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Comando Vermelho enriquece com extorsão de moradores, aponta pesquisa

Estudo mostra que criminosos obtêm ganhos ao oprimir moradores e manter monopólio do comércio local

Agentes policiais encaminham membros do Comando Vermelho para a prisão | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Agentes policiais encaminham membros do Comando Vermelho para a prisão | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nas últimas décadas, o Comando Vermelho (CV) deixou de depender exclusivamente do tráfico de cocaína, atividade que sustentava seus lucros nos anos 1980. O grupo passou a explorar uma série de atividades ilícitas. Elas vão do contrabando de cigarros ao comércio de ouro e madeira. Pouco se compara, no entanto, ao sistema de arrecadação estável a partir da exploração direta dos moradores em áreas sob controle.

Conforme Roberto Uchôa, ex-policial federal e pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o modelo se baseia principalmente em cobranças por “segurança”, taxas para ligações clandestinas de energia, assim como controle sobre o comércio local. “Essas práticas ganharam força no início dos anos 2000, em paralelo à expansão das milícias, que também passaram a financiar suas atividades com a exploração de comunidades.”

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Comando Vermelho: poder pelo domínio territorial

Uchôa observa, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, que a relação entre tráfico e milícia acabou se invertendo. “Antes, os milicianos imitavam o jeito dos traficantes. Hoje, muitos grupos ligados ao tráfico passaram a adotar o modelo de arrecadação das milícias, com menos risco e maior previsibilidade. O poder da facção, hoje, vem menos da droga e mais do domínio territorial.”

Na avaliação do pesquisador, operações como a Contenção, que resultou em 121 mortes, reforçam a estrutura da facção ao invés de enfraquecê-la. “Essas ações deixam o CV com aquilo que ele tem de mais valioso: o controle do território. Em áreas dominadas, tudo precisa de autorização — da compra do gás e da internet ao funcionamento de transportes alternativos e até campanhas políticas.” 

Leia também: “Territórios sequestrados”, reportagem publicada na Edição 294 da Revista Oeste

Sua opinião, no entanto, diverge da de especialistas em segurança pública, que viram na megaoperação um eficiente instrumento sobretudo de desarticulação da estrutura criminosa. Ao eliminar diversos líderes da facção, o Comando Vermelho pode ter dificuldades em se organizar e, do mesmo modo, ocupar novamente o espaço que mantinha sob o seu poder.  

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Segundo Uchôa, o Comando Vermelho funciona de maneira mais descentralizada que o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele opera como uma espécie de rede de franquias. Cada liderança local tem liberdade para gerir seus lucros, desde que contribua com a facção.

No Rio, a expansão sobre regiões da zona oeste sob controle de milícias mostra que o CV busca ampliar seu domínio. Em comunidades como Gardênia Azul, as cobranças e os monopólios já se tornaram parte do cotidiano. Para o pesquisador, essa receita previsível cresce a cada ano e já representa boa parte do caixa da organização. “As estimativas apontam que o tráfico de drogas responde por 30% a 40% da renda total. O contrabando de cigarros, por exemplo, virou um negócio bilionário.”

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