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O Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, se tornou um centro de ordens do Comando Vermelho (CV), com lideranças presas transmitindo instruções para criminosos em diversos Estados, conforme mensagens interceptadas pela Polícia Civil. Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Samurai, atuava como "diretor de governança", mediando conflitos e coordenando ações da facção. A centralização das decisões do CV aumentou depois da ruptura com o PCC em 2016, e Samurai já havia sido identificado como influente no sistema prisional.
A cúpula do Comando Vermelho (CV) transformou o Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, em um centro nacional de comando da facção criminosa.
Mensagens interceptadas pela Polícia Civil e obtidas pelo jornal O Globo mostram que lideranças presas no local transmitiam ordens para criminosos de diferentes Estados. As ordens abrangem disputas por território, conflitos internos e punições a integrantes do grupo.
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As conversas revelam que as decisões deixaram de se limitar ao Rio de Janeiro e passaram a influenciar a atuação da organização em diversas regiões do país. Segundo investigadores, os bandidos criaram uma espécie de “diretor de governança” para mediar conflitos e coordenar ações da facção mesmo de dentro da prisão.
Quem é o diretor de governança do Comando Vermelho
Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Samurai ou Naldinho, exercia esse papel enquanto cumpria pena na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, a Bangu 3, no Complexo de Gericinó.
Em uma conversa interceptada pela Polícia Civil, um integrante da cúpula do CV em Rondônia relatou ao traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, um conflito entre integrantes do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um presídio de Porto Velho.

Doca respondeu que seria necessário “colocar o Samurai na linha” para resolver a situação. Dias, então, repassou orientações aos integrantes da facção em Rondônia.
Para a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro, o diálogo demonstra que o preso atuava como mediador de conflitos regionais. Além disso, exercia influência sobre decisões nacionais da organização.
Como o CV ampliou o controle sobre o presídio
As investigações mostram que o CV ampliou a centralização das decisões nos últimos anos. Segundo a polícia, a mudança ocorreu depois da expansão da facção para outros Estados. Esse movimento se intensificou desde 2016, quando o grupo rompeu a aliança com o PCC.
As mensagens também mostram que Doca e Samurai discutiam com frequência problemas envolvendo integrantes do Comando Vermelho em diferentes regiões do país. Em um dos diálogos, eles trataram de regras relacionadas à trégua firmada entre CV e PCC em 2025. O acordo durou menos de três meses e terminou em abril daquele ano.
As autoridades já haviam identificado a influência de Samurai dentro do sistema prisional em outras investigações. Em 2024, ele redigiu um comunicado interno da facção que determinava uma trégua temporária durante reuniões do G20 no Rio de Janeiro.
Em novembro do ano passado, a Justiça autorizou a transferência de Samurai para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, depois de pedidos das polícias Civil, Militar e Federal e do Ministério Público.
Segundo a Secretaria de Polícia Penal do Rio de Janeiro, o traficante respondeu a processos disciplinares durante o período em que permaneceu em Gericinó, inclusive por posse ou uso de aparelho celular.
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