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Brasil

As forças de esquerda defendem os presos como pobres-coitados, diz Motta

Para o ex-secretário do Conselho de Segurança Pública do RJ, a causa principal do caos da segurança pública brasileira é a ideologia que domina o sistema da Justiça Criminal

segurança pública
Foto: Divulgação/Neto Favaron

Se o cidadão brasileiro médio soubesse o que os policiais sabem, talvez não tivessem coragem de sair de casa. É assim que Roberto Motta, engenheiro, ex-consultor do Banco Mundial e ex-Secretário de Estado do Conselho de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, correspondente ao antigo cargo de Secretário de Segurança, se refere à segurança pública brasileira em seu novo livro. 

Na obra A Construção da Maldade, lançada em junho deste ano pela Faro Editorial, Motta demonstra como nosso país se tornou um dos mais violentos do mundo e vive uma crise de criminalidade. 

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Para ele, não apenas o tráfico de drogas é responsável pela situação em que se encontra o Brasil, mas também as organizações não governamentais (ONGs) de direitos humanos, as forças de esquerda e os profissionais do Judiciário. Segundo Motta, esses grupos advogam em causas pró-bandido,  atuam para o enfraquecimento da lei penal e para a promoção de ideologias favoráveis ao crime.

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Foto: Divulgação/Faro Editorial

Em entrevista a Oeste, Motta critica o texto aprovado do pacote anticrime, elenca os principais inimigos da ordem pública no país e comenta as armadilhas da legalização das drogas. 

A seguir, os principais trechos da entrevista.

No Brasil, o sistema de Justiça Criminal é brando. Os presos têm direito a “saidinhas”, visitas íntimas e progressão de regime por bom comportamento. O que esperar da segurança pública no país?

Se nada for feito, o Brasil estará na direção do México, um Estado falido, onde as instituições não funcionam mais. É possível reverter o processo. O primeiro passo é a informação. As pessoas, no entanto, estão presas em uma narrativa da mídia, do sistema educacional e de muitos militantes do Judiciário que defendem a ideia de que os presos  são coitados. Imagine se o Lula ganhar as eleições. Um sujeito que foi condenado e descondenado, que diz que o bandido só é bandido por falta de oportunidade e por excesso de preconceito. Vamos acelerar nossa caminhada em direção ao México.

No livro, o senhor identifica retrocessos trazidos pelo pacote anticrime, proposto pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Podemos dizer que é um paradoxo chamar essa legislação de “anticrime”?

Claro. O pacote já era fraco, mas sua versão aprovada foi diluída pelo Parlamento. A legislação até trouxe benefícios, como o aumento da pena de 30 para 40 anos. Mas, no Brasil, onde ninguém fica mais de dez anos preso, essa medida se torna insignificante. Muitos retrocessos no combate à criminalidade foram aprovados no projeto, como a audiência de custódia, instrumento jurídico que facilita a soltura de presos. Foi aprovada também a figura do juiz das garantias, encarecedor do sistema jurídico brasileiro, entre outras. Em resumo, o pacote anticrime trouxe melhorias insignificantes e piorou o combate à criminalidade no país. O Moro nunca foi do combate à criminalidade violenta, o negócio dele era o combate à corrupção, que é uma coisa muito mais chique, descolada. Você não suja a mão, não tem de descer no nível do bandido que assalta na rua.

Veja: entrevista de Roberto Motta no Estúdio Oeste, programa apresentado por Silvio Navarro

Quem é o maior vilão da segurança pública no Brasil atualmente?

Essa é uma competição difícil (risos). Inúmeras ONGs de direitos humanos, por exemplo, servem como veículo de promoção ideológica favorável ao criminoso. Elas trabalham contra o combate à criminalidade no país, pois são contra o endurecimento das leis. As forças de esquerda no Brasil também são inimigas do combate à criminalidade. Elas são pró-bandido, atuam com a ideia de que os criminosos são pobres-coitados. Muitos operadores do Judiciário também estão lutando contra a segurança pública brasileira, pois soltam criminosos, tentam aliviar a legislação penal, entre outras ações. Não podemos esquecer, é claro, do crime organizado, o narcotráfico, que é o grande vilão da segurança pública nacional.

É de interesse do tráfico liberar o consumo de drogas no Brasil?

