendo dentro de sua mansão, com saídas para alguns eventos fechados com seus bajuladores, também bandidos.

  12. Pesquisa de esquerda não acredito mesmo. E morador de rua em São Paulo não passa fome de forma alguma. Comerciantes, pedrestes, ONGs, sempre os alimentam, portanto, estas pesquisas não tem credibilidade. Agora se tivéssemos um presidente do pt neste período, aí nós íamos ver o que é gente passando fome!

  13. O próprio IBGE está infestado de esquerdistas que, com a formação de escolaridade baseada no método Paulo Freire, que inseriu alunos em faculdades eleitoreiras, ingressam no Instituto para fazer pesquisas, por não se terem qualificado em áreas de conhecimento técnico e científico, aptoveita para engajar nesses serviços, que não requer muito esforço mental, aplicam (influenciam nas questões, distorcendo respostas com viés tendencioso), para desmerecer quiser governos que não seja das ideologias deles. Aliás, todos os órgãos de governo foram aparelhados durante os últimos anos de governantes esquerdistas. Vamos precisar de décadas pra desinfetar essas carniças infiltradas.

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