O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil identificaram uma célula de elite do Primeiro Comando da Capital (PCC) dedicada a espionar e planejar ataques contra autoridades públicas. O grupo, conhecido como Restrita Tática, virou alvo da Operação Recon, deflagrada nesta sexta-feira, 24, e é apontado como responsável pelo monitoramento do promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina.
De acordo com o MPSP, a estrutura atua de forma compartimentada e disciplinada, com funções específicas para cada integrante e padrão de treinamento com armamento pesado. O objetivo seria mapear a rotina de autoridades e de seus familiares para preparar atentados, em cumprimento a ordens da cúpula da facção.
Receba nossas atualizações
Atuação sigilosa
O modelo de funcionamento da Restrita Tática reflete uma lógica paramilitar. Cada integrante tem tarefas delimitadas e não tem acesso à totalidade dos planos, o que dificulta o rastreamento das operações.
As investigações mostram que a facção adotou técnicas de contrainteligência, como uso de celulares dedicados, vigilância remota e rotas de fuga preestabelecidas. Autoridades classificaram a célula como uma “unidade tática do PCC” — espécie de núcleo de operações sensíveis da facção.
+ Leia mais notícias do Brasil em Oeste
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que o grupo é formado por criminosos experientes e treinados para executar atentados contra agentes do Estado. “Os indivíduos desse núcleo recebem treinamento em diferentes armamentos e são preparados para realizar ataques a autoridades”, declarou, em evento público da Associação Comercial de São Paulo.
Os alvos do PCC
As investigações mostram que o grupo alugou um imóvel de alto padrão a menos de um quilômetro da casa do promotor Lincoln Gakiya, em Presidente Prudente, com a finalidade de acompanhar a rotina dele e da equipe de escolta. O plano previa executar o promotor no trajeto entre casa e trabalho.
Em outro caso, Roberto Medina e sua esposa foram observados por pelo menos três meses, segundo os relatórios de Inteligência.
Vídeos e fotos apreendidos mostram trajetos monitorados com apoio de aplicativos de mapeamento e gravações feitas de motocicleta nas proximidades de sua residência. O Ministério Público classificou o levantamento como “meticuloso e audacioso”, ao ressaltar que o grau de organização revelava alto nível de periculosidade.
Conexão com a morte de Ruy Ferraz Fontes
A Restrita Tática é também apontada como suspeita de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, ocorrido em 15 de setembro de 2025, na Praia Grande, litoral paulista. Ferraz havia sido um dos principais responsáveis por investigações contra o PCC quando comandava a Polícia Civil.
Segundo Derrite, o crime contra o ex-delegado-geral e os planos contra Gakiya e Medina fazem parte de uma mesma ordem interna, conhecida nas prisões como “salve” — termo usado pela facção para designar comandos de execução enviados pela cúpula.
PCC se comunicou a partir dos presídios
As autoridades acreditam que as ordens partiram de lideranças do PCC detidas em presídios estaduais e federais. Essas instruções não teriam sido transmitidas por telefone, mas por meio de encontros presenciais e conversas cifradas com advogados e visitantes, uma estratégia antiga da facção para evitar interceptações.
+ Conheça Lincoln Gakiya, promotor de Justiça alvo de plano de execução do PCC
O setor de Inteligência policial interceptou comunicações e impediu que os atentados fossem executados, segundo o MPSP. As informações foram cruzadas com materiais apreendidos durante buscas, incluindo celulares, vídeos e anotações com horários, endereços e rotinas das vítimas.
A Operação Recon levou à prisão de suspeitos e à apreensão de material digital que comprova o monitoramento. Os investigadores seguem apurando ligações entre os envolvidos e outras ações planejadas pela facção.
Segundo o MPSP, o grau de profissionalização da Restrita Tática demonstra um avanço qualitativo na estrutura de comando do PCC, com divisões especializadas em Inteligência, logística e operações.
A formação do PCC
Criado nos anos 1990, o Primeiro Comando da Capital consolidou-se como a maior facção criminosa do Brasil, com ramificações nacionais e internacionais.
Nos últimos anos, órgãos de segurança pública têm identificado movimentos de reestruturação interna e criação de núcleos com funções específicas, como finanças, comunicação e ações táticas.
A Restrita Tática é a expressão mais recente dessa evolução. Trata-se de uma célula voltada à execução de alvos estratégicos e à manutenção do poder da facção fora dos muros das prisões.
Advogado são a desgraça do mundo
Existe pena de morte no Brasil?
Sim, existe para quem combate o crime pois para os criminosos, a lei os protege.
O trabalho de combate ao crime organizado desenvolvido há décadas por Lincoln Gakiya e Roberto Medina sempre foi uma atividade de risco. Porém, sob um governo federal historicamente leniente com as facções criminosas e agora, quando o presidente declara que os narcotraficantes é que são vítimas dos usuários de drogas, esse risco passa a ser extremo.