O que acontece quando liberamos? O consumo deixa de ser crime. Segundo o modelo da Califórnia, o tráfico não vai acabar, o uso é que será facilitado. Em grande parte das situações, o traficante passará a ser apenas um infrator, ou seja, será multado, não preso. Imaginemos isso no Brasil, quem é que vai subir no morro para multar um traficante? Além disso, caso seja legalizado, todos aqueles presos por tráfico serão soltos, pois a lei retroage para beneficiar o réu. Com isso, teremos vários bandidos na rua. A legalização das drogas no Brasil é do total interesse dos traficantes. Outro ponto é quanto à fiscalização, pois seria muito difícil para o Estado fiscalizar. Caso as drogas sejam liberadas no Brasil, a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] vai instituir um máximo de THC [substância alucinógena da maconha], por exemplo. Como fiscalizar? O tráfico poderá vender algo que esteja acima desses limites e continuar lucrando. Em resumo, a liberação faz com que o mercado potencial aumente e a penalidade para os traficantes diminua. 

A pena de morte e a castração química são alternativas para reduzir a criminalidade no Brasil?

Não acredito em ambas as formas de repreensão. A pena de morte é moralmente justificada, mas a justiça humana é falha. A mera possibilidade de erro judicial que poderia levar um inocente à morte já torna a pena de morte um erro. Acredito na prisão perpétua. Há certos crimes em que não cabe explicação. Se o indivíduo cometer, deve ficar preso a vida inteira. Também tenho dificuldade de ver a castração química funcionando, pois seria complicado fiscalizar o uso dos medicamentos de inibição do impulso sexual necessários para o procedimento. Sou a favor do cadastro de criminosos sexuais. Caso o criminoso cometa algum crime sexual, ele vai para um cadastro permanente que permite o acesso por qualquer pessoa. Assim, os cidadãos podem ter acesso aos registros antes de uma contratação, por exemplo. Essa marcação é o que acontece com a vítima. A vítima fica marcada pela vida inteira, nada mais justo que o agressor também fique.

Leia também: “Ligações criminosas“, artigo de Silvio Navarro para a Edição 120 da Revista Oeste

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11 comentários
  1. Jorge Ribas Capafons
    Jorge Ribas Capafons

    O crime aqui compensa. O exemplo vem de cima !!

  2. L. C. Baldu
    L. C. Baldu

    Parabéns pela reportagem com Motta, nosso país vive uma crise judicial onde ”o povo que se exploda”, nosso país é ótimo, o problema são as pessoas de determinados setores que defendem bandido, então, são bandidos também. E cadeia foi feita para punir e não para educar bandido…

  3. Roberto Gomes
    Roberto Gomes

    O ministro Barroso é um debochado! Ele fez LIVE com ADVOGADOS com interesses particulares no STF como KAIKAI. E quer proteger traficantes. Enquanto o brasileiro paga a conta de LAGOSTA VINHOS CAROS para tirarem sarro na nossa cara. #Vergonha #StfDaVergonha #lulaNaCadeia #FechadoComBolsonaro #EuQueroVotoImpresso

  4. Santilho
    Santilho

    O preso é pobre coitado e a vitima é o criminoso. Ora, ora, senhores. Quem pensa assim deveria adotar presidiários e levá-los para dentro de suas casas, para conviverem com suas mulheres e filhos. Quem sabe, desse modo, parassem de falar besteira? Já passamos da hora de parar de ter pena do bandido e esquecer a família da vitima e a própria vítima. Até parece que só existe direitos humanos para o criminoso. No BRASIL.

  5. carlos roberto de moura
    carlos roberto de moura

    Grande Motta! Lendo certos ‘pensamentos’ podemos dizer que o corrupto só é corrupto por falta de honestidade e por excesso de desrespeito. Precisamos de mais pessoas como você, Motta, para que o Brasil continue no caminho do bem. Sei que a luta é árdua e longa. Todos devemos lutar, não por heroísmo, mas por decência.

  6. R.F. Nobre
    R.F. Nobre

    ” se implantar a pena de morte significa o sacrificio de pouquissimos individuos devido a um hipotetico erro”, desde que não seja eu ou parente meu, certo?

  7. Claudio Haddad
    Claudio Haddad

    Motta, perdoe o contraditorio: se implantar a pena de morte significa o sacrificio de pouquissimos individuos devido a um hipotetico erro, o beneficio de eliminar uma esmagadora maioria de irrecuperaveis, torna a medida mais que necessaria

  8. Julio Cesar Brasileiro Pereira
    Julio Cesar Brasileiro Pereira

    Estamos diante a pauta defendida pela esquerda. Muito integra, verdadeira e valiosa esta visão do Motta. O tal progressismo defendido pela esquerda brasileira, passa anos luz de distância da filosofia inaugurada por Giambattista Vico, a mesma que fora ampliada e referendada por Immanuel Kant. Daí a cortejar e impor-se com a Autocracia Despotista sempre foi o objetivo do Luís Inácio et caterva. E a América flerta com isso, levando todos os países que adotam este sistema, ao fracasso econômico e ao traumatismo social. Fato!

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