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Brasil tem controle frágil contra tráfico de cocaína em portos, diz TCU

Auditoria do Tribunal de Contas da União revela que a falta de coordenação entre órgãos e tecnologia deficiente comprometem o combate ao tráfico

Imagem aérea do Porto de Santos; TCU
Imagem aérea do Porto de Santos | Foto: Shutterstock

O avanço do tráfico internacional de cocaína pelos portos brasileiros revela deficiências graves nas estratégias de combate ao crime organizado, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

O documento, obtido pelo jornal Folha de S.Paulo, mostra que, enquanto criminosos utilizam métodos sofisticados, como drones e semissubmersíveis, a resposta do Estado permanece limitada por regras desconexas, tecnologia insuficiente e integração falha entre órgãos federais.

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Resultado de uma apuração iniciada em 14 de abril, o relatório preliminar descreve visitas aos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Vitória (ES), além de uma observação no Porto de Lisboa, em Portugal. O objetivo foi avaliar a capacidade brasileira de prevenir e reprimir o tráfico de drogas em suas principais estruturas portuárias.

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Um dos pontos centrais destacados é a ausência de protocolos claros entre Receita Federal e Polícia Federal. Isso, segundo o TCU, compromete investigações e a preservação das provas desses crimes.

TCU alerta para falta de integração

TCU
Fachada do prédio do Tribunal de Contas da União (TCU) | Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Os auditores relatam que, frequentemente, há apenas a apreensão da droga, sem a identificação nem a responsabilização dos líderes e financiadores das operações. Conforme o relatório, “essas falhas prejudicam a preservação do local do crime, ocasionam a quebra da cadeia de custódia [de eventuais provas] e, como consequência, perpetuam atuação centrada exclusivamente na apreensão de drogas, o que não traz resultados eficazes e permite que as organizações criminosas continuem em plena atividade”.

Outro problema grave é a limitação tecnológica. Apenas o porto de Vitória conta com o sistema VTMIS, capaz de monitorar embarcações suspeitas em tempo real. Em contraste, Santos e Paranaguá, que juntos movimentam mais de 50 mil contêineres ao mês, não possuem tal estrutura.

O VTMIS opera como um “controle de tráfego aéreo” para o mar, de modo a integrar radar marítimo, câmeras e sensores. Assim, detecta atividades suspeitas e embarcações não autorizadas.

Dimensão do tráfico e impacto econômico

Entre 2020 e 2023, o Brasil apreendeu 355 toneladas de cocaína, equivalente a 4,45% do total global. Cerca de 40% dessas apreensões ocorreram em áreas portuárias. Em valor, a cocaína interceptada em 2023 superaria cultivos tradicionais e se posicionaria como a oitava maior exportação agrícola, caso fosse commodity.

O relatório cita apreensões recentes, como a interceptação de 535 kg de cocaína no Porto de Sines, em Portugal, em maio de 2024. A droga, escondida em latas de bebida, saiu do Porto de Santos por meio da técnica de contaminação de mercadoria, quando entorpecentes são inseridos em cargas lícitas.

Leia também: “A agenda ‘woke’ do STF”, reportagem de Loriane Comeli publicada na Edição 284 da Revista Oeste

Em 2022, outras remessas de cocaína brasileira foram barradas na Europa, incluindo uma carga de 1,1 tonelada em Leixões e outra de 552 kg em Sines.

Vulnerabilidades e recomendações

Estima-se que 140 mil contêineres circulem mensalmente pelos portos do país, todos vulneráveis à infiltração de drogas. O TCU alerta ainda para as falhas na governança da segurança portuária e afirma que as regras atuais são baseadas em decreto presidencial e não em lei aprovada pelo Congresso. Isso gera fragilidades e lacunas normativas nas operações de fiscalização.

De acordo com o relatório, a cocaína vendida na Europa pode atingir preço até dez vezes maior que o valor praticado na fronteira brasileira. Uma lata de bebida de 350 ml com droga ultrapassa R$ 100 mil no atacado europeu. Em alguns mercados, o grama da droga chega a valer mais do que ouro.

Leia também: “Governo na UTI”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 284 da Revista Oeste

Como recomendações, o TCU sugere acordos de serviço entre Receita Federal e Polícia Federal, treinamento em cadeia de custódia, expansão de sistemas integrados de monitoramento e envio de propostas ao Congresso Nacional para ajustes legislativos. Os dados mostram que 91% da cocaína apreendida em portos europeus está em contêineres, e 51% das apreensões nos portos envolvem cargas lícitas.

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