A Seleção Brasileira enfrenta a Bolívia, nesta terça-feira, 9, no Estádio Municipal de El Alto, às 20h30 (de Brasília), no local de maior altitude em que vai atuar em toda a sua história. O confronto vale pela última rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Rodrigo Caetano, coordenador-executivo da Seleção, expressou preocupação com os efeitos da altitude de 4.088 metros sobre os jogadores e membros da comissão técnica.
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“O que existe na altitude é o que vocês todos sabem, é uma situação completamente adversa, diferente, muitos definem como sendo um outro esporte”, afirmou o dirigente, que ressaltou ter realizado um planejamento completamente diferente do convencional. Isso sem contar a necessidade de uma cautela bem maior em relação à própria saúde dos membros da delegação.
O treinador Carlo Ancelotti, por exemplo, passou por exames na semana passada, para avaliar suas condições antes desta disputa.
“Mas não tem problema, a gente vai com a melhor equipe possível, e, na certeza, a gente vai tentar terminar bem as Eliminatórias. O Brasil já venceu, talvez não nesse nível de altitude, porque ninguém jogou lá, mas a gente vai tentar se adaptar o mais rapidamente possível, a logística toda está montada, então vamos chegar três horas antes do início da partida, para que os atletas sofram o mínimo possível nessa altitude, fora de qualquer padrão.”
A altitude é um empecilho para jogadores de futebol principalmente por causa da redução na disponibilidade de oxigênio no ar. Quanto mais alto em relação ao nível do mar, menor a pressão atmosférica e, consequentemente, menor a quantidade de oxigênio disponível para ser absorvido pelos pulmões e transportado pelo sangue.
Em oito jogos realizados entre Brasil e Bolívia, na altitude de La Paz, a Seleção Brasileira venceu apenas três, empatou duas e perdeu três, o que demonstra a dificuldade em atuar nestas condições.
No confronto direto geral, a disparidade é grande. Em 33 jogos, o Brasil venceu 24 (73%), empatou quatro (12%) e venceu cinco (15%).
Até o jogo de hoje, todos os confrontos nas alturas foram realizados em La Paz, cuja altitude é de 3.650 metros, também significativa.
O Brasil já obteve bons resultados por lá, como a vitória por 3 a 1 na final da Copa América de 1997 e a goleada por 4 a 0 nas últimas Eliminatórias. No entanto, em alguns jogos, já teve problemas.
Em 1979, o ponta-esquerda Zé Sérgio teve que ser substituído. Zico não se sentiu em condições de entrar em campo naquele jogo. E o treinador Cláudio Coutinho também passou mal.
Em 1981, sem nenhuma relação com o jogo, Coutinho morreu afogado quando realizava pesca submarina nas Ilhas Cagarras, em Ipanema, Rio de Janeiro, prática na qual era considerado um mestre.
A altitude, de tão traiçoeira, também provoca performances sofríveis. O Brasil de Ancelotti está atento a essa possibilidade.
Não quer repetir, por exemplo, a atuação da Argentina, que perdeu por 6 a 1 da Bolívia, em La Paz, nas Eliminatórias para a Copa de 2010. Messi e Tevez estavam em campo. E Maradona era o treinador.
Seleção Brasileira nas Eliminatórias
Foi em La Paz que, em 1993, a Seleção Brasileira sofreu sua primeira derrota em Eliminatórias. A adversária, Bolívia, fez 2 a 0 naquela ocasião e gerou uma crise na equipe comandada pelo treinador Carlos Alberto Parreira.
No jogo desta terça-feira, a situação é diferente, já que a equipe garantiu a classificação, algo que ficou ameaçado naquele jogo de 1993. Mesmo assim, a equipe brasileira ainda passa por momentos difíceis.
Teve a pior performance da sua história nesta competição e, com as complicações oferecidas pela altitude, busca evitar uma derrota que prejudique o início de trabalho do treinador Carlo Ancelotti. Ele conseguiu, até agora, estancar a sequência de maus resultados.
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Em três jogos sob seu comando, o time obteve duas vitórias e um empate, sem sofrer gols. Ancelotti, logo depois da vitória por 3 a 0 sobre o Chile, na quinta-feira 5, garantiu que o Brasil vai entrar em campo disposto a conquistar mais um resultado positivo. No entanto, ele tomará certas precauções.
“Quero buscar novas opções para o elenco”, afirmou o treinador. “Ter um time com mais vigor em campo. Mas as mudanças também têm a ver com a altitude. Temos que mudar nossa maneira de jogar em relação ao Chile, e isso tem a ver também com a altitude sim.”
As dificuldades da Seleção Brasileira deverão ser ainda maiores porque, para a Bolívia, o jogo é fundamental. Com uma vitória, ela conquistará a vaga da repescagem, caso a Venezuela não vença, em casa, a Colômbia.
A repescagem terá, além do sétimo colocado das Eliminatórias da América do Sul, mais cinco países de outros continentes. Os seis lutarão por duas vagas no Mundial. A única seleção já garantida na repescagem é a Nova Caledônia, da Oceania. Os representantes da África e da Ásia ainda não foram definidos.






































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