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ButanVac é alternativa no caso de a vacina chinesa ser ineficaz

Especialista em biologia celular e molecular responde por que o instituto paulista está desenvolvendo um imunizante do zero
Lançamento da "ButanVac", imunizante do Instituto Butantan | Foto: Antonio Molina/Estadão Conteúdo
Lançamento da "ButanVac", imunizante do Instituto Butantan | Foto: Antonio Molina/Estadão Conteúdo

Fernando Reinach, Phd em biologia celular e molecular, argumenta que a ButanVac é um plano b no caso de a vacina chinesa se mostrar ineficaz. O imunizante “100% nacional” contra a covid-19 foi anunciado ontem pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Por que o Butantan resolveu recomeçar do zero quando já envasa no Brasil quase um milhão de doses da Coronavac por dia?”, perguntou Reinach, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo. O especialista levanta três pontos para responder à pergunta.

1- “Além da promessa de uma fábrica prevista para este ano, mas que ficará pronta em 2022, o Butantan ainda deve à sociedade o cumprimento de outras promessas. A primeira é a publicação científica que demonstra a eficácia da CoronaVac na fase 3 executada no ano passado. Além disso, falta entregar à Anvisa os dados sobre a resposta imunológica das pessoas vacinadas. Sem esses dados ficamos sem saber se a CoronaVac ainda é eficaz. A divulgação é essencial, principalmente agora que sabemos que em São Paulo 64% dos novos casos são causados pela P.1 e 6,8% são causados pela variante inglesa. É por isso que as mortes por covid-19 estão aumentando exponencialmente.”

2- “O Butantan prometeu iniciar a vacinação em massa de brasileiros com uma nova vacina em julho de 2021. Quando o pedido de estudos em humanos da ButanVac for aprovado, serão executados os testes clínicos de fase 1 e de fase 2 com voluntários. Se estes testes tiverem resultados satisfatórios, e forem aprovados pela Anvisa, será feito o pedido para execução do ensaio clínico de fase 3 com milhares de voluntários. Caso esses testes demonstrem que a vacina é segura e que tem alta eficácia, ela pode ser aprovada pela agência. Só então o Butantan poderá produzir e comercializar o imunizante em larga escala. Tudo isso tem de acontecer em três meses. Difícil de acreditar.”

3- A terceira promessa é a divulgação dos dados sobre a eficácia da CoronaVac contra as novas cepas do Sars-CoV-2, principalmente a variedade P.1 de Manaus. Dimas Covas divulgou (sem mostrar dados) que a CoronaVac ainda é eficaz, mas o grupo da professora Ester Sabino, com pesquisadores ingleses, demonstrou (mostrando os dados) que a CoronaVac não produz anticorpos neutralizantes contra a variedade de Manaus.”

Portanto, para Reinach, o instituto teme que o imunizante chinês em que Doria pôs todas as fichas seja ineficaz. Dessa forma, criou uma vacina de modo a garantir a imunização.

Leia também: “Hospital dos EUA informa que desenvolveu vacina anunciada como 100% brasileira pelo Butantan”

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